Comentário à Carta aos Romanos por James Dunn

DUNN, J. D. G. Comentário à Carta de Paulo aos Romanos, v. 1 e 2. São Paulo: Paulus/Academia Cristã, 2022, 1661 p. – ISBN 9786555627039.

A magnitude e a robustez da obra Comentário à Carta de Paulo aos Romanos, de autoria de James Dunn, são de tirar o fôlego de qualquer um, seja pela grandeza físicaDUNN, J. D. G. Comentário à Carta de Paulo aos Romanos, Vol. 01 e 02. São Paulo: Paulus/Academia Cristã, 2022, 1661 p. seja pela amplitude e riqueza de seus temas, criteriosa e seriamente abordados.

Trata-se de uma obra referencial para pesquisadores, professores e estudantes de teologia em geral, porém, muito mais para os teólogos bíblicos e, sobretudo, para os paulinos.

A edição em português segue o esquema da obra original em inglês, com sua divisão em dois volumes (I: Romanos 1–8; II: Romanos 9–16).

Dunn consagrou-se como renomado teólogo biblista do Novo Testamento; autor de muitas obras, inclusive com várias traduzidas e publicadas no Brasil. Mas, é neste grande Comentário que se encontra a summa cogitatio auctoris acerca da carta de Paulo aos Romanos, chamada por muitos de a Summa Theologia de Paulo, o “Apóstolo dos gentios” (Rm 11,13).

Sua envergadura, abrangência e seriedade são tão grandes que ela será sempre lembrada e citada, ou seja, sempre terá alguma coisa a dizer e a colaborar em estudos posteriores. Não será possível fazer novos comentários à carta aos Romanos e ignorar este comentário. Pelo contrário, permanecerá sendo sempre um referencial para futuras pesquisas e análises da carta, pois seus insights são gigantescos e lungimirantes.

Prof. Dr. Waldecir Gonzaga Diretor e professor de Teologia Bíblica do Departamento de Teologia da PUC-Rio.

Os magos

EYKEL, E. V. The Magi: Who They Were, How They’ve Been Remembered, and Why They Still Fascinate. Minneapolis: Fortress Press, 2022, 248 p. – ISBN 9781506473734.

George Tyrrell (1861-1909) dizia que a busca pelo Jesus histórico não passava de estudiosos olhando para um poço para ver seus próprios reflexos.EYKEL, E. V. The Magi: Who They Were, How They've Been Remembered, and Why They Still Fascinate. Minneapolis: Fortress Press, 2022 Jesus é a imagem espelhada daqueles que o estudam. Um fenômeno semelhante acompanha a busca dos magos históricos, aqueles viajantes misteriosos que vieram do Oriente, seguindo uma estrela até Belém.

Neste trabalho, o historiador Eric Vanden Eykel ajuda os leitores a entender melhor os magos e os intérpretes antigos e modernos que tentaram estudá-los. Ele mostra como, de meros doze versículos do Evangelho de Mateus, nasceu uma variada e vasta tradição literária e artística. O livro examina o nascimento da história dos magos, seus enriquecimentos, enfeites e expansões na escrita apócrifa e na pregação cristã primitiva, suas expressões artísticas em catacumbas, ícones e pinturas e seu legado moderno em romances, poesia e música.

O livro explora o fascínio que a história dos magos provoca nos leitores antigos e modernos e o que o legado da história dos magos nos diz sobre seus contadores de histórias e sobre nós mesmos.

Eric M. Vanden Eykel é Professor de Estudos Religiosos no Ferrum College, Blue Ridge, Virgínia, USA.

 

George Tyrrell insisted that the quest for the historical Jesus was no more than scholars staring into a well to see their own reflections staring back. Jesus is the mirror image of those who study him. A similar phenomenon accompanies the quest for the historical Magi, those mysterious travelers who came from theEast, following a star to Bethlehem.

Eric M. Vanden Eykel In this work, ancient historian and scholar Eric Vanden Eykel helps readers better understand both the Magi and the ancient and modern interpreters who have tried to study them. He shows how, from a mere twelve verses in the Gospel of Matthew, a varied and vast literary and artistic tradition was born. The Magi examines the birth of the Magi story;its enrichments, embellishments, and expansions in apocryphal writing and early Christian preaching;its artistic expressions in catacombs, icons, and paintings and its modern legacy in novels, poetry, and music.

Throughout, the book explores the fascination the Magi story elicits in both ancient and modern readers and what the legacy of the Magi story tells us about its storytellers–and ourselves.

Eric M. Vanden Eykel is associate professor of religion and the Forrest S. Williams Teaching Chair in the Humanities at Ferrum College. He is the author of But Their Faces Were Looking Up: Author and Reader in the Protoevangelium of James (2016) and is a general editor of the Journal for Interdisciplinary Biblical Studies. He lives in Roanoke, Virginia.

Jesus e o conflito de classes de sua época

CROSSLEY, J.; MYLES, R. J. Jesus: A Life in Class Conflict. Winchester: Zer0 Books, 2023, 304 p. – ISBN 9781803410821.

Ao situar a vida de Jesus de Nazaré na turbulenta Palestina do século primeiro, Crossley e Myles oferecem uma emocionante visão histórico-materialista do JesusCROSSLEY, J.; MYLES, R. J. Jesus: A Life in Class Conflict. London: Zer0 Books, 2023 histórico.

Com uma riqueza de conhecimento sobre os conflitos sociais, econômicos e culturais da época, o livro revela o surgimento de um organizador religioso fervoroso e mortalmente sério cujo movimento social e religioso propôs uma nova ordem mundial promissora governada pelos interesses do campesinato.

O apelo popular do movimento se deveu em parte ao desejo de representar os valores dos trabalhadores rurais comuns, e sua visão significava que os ricos teriam que abrir mão de suas riquezas, enquanto que os pobres teriam uma vida de luxo celestial.

As tensões aumentaram consideravelmente quando o movimento marchou sobre Jerusalém e Jesus foi voluntariamente martirizado pela causa.

Crossley e Myles oferecem um retrato vívido do homem e seu movimento e revelam as condições materiais que contribuíram para que isso acontecesse.

Vídeos sobre o livro podem ser vistos aqui e aqui.

Deste estudo diz NT Wrong em 31.03.2023: “It has been dubbed the best book on the historical Jesus since David Strauss’ Das Leben Jesu”. [Pode ser considerado o melhor livro sobre o Jesus histórico desde Das Leben Jesu, de David Friedrich Strauss, de 1835].

 

‘Precise, clear, accessible, and important. I can think of no better introduction to the historical Jesus for the general reader, no clearer statement on the legacy of the Jesus movement in the sweep of subsequent history, or a more worthy challenge to contemporary scholarship on Jesus and the rise of Christianity.’ Neil Elliott, author of Liberating Paul: The Justice of God and the Politics of the Apostle.

What made the Jesus movement tick? By situating the life of Jesus of Nazareth in the turbulent troubles of first-century Palestine, Crossley and Myles give a thrilling historical-materialist take on the historical Jesus. Delivering a wealth of knowledge on the social, economic, and cultural conflicts of the time, Jesus: A Life in Class Conflict uncovers the emergence of a fervent and deadly serious religious organizer whose social and religious movement offered not only a radical end-time edict of divine reversal and judgment but also a promising new world order ruled in the interests of the peasantry. The movement’s popular appeal was due in part to a desire to represent the values of ordinary rural workers, and its vision meant that the rich would have to give up their wealth, while the poor would be afforded a life of heavenly luxury. Tensions flared up considerably when the movement marched on Jerusalem and Jesus was willingly martyred for the cause. Crossley and Myles offer a vivid portrait of the man and his movement and uncover the material conditions that converged to make it happen.

James Crossley is Professor of Bible and Society at MF Oslo and St Mary’s London, and director of the Centre for the Critical Study of Apocalyptic and Millenarian Movements. He lives in Cumbria, UK.

Robert J. Myles is Senior Lecturer in New Testament at Wollaston Theological College in Perth, Western Australia and the University of Divinity. He lives in Perth, Australia.

Curso Bíblico Popular com José Luiz Gonzaga do Prado

O Padre José Luiz tem um convite para vocês.

Segunda -feira, dia 01 de novembro de 2021, iniciaremos um Curso Bíblico Popular.

Vamos estudar o Livro do Apocalipse.

Nosso encontro será às 19 horas, pela página, no Facebook, Curso Bíblico Popular.

Esperamos vocês com muita alegria e esperança.

Quem é José Luiz Gonzaga do Prado? Veja aqui, aqui e aqui.

Questionando as teorias sobre as origens dos evangelhos sinóticos

Uma resenha feita por Brent Nongbri, MF Norwegian School of Theology, Religion, and Society, merece ser lida. É sobre:

WALSH, R. F. The Origins of Early Christian Literature: Contextualizing the New Testament Within Greco-Roman Literary Culture. Cambridge: Cambridge University Press,WALSH, R. F. The Origins of Early Christian Literature: Contextualizing the New Testament Within Greco-Roman Literary Culture. Cambridge: Cambridge Universiy Press, 2021 2021, 325 p. – ISBN ‎ 9781108835305.

e foi publicada pela Bryn Mawr Classical Review, em 11.09.2021.

Sobre o livro, diz o resumo da editora:

As abordagens convencionais dos evangelhos sinóticos argumentam que os autores dos evangelhos atuaram como porta-vozes letrados de suas comunidades religiosas. Quer sejam descritos como documentando “tradições orais” intragrupo ou preservando as perspectivas coletivas dos seguidores de Jesus de Nazaré, esses escritores são tratados como algo semelhante ao poeta romântico falando por sua comunidade – uma estrutura questionável herdada do romantismo alemão do século XIX. Neste livro, Robyn Faith Walsh argumenta que os evangelhos sinóticos foram escritos por produtores culturais de elite trabalhando dentro de um quadro dinâmico de especialistas letrados, incluindo pessoas que podem ou não ter sido cristãs. Comparando os evangelhos com a literatura antiga, seu estudo inovador demonstra que os evangelhos são obras criativas produzidas por elites cultas interessadas em ensinamentos, práticas e assuntos da Judeia após a Guerra Judaica e em diálogo com a literatura de sua época. O estudo de Walsh, portanto, preenche a divisão artificial entre a pesquisa sobre os evangelhos sinóticos e os clássicos.

 

Por sua vez, na resenha, diz Brent Nongbri:

Apesar do título amplo, este livro trata principalmente dos chamados evangelhos sinóticos – os evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas. Walsh procura recontextualizar essas obras deixando de lado o modelo interpretativo comum (“míope” e “idiossincrático”) que as vê principalmente como produtos das primeiras comunidades cristãs e como fontes potenciais de informação sobre essas comunidades. Em vez disso, Walsh tenta “entender os evangelhos como literatura antiga ‘normal’ produzida por membros cultos da elite da sociedade greco-romana” (13). O projeto é pensado como “uma abordagem a esses escritos e à história que coloca em primeiro plano dados concretos sem apelar para suposições herdadas” (15).

(…)

O livro é interessante na medida em que questiona vários pressupostos profundamente arraigados e conhecidos objetivos tradicionais da pesquisa exegética sobre os evangelhos, quando, por exemplo, diz a autora: pare de pesquisar as primeiras tradições orais sobre Jesus; desista da ideia de “comunidades” associadas aos evangelhos; considere a possibilidade dos evangelhos terem sido escritos por e/ou para não-cristãos. No entanto, essa enorme quantidade de questionamentos também confere ao livro uma qualidade desigual. Todas esses pressupostos podem precisar ser derrubados, mas fazê-lo simultaneamente deixa pouco espaço para uma argumentação detalhada.

(…)

Mesmo que eu não esteja convencido sobre alguns dos argumentos de Walsh sobre autoria e cultura do livro na antiguidade romana, esses capítulos são uma leitura estimulante. O livro é altamente provocante e deve suscitar debates acalorados entre os estudiosos do Novo Testamento.

Robyn Faith Walsh é professora da Universidade de Miami.

Até aqui o livro e a resenha. Quero observar que vejo este tipo de empreendimento – o do livro, claro – com muita suspeita. Vejo uma possível tentativa, talvez mais inconsciente do que planejada, de, mais uma vez, cooptar a mensagem evangélica de Jesus de Nazaré. Como? Deslegitimando-a como expressão de comunidades formadas por pessoas oprimidas e marginalizadas que anseiam por libertação e transferindo-a para os círculos da elite do poder central do Império Romano que, na verdade, se diverte, e muito, observando o sofrimento dos outros como apenas mais um espetáculo macabro. Vigilância hermenêutica nunca é demais.

 

The Book:

Robyn Faith WalshConventional approaches to the Synoptic gospels argue that the gospel authors acted as literate spokespersons for their religious communities. Whether described as documenting intra-group ‘oral traditions’ or preserving the collective perspectives of their fellow Christ-followers, these writers are treated as something akin to the Romantic poet speaking for their Volk – a questionable framework inherited from nineteenth-century German Romanticism. In this book, Robyn Faith Walsh argues that the Synoptic gospels were written by elite cultural producers working within a dynamic cadre of literate specialists, including persons who may or may not have been professed Christians. Comparing a range of ancient literature, her ground-breaking study demonstrates that the gospels are creative works produced by educated elites interested in Judean teachings, practices, and paradoxographical subjects in the aftermath of the Jewish War and in dialogue with the literature of their age. Walsh’s study thus bridges the artificial divide between research on the Synoptic gospels and Classics.

The Review:

Despite its broad title, this book is primarily about the so-called synoptic gospels—the gospels according to Matthew, Mark, and Luke. Walsh seeks to recontextualize these works by setting aside the common (“myopic” and “idiosyncratic”) interpretive model that views them chiefly as products of early Christian communities and as potential sources of information about such communities. Walsh attempts instead to “understand the gospels as ‘normal’ ancient literature produced by educated, elite members of Greco-Roman society” (13). The project is framed as “an approach to these writings and history that foregrounds concrete data without appealing to inherited assumptions” (15).

(…)

The book has a refreshing edge in that it challenges so many deeply held assumptions and traditional goals of scholarship on the gospels (stop the search for early oral traditions about Jesus; give up the idea of “communities” associated with the gospels; entertain the possibility that the gospels were written by and/or for non-Christians). Yet, that breadth of interest also gives the book an uneven quality. All of these gauntlets may need to be thrown down, but doing so simultaneously leaves little space for detailed argumentation.

(…)

Even if I am unpersuaded by some of Walsh’s arguments about authorship and book culture in Roman antiquity, these chapters make for stimulating reading. The book is highly provocative and should elicit spirited debate among New Testament scholars.

 

Robyn Faith Walsh is an Associate Professor at the University of Miami (UM).

O que é compaixão, segundo os evangelhos?

O verbo σπλαγχνίζομαι (splanchnízomai) traduz a ideia de ser movido de compaixão, comover-se, uma emoção muito forte, pois tem o significado de sentir com as entranhas. Em o Novo Testamento este verbo é usado somente nos evangelhos.σπλαγχνίζομαι (splanchnízomai) traduz a ideia de ser movido de compaixão, comover-se

O substantivo σπλάγχνα (splánchna), no plural, tem suas origens ainda no grego clássico, quando era empregado para indicar as partes da vítima que eram oferecidas em sacrifício aos deuses. O termo referia-se às partes consideradas mais nobres dos animais: fígado, coração, rins e pulmões. Usava-se também σπλάγχνα (splánchna) para designar os órgãos sexuais masculinos e o útero ou ventre materno como locais dos poderes da concepção e do nascimento.

Porém, σπλάγχνα (splánchna) podia ser usado em sentido metafórico, representando a sede das paixões, ou seja, o lugar dos desejos incontroláveis e dos sentimentos, podendo significar compaixão ou amor. Mas não foi no grego clássico, e sim no judaísmo tardio que o termo passou a expressar a atitude de ter misericórdia, sentir dó, ter compaixão, como sentimentos provenientes do coração.

Para conhecer mais sobre isso, recomendo a leitura de:

:. PERONDI, I. Presenças do verbo mover-se de compaixão (σπλαγχνίζομαι) nos evangelhos sinóticos. Atualidade Teológica, Rio de Janeiro, v. 46, p. 162-173, jan./abr. 2014 (download em pdf)

O objetivo da presente pesquisa é analisar a presença do verbo σπλαγχνίζομαι (splanchnízomai): “mover-se, ser movido de compaixão, comover-se” nos evangelhos sinóticos. Será feita uma breve investigação desde o uso no grego clássico, na LXX e outros escritos pré-cristãos para identificar a evolução do seu sentido primitivo até o uso exclusivamente teológico caracterizando ações compassivas narradas nos Evangelhos sinóticos. E uma análise comparativa ressaltando as semelhanças e diferenças entre o uso do verbo nos evangelhos de Marcos e Mateus em comparação com o evangelho de Lucas.

:. PERONDI, I.; CATENASSI, F. Z. Misericórdia, compaixão e amor: o rosto de Deus no Evangelho de Lucas. Cadernos Teologia Pública, v. 13, n. 118, 2016 (download em pdf)

rahamîm = misericórdia, derivada de rehem = úteroLucas, o autor do terceiro Evangelho, é um escritor habilidoso. Em sua narrativa, revela a salvação em Jesus, passando por traços do rosto de Deus, desenhados na misericórdia, compaixão e amor. Nessa edição dos Cadernos Teologia Pública, objetivamos oferecer um estudo da misericórdia no Evangelho de Lucas. Passamos pela análise do uso dos termos no campo semântico da misericórdia e compaixão pelo terceiro evangelista, para seguir com o estudo de passagens e temas específicos: os evangelhos da infância, o uso intencional da expressão “mover-se de compaixão”, as parábolas de misericórdia. Finalmente, mostramos no Evangelho de Lucas a preferência de Jesus pelos pequenos, o papel privilegiado das mulheres e os grandes perdões que marcam o relato, especialmente o do malfeitor arrependido na cruz. Ao final, a misericórdia é identificada no terceiro Evangelho como programa de vida, que deve fundamentar a prática das comunidades cristãs. Lucas nos ensina que a forma mais justa de enxergar a história é pela misericórdia.

:. Bíblia: misericórdia e compaixão. Estudos Bíblicos, Petrópolis, v. 33, n. 130, abr/jun 2016.

Muito se pode refletir e dizer sobre a misericórdia e compaixão de Deus. Neste número podemos contar com a diversidade de colaboradores que escrevem sobre o tema tanto a partir do Antigo como do Novo Testamento.

:. Carta Encíclica Fratelli Tutti do Papa Francisco sobre a fraternidade e a amizade social – 3 de outubro de 2020.

1. «FRATELLI TUTTI»: escrevia São Francisco de Assis, dirigindo-se a seus irmãos e irmãs para lhes propor uma forma de vida com sabor a Evangelho. Destes conselhos, quero destacar o convite a um amor que ultrapassa as barreiras da geografia e do espaço; nele declara feliz quem ama o outro, «o seu irmão, tanto quando está longe, como quando está junto de si». Com poucas e simples palavras, explicou o essencial duma fraternidade aberta, que permite reconhecer, valorizar e amar todas as pessoas independentemente da sua proximidade física, do ponto da terra onde cada uma nasceu ou habita.

2. Este Santo do amor fraterno, da simplicidade e da alegria, que me inspirou a escrever a encíclica Laudato si’, volta a inspirar-me para dedicar esta nova encíclica à Misericórdiafraternidade e à amizade social. Com efeito, São Francisco, que se sentia irmão do sol, do mar e do vento, sentia-se ainda mais unido aos que eram da sua própria carne. Semeou paz por toda a parte e andou junto dos pobres, abandonados, doentes, descartados, dos últimos.

:. DA SILVA, A. J. Praticar a solidariedade: observações sobre hesedh na Bíblia Hebraica. Post publicado no Observatório Bíblico em 30.06.2020.

Despertar, espalhar, estimular, multiplicar, praticar, promover, provocar, reforçar, resgatar a solidariedade. Estas são algumas das expressões recolhidas em uma busca no Google por “solidariedade na pandemia”, uma referência às ações solidárias desejadas ou executadas durante a pandemia da covid-19 em 2020. Pois você sabia que no Antigo Testamento existe, em hebraico, um conceito semelhante a solidariedade? É hesedh. Vamos aprender mais sobre ele.

Mês da Bíblia 2021 na Vida Pastoral

Vida Pastoral n. 341, setembro-outubro de 2021

O texto escolhido para o Mês da Bíblia deste ano, a carta aos Gálatas, é uma espécie de manifesto da liberdade cristã.Vida Pastoral n. 341, setembro-outubro de 2021

O professor Shigeyuki Nakanose e a professora Maria Antônia Marques, em seu artigo, consideram a carta como o Evangelho de Jesus crucificado; destacam suas características principais, a força da escrita, a teologia, a estrutura literária e os interlocutores do apóstolo.

O professor Joel Antônio Ferreira, por sua vez, discorre sobre a carta com base no “hino batismal” (Gl 3,26-28), como chave de leitura para entender esse escrito paulino, seu ardor bíblico e a unidade em Cristo, que tem como fim a comunhão fraterna.

Com o tema “A liberdade cristã e os conflitos nas comunidades”, o professor Rafael Rodrigues da Silva faz uma leitura de Gálatas à luz das dificuldades, enfatizando o papel do apóstolo Paulo na condução e orientação da comunidade para esta não perder de vista o verdadeiro Evangelho e não se deixar enredar pelas armadilhas do “outro Evangelho”, aquele ainda preso à Lei.

Além disso, a Ir. Maria Aparecida Barboza escreve sobre a história da caminhada bíblica no Brasil e seus momentos marcantes, considerando os 50 anos de realização do Mês da Bíblia, importante iniciativa da Igreja, com o objetivo e o esforço permanentes de colocar a Palavra de Deus nas mãos e no coração do povo brasileiro. De fato, a caminhada bíblica, especialmente iluminada pelo Concílio Vaticano II, tem a missão de formar pessoas e animá-las biblicamente.

Artigos

:. Da Pastoral bíblica à animação bíblica da pastoral. 50 anos do mês da Bíblia no Brasil

:. O Evangelho de Jesus Cristo crucificado: Entendendo a carta aos Gálatas

:. O hino batismal (Gl 3,26-28): Chave para a leitura da Carta aos Gálatas

:. A liberdade cristã e os conflitos nas comunidades

Leia online ou baixe a revista em pdf.

Mês da Bíblia 2021: lendo a carta aos Gálatas

O tema do Mês da Bíblia 2021 é a Carta aos Gálatas e o lema: “pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). Indico alguns subsídios para a leitura da carta aos Gálatas.

CENTRO BÍBLICO VERBO, O Evangelho de Jesus Cristo Crucificado: É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1) – Entendendo a carta aos Gálatas. São Paulo: Paulus, 2021, 144 p. – ISBN 9786555622447.CENTRO BÍBLICO VERBO, O Evangelho de Jesus Cristo Crucificado: É para a liberdade que Cristo nos libertou (Gl 5,1) - Entendendo a carta aos Gálatas. São Paulo: Paulus, 2021

Além do evangelho do imperador romano, Paulo enfrenta “outro evangelho” (Gl 1,7), baseado na observância da lei da pureza, que justifica a segregação nas comunidades gálatas. Ele prega o “verdadeiro evangelho” (Gl 2,5), fundamentado na justiça que vem da fé no amor e na graça de Jesus Cristo crucificado (Gl 5,1-12), construindo a união das pessoas sem as barreiras étnica, social e de gênero (Gl 3,28).

 

MESTERS, C.; OROFINO, F. Carta de São Paulo aos Gálatas: “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). São Leopoldo: CEBI, 2021, 47 p. – ISBN 9786586739138.

MESTERS, C.; OROFINO, F. Carta de São Paulo aos Gálatas: “Pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). São Leopoldo: CEBI, 2021Paulo dirige sua carta para as Igrejas da Galácia. A carta foi escrita durante a terceira viagem de trabalhos da Equipe Missionária. Nesta carta Paulo revela uma profunda indignação com o que ele ouvia dizer a respeito dos conflitos dentro das comunidades da Galácia, bem como das fofocas que faziam a respeito do seu trabalho e da sua vida pessoal. Lendo a carta aos gálatas, percebemos algumas dificuldades com a linguagem usada por Paulo. É que a carta aos gálatas não é uma carta pastoral, tratando de problemas internos de uma comunidade. Ao escrever aos gálatas, Paulo começa a organizar e a sistematizar seu pensamento teológico. Ao escrever orientações para as comunidades a partir dos conflitos surgidos com as diferentes propostas de evangelização, Paulo vai se revelar como o primeiro teólogo do Cristianismo nascente.

 

SAB, Mês da Bíblia 2021: Carta aos Gálatas – Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). São Paulo: Paulinas, 2021, 80 p. – ISBN 9786558080404.

Neste ano, o tema do “Mês da Bíblia” é a Carta de Paulo aos Gálatas e o lema é “Todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d), extraídoSAB, Mês da Bíblia 2021: Carta aos Gálatas - Todos vós sois um só em Cristo Jesus" (Gl 3,28d). São Paulo: Paulinas, 2021 do “hino batismal”, descrito em Gl 3,26-28, quando Paulo afirma que todos são filhos e filhas de Deus. Portanto, pelo Batismo, as divisões foram superadas e, dessa forma, “não há mais judeu ou grego, nem escravo ou livre, nem macho ou fêmea”, pois somos um em Cristo Jesus. Acreditamos que o aprofundamento da Carta aos Gálatas será uma linda forma de celebrar os 50 anos da realização do “Mês da Bíblia”.

 

SILVANO, Z. A. Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós (Gl 4,19). São Paulo, Paulinas, 2021, 248 p. – ISBN 9786558080510.

SILVANO, Z. A. Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós (Gl 4,19). São Paulo, Paulinas, 2021Ao mergulharmos no estudo da Carta aos Gálatas nos deparamos com a convicção paulina de que a fé consiste em se deixar envolver pela grandeza do amor de Deus revelado no Messias Jesus e que exige de nós uma adesão consciente, que é expressa no Batismo, pelo qual fazemos a experiência de participarmos do mistério pascal e sermos unidas/os a Cristo. Pelo batismo, recebemos também o Espírito Santo (Gl 4,6-7), que faz morada em nosso coração e constantemente pronuncia dentro de nós a oração do Filho Encarnado: “Abba, ó Pai”. É Ele que nos conscientiza de que somos filhas/os no Filho, pertencemos à família de Deus, e nos convoca a assumirmos nossa missão de proclamar o Evangelho. Que ao aprofundarmos os ensinamentos de Paulo, possamos ter a ousadia de anunciar o amor de Deus revelado no Messias Jesus, humanizar nossas relações, “até que Cristo seja formado em nós”.

Leia Mais:
Vem aí o mês da Bíblia, em 2021, com a Carta aos Gálatas – Por Gilvander Moreira – IHU: 07 Julho 2021
Live de lançamento do livro: “Carta aos Gálatas: até que Cristo se forme em nós” (Gl 4,19) – 22 junho de 2021
Enquetes Bíblicas: Qual carta de Paulo é a sua preferida?

Semana Bíblica Nacional de 7 a 10 de junho de 2021

Semana Bíblica Nacional, de 7 a 10 de junho, marcará o início da celebração do jubileu de ouro do Mês da Bíblia

A Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) promoverá, nos dias 7 a 10 de junho, a Semana Bíblica Nacional. O Semana Bíblica Nacional de 7 a 10 de junho de 2021evento, em modalidade virtual, marca o início da celebração do jubileu de ouro do Mês da Bíblia.

Padre Jânison de Sá, assessor da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, explica que a proposta da Semana Bíblica é a de ser formativa e, ao mesmo tempo celebrativa, pelo fato de a Igreja no Brasil estar comemorando os 50 anos do Mês da Bíblia em 2021. “Um marco muito importante na história da Igreja no Brasil, onde os círculos bíblicos se espalharam em todas as comunidades do nosso imenso país”, afirma o padre.

Vale lembrar que, para esse jubileu do “Mês da Bíblia”, em 2021, o tema escolhido é a Carta de São Paulo aos Gálatas e o lema é “todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d), extraído do “hino batismal”, descrito em Gl 3,26-28, quando Paulo afirma que todos são filhos e filhas de Deus. O tema e o lema estão em sintonia com o evangelho do Domingo da Palavra de Deus, que é extraído de Mc 1,14-20, quando Jesus inicia a sua missão, após a prisão de João Batista.

Padre Jânison salienta que, em sintonia com o Mês da Bíblia, a Semana Bíblica fará em sua abertura uma memória desses 50 anos “tão importantes para as novas gerações, para que se possa conhecer essa caminhada de animação bíblica, dos círculos bíblicos, de grupos de reflexão em todas as comunidades do país”.

 

Programação

:: Dia 7 de junho 2021

Irmã Izabel Patuzzo, assessora da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética, explica que na abertura da Semana Bíblica, no dia 7, haverá uma mesa redonda com a participação de dom José Antônio Peruzzo, presidente da Comissão; dom Jacinto Bergmann; a irmã Zuleica Silvano (Paulina); o irmão José Nery (Lassalista) e o padre Jânison de Sá Santos.

:: Dia 8 de junho 2021

Na segunda noite, dia 8, será apresentado o tema do Mês da Bíblia para o ano de 2021, com o autor do texto-base, o professor Joel Antônio Ferreira.

:: Dia 9 de junho 2021

O tema do dia 9 será a missão de Paulo Apóstolo com a participação da irmã Aíla Pinheiro, da Congregação Nova Jerusalém, e o padre Benedito Antônio Bueno de Almeida (Paulino).

:: Dia 10 de junho de 2021

O tema do último dia, 10, será a importância dos círculos bíblicos no Mês da Bíblia na perspectiva da Carta aos Gálatas, com a participação do professor Cláudio Vianney Malzoni; Mariana Aparecida Venâncio e o padre João Batista Maroni.

A Semana Bíblica poderá ser acompanhada pelas redes sociais da CNBB (@cnbbnacional); Edições CNBB (cnbbedicoes) e no canal da Catequese do Brasil (catequesedobrasil).

Fonte: Animação Bíblico-Catequética da CNBB – 03/06/2021

Mês da Bíblia 2021: Carta aos Gálatas

O tema do Mês da Bíblia 2021 é a Carta aos Gálatas e o lema: “pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d).

Edições CNBB lança o texto-base e os encontros bíblicos para o Mês da Bíblia 2021

A Edições CNBB acaba de publicar o texto-base e os encontros bíblicos para o Mês da Bíblia deste ano, cujo tema é a Carta de São Paulo Apóstolo aos Gálatas e o lema: Mês da Bíblia 2021: Carta aos Gálatas“pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,28d). Encaminhados pela Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os dois subsídios têm o objetivo de auxiliar as comunidades e paróquias no aprofundamento bíblico, na preparação e vivência do Mês da Bíblia 2021.

Na apresentação do texto-base, o arcebispo de Curitiba (PR), presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Animação Bíblico-Catequética da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dom José Antônio Peruzzo, diz que se “o leitor ou leitora se mantiver atento, ser-lhe-á possível encantar-se com a sua Igreja. Verá que problemas nunca faltaram. E que belas experiências de fé sempre se multiplicaram”.

 

Conheça o autor e o caminho percorrido no texto-base

O professor titular de Ciências da Religião na Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC), autor do texto-base, Joel Ferreira, falou com o portal da CNBB sobre a publicação.

Segundo ele, a Carta aos Gálatas, além dos fortes traços teológicos e doutrinais, é uma das melhores reflexões bíblicas sobre a liberdade humana e a força libertadora da fé em Jesus Cristo. A partir do Batismo e do revestimento de Cristo, todos somos “filhos de Deus” em unidade.

Ele explica que a Carta aos Gálatas aborda especialmente dois temas. O primeiro é o conflito no início do cristianismo que envolvia judeu-cristãos e gentio-cristãos. “Os judeus convertidos ao cristianismo queriam que os gentios guardassem duas leis: a da circuncisão e a do puro/impuro”, explica.

 

Uma só unidade em Jesus Cristo

De acordo com o especialista em Sagrada Escritura, essas leis vinham da cultura e dos costumes judaicos. Ele conta que o apóstolo Paulo ficou do lado dos gentios e enfrentou as lideranças da Igreja para que os gentios fossem cristãos livres das amarras judaicas.

“Isso foi resolvido num encontro em Jerusalém, onde Pedro, Tiago e João ouviram a Paulo, Barnabé e Tito e entraram num acordo para que os dois grupos se respeitassem e entendessem a liberdade em Cristo. O importante era terem a unidade”, disse.

O segundo tema refere-se a um “Hino Batismal” transcrito por Paulo, conhecido por outros grupos dos cristianismos originários. “Nesse Hino se diz que todos os cristãos são filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo, porque todos foram batizados e se vestiram de Cristo. Então, são colocadas três assertivas: a) não há judeu nem grego; b) não há escravo nem livre; c) não há homem e mulher; pois todos são UM só em Cristo Jesus (Gl 3,26-28)”, explica.

De acordo com o professor, essas três afirmativas serão o foco mais forte do mês da Bíblia porque abordam, dentro das comunidades, as questões de etnias (raças) e religiões, o problema das contradições sociais e, por fim, a questões relacionadas às mulheres. “A proposta do mês da Bíblia é que as comunidades possam superar as contradições porque todos formam uma só (unidade) em Jesus Cristo”, apontou.

O texto-base e os encontros bíblicos sobre a Carta aos Gálatas, subsídios preparatórios ao Mês da Bíblia 2021, podem ser encontrados no site da Edições CNBB.

Fonte: Animação Bíblico-Catequética da CNBB – 29/04/2021