Praticar a solidariedade: observações sobre hesedh na Bíblia Hebraica

“Seres humanos são seres coletivos que se identificam com a mesma condição diante de crises agudas que ameaçam nossa existência” (Cris Fernández Andrada, psicóloga, PUC-SP – 10/4/2020).

“Este momento de pandemia mobilizou o surgimento, por todos os cantos do planeta, de movimentos empáticos e de cuidados com o outro (…) Nessas circunstâncias, diante da tristeza, da solidão, da angústia, da depressão, em vez de um maior fechamento e adoecimento, como seria de se esperar, pode ocorrer o contrário, quando a pessoa descobre em si a capacidade de dar uma resposta insubstituível ao chamado que a vida lhe faz. Evidencia-se a responsabilidade com todos aqueles da comunidade humana à qual pertencemos” (Maria Clara Jost de Moraes Vilela, psicóloga da TIP Clínica e Professora da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – FCMMG, Belo Horizonte, MG – 26/04/2020).

“O comportamento pró-social [que inclui a disposição em ajudar no caso de crises como a atual] tem muitas facetas e cada pessoa tem seu próprio repertório. Todos somos às vezes muito egoístas. E às vezes somos muito justos, cooperativos e pró-sociais (…) O primeiro pensamento que vem à cabeça quando estamos prontos para ajudar é: queremos reduzir o sofrimento de outra pessoa e deixá-la em uma situação melhor. É o que chamamos de motivação altruísta [intenção de fazer o bem ao próximo] (…) Ajudar e ser generoso também beneficia a própria pessoa que ajuda (…) Quanto mais frequentemente mostramos um comportamento pró-social e percebemos como isso é bom – seja na sociedade, seja no nosso círculo de amigos, seja no nível pessoal –, mais repetiremos esse comportamento” (Anne Böckler-Raettig, psicóloga, Universidade de Würzburg, Alemanha – 1/4/2020).

Despertar a solidariedadeHesedh - solidariedade

Espalhar a solidariedade

Estimular a solidariedade

Multiplicar a solidariedade

Praticar a solidariedade

Promover a solidariedade

Provocar a solidariedade

Reforçar a solidariedade

Resgatar a solidariedade

Despertar, espalhar, estimular, multiplicar, praticar, promover, provocar, reforçar, resgatar a solidariedade.

Estas são algumas das expressões recolhidas em uma busca no Google por “solidariedade na pandemia”, uma referência às ações solidárias desejadas ou executadas durante a pandemia da covid-19 em 2020.

Na fala de uma das psicólogas citadas acima, aparece a expressão “movimentos empáticos”. O Instituto de Psicologia Aplicada (Inpa), de Brasília, DF, explica que há três tipos de empatia:

1. Cognitiva: capacidade de entender como o outro sente e, até mesmo, o que ele está pensando

2. Emocional ou afetiva: capacidade de compartilhar os mesmos sentimentos de outro indivíduo. Há pessoas que sentem de forma tão forte que descrevem que podem, até, “sentir” a dor do outro no coração

3. Compassiva: vai além de compreender e compartilhar sentimentos. Nesse tipo, a pessoa age e ajuda os outros o quanto pode.

 

Pois você sabia que no Antigo Testamento existe, em hebraico, um conceito semelhante a solidariedade?

Em um vocabulário no final de meu livro A Voz Necessária: encontro com os profetas do século VIII a.C., Paulus, 1998, escrevi:

Solidariedade, em hebraico hesedh, é uma relação que se cria entre duas partes que estabelecem um acordo mútuo, uma aliança (berîth).Hesedh - solidariedade

É por isso que hesedh pode ser entendida como amor, benevolência, solidariedade. Pode ser uma relação que acontece entre parentes, amigos, hospedeiros e hóspedes ou entre dois grupos tribais diferentes que fazem um pacto.

Hesedh é também a relação que se estabelece entre Iahweh e Israel a partir da aliança. É a fidelidade do homem ao pacto, mas é também a benevolência de Deus em favor de seu povo.

Hesedh aparece nos profetas, às vezes, ao lado de mishpât (direito) e de tsedhâqâh (justiça), para expressar a vivência do javismo dentro do ideal da aliança. Como em Os 2,21;10,12;12,7 ou Jr 9,23;31,3.

As bíblias em português traduzem hesedh de diferentes maneiras. A Bíblia de Jerusalém, edição de 2002, escolheu traduzi-la como “amor”. Hesedh aparece 250 vezes na Bíblia Hebraica.

KIRST, N. et alii Dicionário Hebraico-Português e Aramaico-Português. 31. ed. São Leopoldo/Petrópolis: Sinodal/Vozes, 2016, traz os seguintes equivalentes para o verbete hesedh: solidariedade, lealdade, amizade, comprometimento; fidelidade, bondade, favor, benevolência; piedade.

Pois é. Nestes dias melhorei um pouco minha compreensão de hesedh ao ler o seguinte artigo:

ZIEGERT, C. What is ‫חסד‬? A frame-semantic approach. Journal for the Study of the Old Testament, vol. 44.4, p. 711-732, 2020.

Um dos principais resultados desta investigação de Carsten Ziegert é a percepção de que hesedh indica uma ação concreta, e não apenas uma intenção, um propósito, uma disposição. Hesedh pode ser descrita como uma ação executada por uma pessoa em benefício de outra para evitar algum perigo ou prejuízo crítico por parte do beneficiário.

Carsten Ziegert – Freie Theologische Hochschule Giessen, Alemanha – começa seu artigo avaliando as definições de hesedh em três conhecidos dicionários de hebraico:

:. The Brown-Driver-Briggs Hebrew and English Lexicon (BDB), por Francis Brown, Samuel Rolles Driver e Charles Augustus Briggs: 1906.
Journal for the Study of the Old Testament, vol. 44.4. June 2020
:. The Hebrew and Aramaic Lexicon of the Old Testament (HALOT), por Koehler & Baumgartner: 2001.

:. The Dictionary of Classical Hebrew (DCH), por David J. A. Clines: 2011.

Segundo o autor, o substantivo hesedh foi submetido a um intenso estudo lexicográfico. Isso pode ser devido ao fato de que as entradas dos dicionários nem sempre são tão convincentes quanto deveriam.

Por exemplo, o BDB fornece uma lista bastante elaborada de potenciais equivalentes, enquanto a entrada no HALOT está estruturada de maneira semelhante, ao passo que a entrada no DCH merece mais consideração [veja as entradas, em inglês, mais abaixo].

Desde a época de Wilhelm Gesenius (1786-1842), a LXX é considerada uma fonte importante para investigar o significado dos lexemas hebraicos. Infelizmente, no caso de חסד, a LXX nos apresenta um equivalente-padrão bastante inesperado, ἔλεος, que lenta mas seguramente se desenvolveu durante a tradução do Pentateuco. Entretanto, segundo o autor, a diferença de significado entre חסד e ἔλεος é óbvia e não ajuda.

Em cada uma das entradas dos três dicionários mencionados, falta uma definição concisa do que realmente hesedh indica. O que os usuários do dicionário estão procurando, ou deveriam procurar, não é apenas uma lista de possíveis equivalentes na sua língua, mas também uma definição, ou seja, um texto breve que explica a denotação do lexema em questão. O restante deste artigo procura preencher essa lacuna. Primeiro, examinarei brevemente a história da pesquisa sobre o lexema em questão (seção 2). Posteriormente, apresentarei uma nova metodologia, que (seção 3) passarei a aplicar (seção 4). Por fim, considerarei as perspectivas de novas pesquisas (seção 5).

Em seguida, o autor apresenta quatro estudos sobre hesedh, dois em alemão e dois em inglês, respectivamente, de 1927, 1950, 1978, 1993. Cobrem, praticamente, todo o século XX. Por que estes quatro? Porque tiveram influência na pesquisa posterior sobre hesedh. São eles:

:. Nelson Glueck, Das Wort »ḥesed« im alttestamentlichen Sprachgebrauche als menschliche und göttliche gemeinschaftsgemäße Verhaltungsweise. Gießen: Töpelmann, 1927.

:. Hans Joachim Stoebe, Gottes hingebende Güte und Treue. häsäd wä’ämät. Teil 1. Bedeutung und Geschichte des Begriffes häsäd. Tese de doutorado não publicada. Münster, 1950.

:. Katharine Doob Sakenfeld, The Meaning of »Hesed« in the Hebrew Bible: A New Inquiry. Missoula: Scholars Press, 1978.

:. Gordon R. Clark, The Word »Hesed« in the Hebrew Bible. Sheffield: Sheffield Acadmic Press, 1993.

Dou como exemplo a apresentação do primeiro estudo, o de Nelson Glueck:

O primeiro pesquisador que dedicou um extenso estudo a hesedh foi Nelson Glueck. Em sua investigação em três partes, ele consistentemente distinguiu entre o significado secular, religioso e teológico do lexema. Esta distinção influenciou claramente a estrutura da entrada no DCH. Segundo Glueck, o significado secular do lexema hesedh denota conduta entre seres humanos, baseada em uma relação mútua de direitos e deveres, por exemplo, entre parentes, amigos, aliados, anfitrião e hóspede, governante e sujeito. Esse significado tem muito em comum com o conceito de uma aliança, uma berîth, e pode ser descrito como “lealdade”. Sem dúvida, essa hipótese influenciou fortemente a entrada no HALOT. O significado religioso de hesedh, que ocorre principalmente na literatura profética, amplia o significado secular na medida em que descreve a interação entre todos os seres humanos. Isso é desejado por Deus, e sua realização pode ser chamada hesedh em relação a Deus. Mais uma vez, hesedh denota conduta no contexto de uma obrigação para com a comunidade. Finalmente, o significado teológico do lexema descreve as ações de Deus em relação aos seres humanos, incluindo perdão e salvação. Estes são motivados por uma obrigação para com a comunidade de acordo com a aliança. A abordagem de Glueck teve um impacto não apenas nos dicionários de hebraico bíblico, mas também em monografias mais recentes sobre o assunto.

No entanto, ele mostra também os limites de cada um dos estudos, para concluir:

Os estudos acima mencionados apresentam uma série de observações exegéticas úteis. No que diz respeito a hesedh, entretanto, nenhum deles dá uma definição clara e concisa do que realmente é o significado do lexema. Investigar um “significado secular” presuntivo, isto é, limitar-se a olhar textos apenas com atores humanos, distinguindo-se assim o uso “religioso” ou “teológico” parece ser um bom ponto de partida. No entanto, as falhas metodológicas mencionadas acima exigem uma abordagem linguística sólida que será apresentada na seção a seguir deste artigo.

 

E ele passa, então, a trabalhar a partir da noção da Semântica de Frames da linguística cognitiva.Mishpât - direito

O que é a Semântica de Frames?

“A Semântica de Frames preconiza que o significado das palavras é ancorado nas experiências e instituições humanas. Assim, considera o contexto e os fatores culturais em que as ações ocorrem para descrição das estruturas cognitivas envolvidas em um evento. De acordo com Moreira e Salomão (2012, p. 491), frames são ‘[…] estruturas conceituais estabelecidas na memória permanente, frutos de nossa interação com o mundo e da consolidação de nossa experiência diária’. Dessa forma, pode-se dizer que se trata de uma teoria que considera as experiências vividas pelos indivíduos e o seu reflexo nos processos de interpretação de um modo geral, razão pela qual o contexto em que um evento ocorre é fundamental para a compreensão do seu sentido correto ou mais adequado. É preciso lembrar que considerar as experiências dos indivíduos implica aceitar que o contexto social e cultural vai interferir em sua interpretação de mundo e na forma como eles compreendem o significado das palavras – dito de outra forma, significa considerar o conhecimento enciclopédico dos falantes em relação às palavras e ao sentido que elas evocam. Por isso, um mesmo evento pode ser interpretado de forma diferente por pessoas de contextos sociais e culturais diferentes”, explicam Krebs, L. M.; Laipelt, R. C. F. Teorias da linguística cognitiva para pensar a categorização no âmbito da ciência da informação. Transinformação, v. 30, n. 1, p. 86, 2018.

Carsten Ziegert explica que nas duas últimas décadas estamos vendo uma influência crescente da linguística cognitiva nos estudos bíblicos. Os estudiosos da Bíblia estão se tornando cada vez mais conscientes de que o paradigma do estruturalismo linguístico, vigorosamente defendido por James Barr na década de 1960, não pode abarcar completamente toda a complexidade que vem à tona quando alguém está tentando entender o significado dos textos bíblicos. Mesmo palavras individuais não podem ser entendidas sem levar em consideração aspectos culturais e sociais do significado. Assim, a Semântica de Frames pode revelar-se uma maneira promissora de investigar os lexemas do hebraico bíblico, exigindo, é claro, que exploremos o mundo por trás dos textos bíblicos.

Depois de aplicar os princípios da Semântica de Frames ao lexema hesedh [processo que não descreverei aqui, por causa de sua complexidade] e exemplificar com alguns textos bíblicos, o autor conclui:

Agora podemos oferecer uma definição concisa do lexema hesedh. O substantivo hesedh fala de uma ação executada por uma pessoa em benefício de outra para evitar algum perigo ou prejuízo crítico por parte do beneficiário. Ao contrário das entradas dos dicionários citados acima, parece muito claro que hesedh designa uma ação concreta e não apenas uma intenção, um propósito, uma disposição.

Em seguida, o autor, aplicando esta definição de hesedh, mostra como vários textos bíblicos são mal interpretados. Ele dá cinco exemplos. Entre eles está Os 6,6, onde o lexema hesedh não deve ser interpretado como uma disposição, mas como uma ação. E nem mesmo deve ser entendido como uma referência a Deus, mas às pessoas concretas necessitadas:

“Porque é solidariedade [= ajuda às pessoas necessitadas] que eu quero e não sacrifício,
conhecimento de Deus [= prática do javismo] mais do que holocaustos” (Os 6,6).

Esta interpretação de Os 6,6 é diferente de muitos comentários que traduzem hesedh com lexemas que denotam atitudes como misericórdia, lealdade, amor inabalável, atitude de aliança ou dedicação. A análise, com o recurso da Semântica de Frames, aponta, primeiro, que hesedh designa uma ação e não uma intenção apenas e, segundo, que essa ação é direcionada aos homens e não a Deus.

E assim conclui Carsten Ziegert seu artigo:

Os dicionários geralmente não fornecem informações suficientes sobre o significado exato do lexema hebraico hesedh. Existem vários estudos sobre esse tópico publicados em livros, no entanto, os resultados não são convincentes e ainda falta uma metodologia linguística sólida. A linguística cognitiva, em particular a Semântica de Frames, fornece uma abordagem promissora para preencher essa lacuna.

Dentro dos limites deste estudo, um quadro cognitivo para hesedh foi reconstruído. Sua plausibilidade foi verificada em várias passagens da Bíblia Hebraica. Assim, o quadro ajudou a elucidar alguns textos complexos. A breve definição proposta para hesedh pretende ser uma hipótese de trabalho que pode servir de base para futuras pesquisas lexicográficas. Um dos principais resultados dessa investigação é que o lexema designa uma ação concreta, em vez de apenas uma intenção, um propósito, uma disposição. Diferente de entradas anteriores de dicionários, não é necessário distinguir entre um agente humano e um agente divino, nem postular um significado especial para a palavra no plural. Geralmente, os dicionários de hebraico bíblico devem fornecer a seus usuários não apenas alguns lexemas equivalentes em outra língua, mas também uma definição verbal do lexema em questão. Equivalentes em outra língua tendem a ser enganosos.

 

The noun hesedh has been subject to intensive lexicographical study. This might be due to the fact that dictionary entries are not always as convincing as they ought to be.

For instance, BDB gives a rather elaborate list of potential equivalents: goodness, kindnessProf. Dr. Carsten Ziegert - Professor für Altes Testament
I. of man:
1. kindness of men towards men, in doing favours and benefits;
2. kindness (especially as extended to the lowly, needy and miserable), mercy;
3. (rarely) affection of Israel to YHWH, love to God, piety;
4. lovely appearance.

II. of God:
kindness, lovingkindness in condescending to the needs of his creatures

The entry in HALOT is similarly structured:
1. obligation to the community in relation to relatives, friends, guests, master & servants, &c.; unity, solidarity, loyalty
2. ḥesed in relation of God to people or individuals, faithfulness, kindness, grace
3. pl. ḥasādîm, ḥasdê &c. individual acts flowing fm. solidarity:
a) (of men) godly deeds Ne 13, v.14;
b) (of God) evidences of grace Is 55, v.3.

The entry in DCH demands consideration:
loyalty, faithfulness, kindness, love, mercy, pl. mercies, (deeds of) kindness,
a. of Y. to humans,
b. of humans to Y.,
c. between humans,
d. of flesh, i.e. its beauty.

Since the time of Wilhelm Gesenius, the Septuagint has been regarded as an important source for investigating the meaning of Hebrew lexemes. Unfortunately, in the case of ‫חסד‬, the Septuagint presents us with quite an unexpected standard equivalent, ἔλεος, which slowly but surely developed during the translation of the Pentateuch. The difference in meaning between ‫חסד‬ and ἔλεος is obvious and has given rise to the theory that after the exile ‫חסד‬ adopted the additional meaning of ‘pity’.

 Tsedhâqâh - justiçaIn each of the dictionary entries just cited, a concise definition of what ‫חסד‬ actually denotes is missing. What dictionary users are looking for (or ought to be looking for) is not only a list of possible translation equivalents but also a definition, that is, a short text explaining the denotation of the lexeme in question. The remainder of this article seeks to fill this gap. First, I will survey briefly the history of research concerning the lexeme in question (section 2). Afterwards, I will present a new methodology, which (section 3) I will proceed to apply (section 4). Finally, I will consider prospects for further research (section 5).

The quest for the meaning of ‫חסד‬ has generated a host of studies. Due to space restrictions and for the sake of clarity, I am concentrating on book-length studies of the 20th century (the earlier two originally written in German) that have had some impact on further research.

Nelson Glueck, Das Wort »ḥesed« im alttestamentlichen Sprachgebrauche als menschliche und göttliche gemeinschaftsgemäße Verhaltungsweise. Gießen: Töpelmann, 1927.

Hans Joachim Stoebe, Gottes hingebende Güte und Treue. häsäd wä’ämät. Teil 1. Bedeutung und Geschichte des Begriffes häsäd. Tese de doutorado não publicada. Münster, 1950.

Katharine Doob Sakenfeld, The Meaning of »Hesed« in the Hebrew Bible: A New Inquiry. Missoula: Scholars Press, 1978.

Gordon R. Clark, The Word »Hesed« in the Hebrew Bible. Sheffield: Sheffield Acadmic Press, 1993.

The first researcher who dedicated an extensive study to ‫חסד‬ was Nelson Glueck. In his three-part investigation, he consistently distinguished between the lexeme’sShâlôm - paz, prosperidade, bem-estar secular, religious, and theological meaning. This distinction clearly influenced the structure of the entry in DCH. According to Glueck, the secular meaning of the lexeme ‫חסד‬ denotes conduct between humans, based on a mutual relationship of rights and duties, for example, between relatives, friends, allies, host and guest, and ruler and subject. This meaning has much in common with the concept of a treaty, a ‫ברית‬, and can thus be described as ‘loyalty’. Without doubt, this hypothesis has strongly influenced the entry in HALOT. The religious meaning of ‫חסד‬, which occurs mainly in the prophetic literature, extends the secular meaning insofar as it describes interaction between all human beings. This is desired by God, and its realisation can be called ‫חסד‬ towards God. Again, ‫חסד‬ denotes conduct in the context of an obligation to the community. Finally, the theological meaning of the lexeme describes God’s actions towards humans including forgiveness and salvation. These are driven by an obligation towards the community according to the Covenant. Glueck’s approach has had an impact not only on dictionaries of Biblical Hebrew but also on more recent shorter studies…

Evaluation: the aforementioned studies present a host of helpful exegetical observations. With regard to ‫חסד‬, however, they all fail to give a clear and concise definition of what the lexeme’s meaning really is. Investigating a presumptive ‘secular meaning’, that is, confining oneself to looking at texts with human actors only, seems to be a good starting point. However, the methodological flaws mentioned above call for a sound linguistic framework which will be presented in the following section of this article.

A cognitive-linguistic approach: frame semantics – The last two decades have seen a growing impact of cognitive linguistics on Biblical studies. Biblical scholars are becoming more and more aware that the paradigm of linguistic structuralism, forcefully advocated by James Barr in the 1960s, cannot fully grasp all the intricacies that come to the fore when one is eliciting the meaning of Biblical texts. Even individual words cannot be understood without taking cultural and social aspects of meaning into account.

Frame semantics may prove to be a promising way to investigate the designation of Biblical Hebrew lexemes. It demands, of course, that we explore the world behind the Biblical texts. So far, frame semantics has sparsely been applied to Biblical studies.

What the ‫חסד‬ frame looks like: In this section, I will first present a hypothetical ‫חסד‬ frame, followed by a description of its syntactic realisation…

Conclusion: we are now in a position to offer a concise definition of the lexeme ‫חסד‬. This definition follows directly from the description of the ‫חסד‬ frame given in section 4.1: ‫חסד‬ (noun) – an action performed by one person for the benefit of another to avert some danger or critical impairment from the beneficiary. As opposed to the dictionary entries quoted in section 1, it seems very clear that ‫חסד‬ designates a concrete action, rather than an attitude or a disposition of character.

The following five examples show that a frame-semantic approach can indeed advance our understanding of Biblical texts…

Hos. 6.6: Hence, what God desires more than—or rather than—sacrifices are actions (provided by some A) to the benefit of some person or group of people (whoever B might be) who are in danger or are experiencing a critical impairment (whatever D might be) and who cannot avert this danger themselves. This interpretation of Hos. 6.6 is contrary to most of the commentaries translating ‫חסד‬ with lexemes denoting attitudes like ‘mercy’, ‘loyalty’, ‘steadfast love’, ‘covenant attitude’, or ‘dedication’. Our frame-semantic analysis points out, first, that ‫חסד‬ designates an action rather than an attitude, and, second, that this action is directed towards men and not towards God. The idea that ‫חסד‬ should be directed towards God since the parallel expression ‫אלהים‬ ‫דעת‬ is directed towards God

Conclusions

Berîth - aliançaDictionaries usually fail to provide sufficient information concerning the exact meaning of the Biblical Hebrew lexeme ‫חסד‬. Several book-length studies on this topic exist; however, the results are not convincing and a sound linguistic methodology is still lacking. Cognitive linguistics, particularly frame semantics, provides a promising approach to fill this gap.

Within the limits of this study, a cognitive frame for ‫חסד‬ has been reconstructed. Its plausibility has been verified by several passages from the Hebrew Bible. Agreeably, the frame helped to elucidate a few puzzling texts. The short definition from section 4.3 is meant as a working hypothesis that can serve as the basis for further lexicographical research on ‫חסד‬. One major result of this investigation is that the lexeme ‫חסד‬ designates a concrete action, rather than an attitude or a disposition of character. As opposed to earlier dictionary entries, it is neither necessary to distinguish between a human and a divine agent nor to postulate a special word meaning for the plural form ‫חסדים‬. Generally, dictionaries of Biblical Hebrew ought to provide their users not only with a couple of translation equivalents but also with a verbal definition of the lexeme in question, as simple translation equivalents tend to be misleading, to say the least.

In order to further advance our understanding of the lexeme’s meaning, it is necessary to delimit it from other lexemes with a similar meaning. It would be promising to investigate the differences between ‫חסד‬ and ‫יׁשועה‬, ‎ ‫חן‬, and ‫רחמים‬, respectively.

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