“Habitando um número considerável de judeus em nosso território (…) e desejoso de lhes ser agradável (…), nós decidimos mandar traduzir vossa Lei do hebraico para o grego, para termos estes livros também em nossa biblioteca, com os outros ‘livros do rei’” (O rei Ptolomeu II Filadelfo ao sumo sacerdote Eleazar, segundo a Carta de Aristeias a Filócrates, séc. II a.C.).
Em 2006 a International Organization for Septuagint and Cognate Studies (IOSCS) estabeleceu o dia 8 de fevereiro como International Septuagint Day (Dia Internacional da Septuaginta), uma data para celebrar a Septuaginta (= LXX, Setenta) e incentivar seu estudo.
Para a origem da Septuaginta, recomendo o início de meu artigo Quem somos nós? Falam autores judeus antigos.
Li dois interessantes textos de Tavis Bohlinger, com bibliografia no final do segundo:
BOHLINGER, T. The Origin of the LXX. theLAB – The Logos Academic Blog – February 8, 2018
BOHLINGER, T. The Influence of the LXX. theLAB – The Logos Academic Blog – February 9, 2018
E duas entrevistas:
Interview with Dr James K. Aitken – Interaction of Traditions: February 8, 2018
International LXX Day: An Interview with T. Muraoka – William A. Ross: Septuaginta &C. – February 8, 2018
Uma observação em 30.01.2026: A pesquisa atual sobre as origens da Septuaginta (LXX) concentra-se em contextualizar a tradução do Pentateuco do século III a.C. dentro do panorama cultural, social e escribal mais amplo do Egito ptolomaico, em vez de se limitar a Alexandria. Embora a tradição a associe a 72 tradutores, os estudiosos focam em um processo plural e em constante evolução, com estudos recentes questionando o papel singular e central de Alexandria.
Os principais aspectos do atual “estado da questão” incluem:
. Uma mudança de foco para o exame do “lugar social” da tradução, integrando descobertas do arquivo politeuma de Heracleópolis para compreender os contextos judaico, de língua grega e administrativo, para além de uma origem estritamente alexandrina
. Embora sua autenticidade histórica seja frequentemente questionada, a Carta de Aristeias permanece uma fonte fundamental, ainda que lendária, para os tradutores de 70/72, e seu valor simbólico para as comunidades judaica e cristã é amplamente analisado
. Há um consenso crescente de que a tradução foi um projeto multifásico e multi-individual, que provavelmente se estendeu por vários anos ou décadas
. Trabalhos recentes enfatizam a competência linguística e a formação educacional dos tradutores, considerando a Septuaginta como um produto de interações complexas entre o grego e o hebraico no contexto ptolomaico
. Os estudiosos geralmente concordam que, ao estudar as “origens” da Septuaginta, estão discutindo principalmente a tradução da Torá/Pentateuco, visto que outros livros foram traduzidos posteriormente e em circunstâncias diferentes.
Assim, a tendência acadêmica atual se concentra em tratar a Septuaginta não apenas como um documento religioso, mas como um produto literário “ptolomaico”, influenciado pelo contexto social único dos judeus no Egito helenístico. Neste sentido, uma leitura proveitosa pode ser MAURAIS, J. Septuagint Origins: The State of the Question. Currents in Biblical Research, 24(1), p. 55-85, 2025.
