Ezequias e os agentes secretos da Assíria

Isto é mesmo diferente. Vi Spies in the Ancient Near East no biblioblog Awilum.com de Charles Halton e me interessei. Diz o texto que, acredite você ou não, há uma grande quantidade de material sobre espionagem nos textos cuneiformes do Antigo Oriente Médio.

O serviço secreto da Assíria é o assunto tratado neste estudo, que analisa as atividades dos espiões do rei Senaquerib por ocasião da invasão assíria de Judá, em 701 a.C: Ezequias e os Espiões Assírios. Reconstrução dos serviços de inteligência neo-assírios e seu significado para 2Rs18-19.

DUBOVSKÝ, P. Hezekiah and the Assyrian Spies. Reconstruction of the Neo-Assyrian Intelligence Services and its Significance for 2 Kings 18–19. Biblica et Orientalia 49. Roma: Pontificio Istituto Biblico, 2006, xviii + 308 p. ISBN 88-7653-352-4


Diz o editor:

Among the well-preserved ancient archives in Niniveh and Nimrud there are many cuneiform tablets which reveal the existence of secret service networks used by the Assyrian court to communicate with provincial officials during the 8th and the 7th century B.C. Using this vast material the author shows in great detail how the Assyrians collected, transmitted, and double-checked sensitive information. This study also includes an in-depth analysis of the activities of the Assyrian espionage involved in Sennacherib’s invasion of Judah described in 2 Kgs 18-19. This fascinating book casts new light on the political situation and intrigues reflected in the biblical passage.

Tyler Williams estuda Cosmogonias Mesopotâmicas

Tyler Williams, em Codex, vai apresentar e discutir as cosmogonias mesopotâmicas. Isto é particularmente importante para a compreensão de Gn 1-2. Em quatro partes, começando com o post Ideas of Origins and Creation in Ancient Mesopotamia, Part 1, já publicado, serão discutidas as questões metodológicas e os recursos disponíveis para o estudo dos textos mesopotâmicos (parte 1), os textos babilônicos antigos (parte 2), os textos neobabilônicos (parte 3) e, finalmente, na quarta parte, uma síntese das ideias mais importantes que surgiram ao longo do estudo e sua relação com nossa compreensão dos textos bíblicos sobre a criação.

Ele diz:

Next to a close reading of the biblical text, one of the most important steps in its interpretation is knowledge of the ancient cultural and literary context of the Bible (…) Thus, when approaching the biblical creation accounts in Genesis 1 and 2, it is essential to have some knowledge of other ancient Near Eastern creation accounts (…) This is the first of four posts on ideas of creation in ancient Mesopotamia. This post will discuss some methodological issues surrounding the study of Mesopotamian texts and highlight some of the resources available for studying this literature. The second and third posts will survey Old Babylonian texts and Neo-Babylonian texts, respectively. The fourth post will synthesize some of the findings and relate them to our understanding of the biblical creation texts.

Isto até me anima a terminar um trabalho iniciado tempos atrás, de organização e publicação dos textos de um seminário no qual trabalhei com 15 alunos do CEARP sobre Cosmogonias Antigas e Cosmologias Modernas. Estudamos – em nível de introdução, pois isto ocorreu na graduação em Teologia – as Cosmogonias mesopotâmicas, egípcias, cananeias e israelitas (bíblicas), finalizando com um apanhado geral das várias cosmologias científicas modernas.

A compreensão das cosmogonias do Antigo Oriente Médio em seus contextos trouxe uma notável contribuição para a compreensão dos textos bíblicos de criação. Não estávamos em busca de semelhanças ou paralelos entre os textos orientais antigos, os textos bíblicos e as diferentes teorias da cosmologia moderna. Buscamos entendê-los dentro dos limites de sua época e função. Valeu a pena.

A dificuldade que enfrentei na época e que permanece para a publicação – isto explica o seu adiamento – diz respeito aos próprios textos. A maioria está em inglês e alguns em espanhol. Estas são traduções dos originais, feitas por especialistas da área e bastante confiáveis. Os poucos textos que tenho em português, porém, são tradução de tradução, pois vieram do inglês ou do francês, o que diminui a sua confiabilidade. Mas, aguardem.