Biblistas Mineiros publicam a Estudos Bíblicos 107

Recebi ontem o n. 107 da revista Estudos Bíblicos. É o terceiro número de 2010. Tem 108 páginas. E foi elaborada por nosso grupo dos Biblistas Mineiros. Há um artigo meu sobre Jeremias.

O título do número 107: Em qual lugar? Uma reflexão sobre os “lugares” na Bíblia.

O Editorial, assinado por Telmo José Amaral de Figueiredo, explica que lugar aqui é “compreendido como um produto da experiência humana, significando muito mais que o sentido geográfico de localização. Desse modo, lugar não se refere a objetos e atributos das localizações, mas a tipos de experiência e envolvimento com o mundo, à necessidade que o ser humano tem de possuir raízes e segurança, a situação a partir da qual ele se expressa, se comunica”.

São 7 artigos e uma recensão:
:: Tereza Virgínia Ribeiro Barbosa – Por uma hermenêutica dos tópoi bíblicos
:: Pascal Peuzé – Deus é lugar? Algumas reflexões a partir da Bíblia e da Tradição rabínica
:: Jaldemir Vitório – O lugar do profeta: a fuga não é solução. Uma leitura de 1Rs 19,1-21 – Elias no Horeb
:: Airton José da Silva – Superando obstáculos nas leituras de Jeremias
:: Cássio Murilo Dias da Silva – Universos virtuais bíblicos
:: Neuza Silveira de Souza; Maria de Lourdes Augusta – “O Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9,58): Lugar do encontro com Deus para o discípulo-missionário
:: José Luiz Gonzaga do Prado – Os lugares de Paulo: “Para todos eu me fiz de tudo” (1Cor 9,22)

:: Recensão do livro de MARGUERAT, Daniel (org.) Novo Testamento: história, escritura e teologia. São Paulo: Loyola, 2009, 654 p. – ISBN 9788515036271 – Por Johan Konings.

Resenha da Bíblia Almeida Século XXI

Ney Brasil Pereira, Mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico de Roma e Professor no ITESC, Instituto Teológico de Santa Catarina, em Florianópolis, escreveu uma resenha da Bíblia Sagrada Almeida Século 21. São Paulo: Vida Nova, 2008.

Este resenha foi publicada na REB 70, fascículo 277, de janeiro de 2010, p. 238-244, e, mais recentemente, na Estudos Bíblicos n. 106, 2010/2, p. 85-92.

Para conferir a história, descrição, características, objetivos e colaboradores desta versão da Almeida, clique aqui na página da editora.

Após chamar a atenção para algumas características e novidades da Almeida Século 21, Ney Brasil se detém mais longamente nas introduções a cada livro da Bíblia, dizendo: “parece-me que aí está o calcanhar de Aquiles desta ‘Almeida Século XXI’. Não pelo fato de elas não serem relevantes, mas pela opção tradicionalista, ou fundamentalista, que as caracteriza nas questões de crítica histórica e sob outros aspectos”.

O resenhista sempre cita muitos exemplos daquilo que afirma. Como este: “Se desde o século XVII se questiona, por razões críticas, se Moisés é realmente o autor do Pentateuco, como é que se pode escrever, por exemplo, que ‘é provável que Moisés tenha sido o autor do próprio livro do Gênesis’ (p. 1)?”. E Jonas? “Para o introdutor, o livro de Jonas é ‘biográfico’ (p. 915), não havendo a mínima alusão a um gênero literário diferente…”.

Outro aspecto que Ney Brasil salienta de modo crítico é a opção por uma linguagem não inclusiva, o que, segundo ele, se torna problemático numa tradução atualizada: “Há muito tempo, mas ultimamente cada vez mais, interpelam-se, num auditório, ‘senhoras e senhores’, ‘irmãs e irmãos’, ‘amigas e amigos’. E, pelo menos de uns vinte anos para cá, se fala sempre ‘ser humano’, ou um expressão equivalente, quando a mulher está incluída”. Muitos exemplos ilustram o que foi dito…

Por outro lado, Ney Brasil vai dizer, mais para o final da resenha, que “a tradução atualizada é o ‘carro forte’ desta ‘Almeida Século XXI'”. Terminando com uma constatação e/ou desafio: “Outros leitores atentos deverão ter feito, ou ainda farão, as suas observações e sugestões de melhoria desta edição excepcional. A tradução atualizada e fiel da Bíblia continuará desafiando-nos, justificando assim esta e outras versões do texto sagrado”.