A Bíblia serve só para rezar? Novo livro do Cássio

Acabo de receber pelo correio, enviado de Campinas por meu amigo e colega Cássio Murilo Dias da Silva, mais dois livros recém-lançados pela Loyola:

DIAS DA SILVA, C. M. A Bíblia não serve só para rezar. São Paulo: Loyola, 2011, 136 p. – ISBN 9788515038107

CONYBEARE, F. C., STOCK, St. G. (Editado em português por CÁSSIO MURILO DIAS DA SILVA) Gramática do grego da Septuaginta. São Paulo: Loyola, 2011, 104 p. – ISBN 9788515037964

 

Apresento aqui o primeiro. Em outra postagem, o segundo.

– A Bíblia não serve só para rezar!
– Mas então serve para quê?…

Assim começa o prefácio escrito por Cássio. Que, em seguida, explica:

Quem faz este tipo de pergunta após aquela afirmação inicial demonstra que não entendeu o que é afirmado. É claro que a Bíblia serve para rezar; mas não serve  para rezar. O livro em que a Palavra de Deus está escrita e disponível a todos é bem mais do que um livro devocional. Foi o próprio Deus quem assim o quis. Por isso, reduzir a Bíblia a um tesouro de orações, conselhos e provas doutrinais equivale a desprezar o dom das Sagradas Escrituras e, por conseguinte, posicionar-se contra a vontade do autor do dom. É necessário também chamar a atenção para o perigo de crer que, para compreender os textos bíblicos, basta a oração. Não! Só rezar não resolve! Sem negar a ação do Espírito Santo, é necessário dizer: mesmo no caso de textos mais simples, se o leitor confiar unicamente na sua oração para compreendê-los, deixará de colher grande parte da riqueza da Palavra de Deus. Não é difícil perceber que essas duas posturas conduzem a um círculo vicioso: a Bíblia serve para rezar, é necessário rezar para compreender a Bíblia. Ou, em outras palavras, para ler/compreender mais a Bíblia é necessário rezar, e para rezar é necessário ler/compreender mais a Bíblia! Ora, este circulo vicioso demonstra sua caducidade diante de textos complexos que demonstram que a Bíblia é muito mais do que um ramalhete espiritual (…) Este opúsculo tem a finalidade de alargar os horizontes daqueles que amam a Palavra de Deus e sentem a necessidade de aprender mais, para aumentar ainda mais este amor que sentem por ela. Assim, cumpre-se o velho ditado: “amar para conhecer, conhecer para amar”. Outra finalidade é tranquilizar os que não se contentam com a leitura orante da Escritura e sofrem por pelo menos uma das consequências deste descontentamento: não se sentem acolhidos em suas comunidades, têm embutido em suas consciências o medo de questionar o texto sagrado, temem perder a fé, sentem-se os únicos no mundo a pensar o que pensam. Para estes “insatisfeitos”, este livro mostrará como é bom e desejado por Deus levantar voo e ler a Bíblia com olhos mais curiosos e críticos. Enfim, como não poderia deixar de ser, este livro também quer estender a mão para os que olham a Bíblia com desconfiança e até mesmo a desprezam, exatamente porque pensam que a Bíblia seja o que ela não é: um livro que serve só para alimentar a religiosidade de pessoas devotas. Nas páginas a seguir, quem ainda não se interessa pela Bíblia encontrará muitas razões para lhe dar mais atenção… (p. 11-13)

A apresentação do livro, que saiu na Coleção FAJE da Loyola, é feita por Johan Konings, que diz nas p. 9-10:

O exegeta se mostra mestre e pastor, mestre para os estudantes de teologia e pastoral, pastor para os cristãos que querem ler a Bíblia de modo inteligente, valorizando os dons intelectuais que Deus lhes deu (…) O livro se caracteriza, assim, por sua praticidade. Escrito em linguagem muito acessível, sem academicismo obsessivo, será de proveito tanto para seminários e escolas teológicas quanto para grupos de estudo de cristãos leigos, formação de agentes pastorais…

São seis capítulos:
1. Fundamentalismo
2. Inspiração e revelação
3. Uma Bíblia, muitas leituras
4. Não existe receita pronta
5. Leitura litúrgica
6. Leitura catequética
Posfácio [a estrutura tripartida da Verbum Domini] Bibliografia

 

Cássio Murilo Dias da Silva, de Jundiaí, SP, é Doutor em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Lecionou na Faculdade de Teologia da PUC-Campinas e no Mosteiro de São Bento em São Paulo e atualmente [2019] está na PUC-RS. É autor de vários livros e artigos, dentre eles: Aquele que manda a chuva sobre a face da Terra (Loyola); Metodologia de exegese bíblica (Paulinas); Leia a Bíblia como literatura (Loyola). Faz parte do grupo dos Biblistas Mineiros e alguns de seus artigos podem ser lidos na revista Estudos Bíblicos, da Vozes.