Corrupção não é fruto de crise moral

Devemos rejeitar a noção corrente de corrupção como fruto de uma crise moral.

Na verdade, esta noção fica na aparência da realidade social, porque pressupõe uma visão harmônica de sociedade, que não seria constituída por classes sociais, mas apenas conteria divisões sociais. Daí bastar uma “reforma moral” para resolver a crise.

A noção de crise moral não coloca em xeque a estrutura social. Ela permite representar a sociedade como invadida por contradições e, simultaneamente, tomá-las como um acidente, um desarranjo, pois a harmonia é pressuposta como sendo de direito, reduzindo a crise a uma desordem fatual, provocada por enganos, voluntários ou involuntários, dos agentes sociais, ou por mau funcionamento de certas partes do todo.

Na verdade, a crise moral nomeia os conflitos para melhor ocultá-los.

Discursos autoritários de governos reacionários e ditatoriais sempre privilegiam a noção de crise moral.

Por um lado, ela justifica a desordem social e, por outro, mobiliza a sociedade temerosa de perder sua identidade coletiva, reagindo contra a mudança revolucionária, salvando, assim, a ordem constituída dos riscos a que estava submetida.

Donde ser necessária uma abordagem da questão da corrupção que considere a complexidade e as contradições da sociedade…

Diz um ditado que quando se aponta o dedo para alguém outros três ficam voltados para você.

 

A hipocrisia de quem aponta o dedo

 

Leia sobre isso em:
CHAUÍ, M. Cultura e democracia: o discurso competente e outras falas. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2011.
DA SILVA, A. J. A denúncia profética da corrupção (Salmo 12). Vida Pastoral, São Paulo, n. 141, p. 2-6, 1988.

Isto faz parte de um artigo sobre Jeremias que estou escrevendo nestes dias. E que será publicado na revista Estudos Bíblicos proximamente.

Jeremias: estratégias para lidar com o poder imperial

Aos nossos olhos os textos do livro de Jeremias brotam do passado no contexto da irrupção do império babilônico e podem ser lidos como estratégias para lidar com a inevitabilidade do poder imperial e a experiência do exílio.

The historical context of the book of Jeremiah is that of the Babylonian Empire: the texts in Jeremiah emerged against  the  background  of  a  disrupting  empire and can  be  read  as strategies for coping with the inevitability of imperial power and the experience of exile.

É o que escreve Bob Becking, na resenha de Steed Vernyl DAVIDSON, Empire and Exile: Postcolonial Readings of the Book of Jeremiah. London: Bloomsbury T & T Clark, 2011, publicada na RBL em 20.01.2013.

Resenhas na RBL – 12.06.2015

As seguintes resenhas foram recentemente publicadas pela Review of Biblical Literature:

George Aichele
The Letters of Jude and Second Peter: Paranoia and the Slaves of Christ
Reviewed by Andrew Mbuvi

Warren Carter
Seven Events That Shaped the New Testament World
Reviewed by Richard Johnson

Bruce Chilton
Visions of the Apocalypse: Receptions of John’s Revelation in Western Imagination
Reviewed by Ian Boxall

Louis H. Feldman, James L. Kugel, and Lawrence H. Schiffman, eds.
Outside the Bible: Ancient Jewish Writing Related to Scripture
Reviewed by Igal German

Michael Graves
The Inspiration and Interpretation of Scripture: What the Early Church Can Teach Us
Reviewed by Kenneth D. Litwak

A. Kirk Grayson and Jamie Novotny
The Royal Inscriptions of Sennacherib, King of Assyria (704–681 BC), Part 2
Reviewed by Michael S. Moore

Lowell K. Handy
Psalm 29 through Time and Tradition
Reviewed by Wojciech Wegrzyniak

Franz D. Hubmann; ed. Werner Urbanz
Prophetie an der Grenze: Studien zum Jeremiabuch und zum Corpus Propheticum
Reviewed by Mark E. Biddle

Michael B. Hundley
Keeping Heaven on Earth: Safeguarding the Divine Presence in the Priestly Tabernacle
Reviewed by Nevada L. DeLapp

Craig S. Keener
Acts: An Exegetical Commentary (3:1–14:28)
Reviewed by Joshua L. Mann
Reviewed by Justin A. Mihoc

Amy-Jill Levine
Short Stories by Jesus: The Enigmatic Parables of a Controversial Rabbi
Reviewed by Jessica Tinklenberg

Shelly Matthews
The Acts of the Apostles: Taming the Tongues of Fire
Reviewed by Brian LePort

David Miano
Shadow on the Steps: Time Measurement in Ancient Israel
Reviewed by Trent C. Butler

Heinz-Dieter Neef
Die Prüfung Abrahams: Eine exegetisch-theologische Studie zu Gen 22,1–19
Reviewed by Thomas Hieke

C. Marvin Pate
Apostle of the Last Days: The Life, Letters, and Theology of Paul
Reviewed by James Hanson

Daniel Patte, ed.
The Cambridge Dictionary of Christianity
Reviewed by Valeriy Alikin

Daniel Patte and Vasile Mihoc, eds.
Greek Patristic and Eastern Orthodox Interpretations of Romans
Reviewed by Michael F. Bird

Abraham Sung-Ho Oh
Oh, That You Would Rend the Heavens and Come Down! The Eschatological Theology of Third Isaiah (Isaiah 56–66)
Reviewed by Klaus Koenen

Eric D. Reymond
Qumran Hebrew: An Overview of Orthography, Phonology, and Morphology
Reviewed by Emanuel Tov

Brian C. Small
The Characterization of Jesus in the Book of Hebrews
Reviewed by Felix H. Cortez

Joan E. Taylor, ed.
The Body in Biblical, Christian and Jewish Texts
Reviewed by Joshua Schwartz

Alexander J. M. Wedderburn
The Death of Jesus: Some Reflections on Jesus-Traditions and Paul
Reviewed by Peter Frick

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