Evangelho ou Manipulação? Haaretz critica o frufru criado em torno do Evangelho de Judas

O jornal israelense Haaretz, em sua edição online em inglês, faz severa crítica ao artificialismo marqueteiro que foi criado em torno do escrito gnóstico denominado (impropriamente) de Evangelho de Judas. Graças a Jim West, tomei conhecimento do artigo

Gospel or manipulation? [Obs.: link quebrado: 21.03.2008 – 12h22]


que merece ser lido!

O Professor Lawrence Schiffman opina sobre o Evangelho de Judas

Em The Jewish Week, Lawrence H. Schiffman – Edelman Professor of Hebrew and Judaic Studies and chair of the Skirball Department of Hebrew and Judaic Studies at New York University – escreve sobre o Evangelho Copta de Judas.

 

Judas, Reconsidered

Despite its alleged kosher certification of Judas Iscariot, the Gospel of Judas is part of a literature that represents a sort of alternative anti-Judaism to that which developed in the era of the Church Fathers. Much has been made of the fact that this text describes Judas as having been particularly close to Jesus, who revealed to him esoteric teachings. However, the content of this revelation is a series of Gnostic teachings that are totally at odds with Christianity as we know it (…)

The Gospel of Judas discovery may lead some to read the New Testament in a way that further reduces its anti-Judaism by interpreting Judas role as part of what Christians see as the divine plan. If so, this text will have turned out to be good for the Jews. Texts such as the Gospel of Judas can help to remind us of alternative explanations and guide us towards greater understanding, but they cannot be taken as the basis for any kind of historical understanding of the first century.

Links para o Evangelho de Judas na Explorator de hoje

Na Newsletter Explorator 8.50, postada hoje às 17:12, David Meadows oferece uma boa quantidade de links para o Evangelho Copta de Judas Iscariotes.

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O Evangelho de Judas Iscariotes é assunto para biblistas, teólogos e historiadores

Igreja se cala sobre ´Evangelho de Judas`
Vaticano não comenta divulgação de manuscrito que traz nova versão sobre a traição de Cristo

Globo Online: 08/04/2006 – 09:52

 

Enquanto milhões de pessoas em todo o mundo debatiam a tradução de um conjunto de papiros antigos que afirma que Judas Iscariotes não teria traído Jesus e, além disso, seria seu principal apóstolo, o Vaticano preferiu o silêncio. O anúncio do manuscrito que foi chamado de “O Evangelho de Judas”, porém, fez fervilhar a imaginação de cristãos e não-cristãos, apesar de ser considerado por especialistas uma versão fantasiosa, mas que teria grande importância para a análise de movimentos esotéricos que existiram lado a lado com o incipiente cristianismo dos primeiros séculos da nossa era. Além da Santa Sé, as conferências de bispos dos países católicos não mencionaram o tema. Da mesma forma, importantes publicações católicas – como o britânico “Tablet” e o americano “National Catholic Reporter” – não citaram o suposto “Evangelho de Judas”, apesar da extensa cobertura da imprensa mundial. Enquanto isso, o site de compras Amazon registrava que os dois livros lançados pela National Geographic Society sobre o assunto estavam entre os quatro mais vendidos, um deles em primeiro lugar. Entre as grandes correntes cristãs, apenas o Patriarcado da Igreja Ortodoxa Russa fez um comunicado. — Não se pode esperar que a descoberta de um texto atribuído a um conhecido personagem do início do cristianismo ou a algum dos discípulos de Cristo mude a composição da Escritura — disse ontem o padre Mikhail Dudko, porta-voz do Departamento do Patriarcado, em Moscou. A posição é similar à da maioria dos teólogos. Segundo “O Evangelho de Judas”, Jesus teria escolhido o discípulo para ser o único a conhecer a verdadeira natureza de sua missão. Cristo teria conversado a sós com o discípulo por uma semana e pedido para ser entregue aos romanos: “Você sacrificará o homem que me recobre.” — Isso é contrário a 20 séculos de ensinamentos da Igreja. Imagina se Jesus iria querer ser morto. Isso não fazia parte da cultura judaica, à qual Jesus estava inserido — disse a teóloga Maria Clara Bingemer, da PUC-RJ. — A narrativa da Escritura afirma que a morte de Jesus é uma consequência de Sua vida. Por ser fiel ao Pai, Ele vai a Jerusalém e enfrenta o destino. Segundo ela, o perigo residiria na interpretação da revelação dos papiros por parte da população em geral: — É perigoso quando se começa a achar que a Igreja aceita este tipo de visão. E se as pessoas pensarem que foi assim que as coisas aconteceram (…) Versões da história de Judas também são frequentes, mas sem interferir em dogmas cristãos. Uma interpretação diz que ele teria entregado Jesus para provocar um levante popular que derrubaria o governo romano e colocaria Cristo no trono. Por outro lado, a demonização de Judas nunca foi aceita pela Igreja. — Judas não é um demônio. A Igreja Católica nunca afirmou que ele está no inferno — disse Bingemer. Sobre o documento, teólogos não discutem sua autenticidade. Mas uma coisa é reconhecer que os papiros foram escritos no ano 300. Outra é dizer que o conteúdo deles é verdadeiro.

Um bom endereço para se acompanhar o debate sobre o texto gnóstico em questão é o biblioblog de Jim Davila, o PaleoJudaica.com. Veja, por exemplo, Lots More on the Gospel of Judas.

O Evangelho Copta de Judas Iscariotes foi publicado

“Evangelho Segundo Judas” é apresentado ao público

Após ter ficado desaparecida por 1.700 anos, a única cópia conhecida do “Evangelho Segundo Judas”, autenticada e apresentada pela primeira vez ao público nesta quinta-feira, lança uma nova luz sobre o apóstolo que supostamente traiu Jesus vendendo-o aos romanos.

O manuscrito de 26 páginas em papiro, escrito em dialeto copta, foi apresentado pela revista americana “National Geographic” em sua sede, na capital americana. O documento, cópia de uma versão mais antiga redigida em grego, foi autenticado como sendo do século 3 ou 4.

Ao contrário da versão dos quatro Evangelhos oficiais, o texto em questão indica que Judas era um iniciado que traiu Jesus a pedido dele próprio, e para a redenção da Humanidade.

A principal passagem do documento é atribuída a Jesus, que diz a Judas: “Tu superarás todos eles. Tu sacrificarás o homem que me cobriu.” Segundo exegetas, a frase significa que Judas ajudará a libertar o espírito de Jesus de seu invólucro carnal.

“Essa descoberta espetacular de um texto antigo, não-bíblico, é considerada por especialistas uma das mais importantes atualizações dos últimos 60 anos no que se refere ao nosso conhecimento sobre a História e a diferentes opiniões teológicas sobre o começo da era cristã”, indicou Terry Garcia, vice-presidente-executivo da revista americana.

A existência desse Evangelho foi comprovada por Santo Irineu, primeiro bispo de Lyon, que o denunciou em um texto contra as heresias em meados do século 2.

“A descoberta surpreendente do Evangelho de Judas afeta a nossa compreensão sobre o início do cristianismo”, disse Elaine Pagels, professora de religião da Universidade de Princeton e uma das grandes especialistas mundiais em Evangelhos. “Essa descoberta derruba o mito de uma religião monolítica, e mostra o quão diverso e fascinante era o movimento cristão em seu começo”, assinalou.

Acredita-se que o manuscrito, encadernado em couro, tenha sido copiado por volta do ano 300 d.C.. Ele foi descoberto na década de 1970, no deserto egípcio de El Minya. Circulou entre vendedores de antigüidades, até chegar à Europa e, depois, aos Estados Unidos, onde permaneceu no cofre de um banco de Long Island por 16 anos, até ser novamente comprado no ano 2000, pelo antiquário suíço Frieda Nussberger-Tchacos.

Preocupado com sua possível deterioração, o antiquário entregou o manuscrito à fundação suíça Maecenas Foundation for Ancient Art em fevereiro de 2001, a fim de preservá-lo e traduzi-lo.

Após a restauração do documento, o trabalho de análise e tradução foi confiado a uma equipe dirigida pelo professor Rudolf Kasser, aposentado pela Universidade de Genebra. O documento será mantido agora em um museu do Cairo.

Em sua edição de maio, a National Geographic dedica um longo artigo à descoberta. Amanhã, a revista irá inaugurar uma exposição em sua sede, onde o público poderá apreciar algumas páginas do manuscrito. Em colaboração com a fundação Maecenas, a revista também apresentará nos Estados Unidos um documentário de duas horas de duração sobre o assunto, em seu canal de TV a cabo. O documento foi traduzido para o inglês, alemão e francês.

Fonte: Folha Online – 06/04/2006

 

Evangelho segundo Judas é publicado pela 1ª vez

Um documento trazendo o ponto de vista de Judas Iscariotes sobre a crucificação de Cristo foi publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos pela revista National Geographic.

O Evangelho Segundo Judas data entre o século 3 e 4 e acredita-se que o documento, um frágil papiro de 31 páginas, seja uma cópia de um original escrito por volta de 150 dC.

Ele foi descoberto em Beni Masar no Egito durante a década de 1970 e foi escrito originalmente em cóptico (antigo idioma egípcio).

A única cópia do texto foi conservada, autenticada e traduzida agora para o inglês.

Gnósticos

O documento mostra Judas como um personagem benéfico, o favorito de Jesus, que teria colaborado com os seus planos para salvar a humanidade.

Essa visão é semelhante à dos cristãos gnósticos, um grupo de religiosos do 2º século que rivalizava com a Igreja.

Os gnósticos foram denunciados como hereges em 180 dC.

Eles acreditavam que Judas seria de fato o mais iluminado dos apóstolos e teria proporcionado a possibilidade de a humanidade ser redimida através da morte de Cristo.

Sendo assim, Judas mereceria gratidão.

A visão dos gnósticos teria sido escrita em grego em um documento datado de 150 dC.

Pesquisadores cogitam a possibilidade de que o documento publicado nesta quinta-feira seja uma cópia deste texto.

O Evangelho Segundo Judas foi adquirido no ano 2000 pela fundação suíça Maecenas Foundation for Ancient Art, que iniciou sua tradução.

Acredita-se que a National Geographic tenha pago cerca de US$ 1 milhão pelos direitos de publicação.

Fonte: BBC Brasil – 6 de abril de 2006

O Evangelho Copta de Judas Iscariotes

Jim Davila, em seu biblioblog PaleoJudaica.com, chama a atenção, em post de hoje, sob o título Coptic Gospel of Judas Watch, para o site The Tertullian Project, onde há uma seção sobre o Evangelho Copta de Judas (Iscariotes), texto que será publicado proximamente e que foi matéria de capa da revista Época, edição 405, de 20.02.2006.

O site The Tertullian Project é a collection of material ancient and modern about the ancient Christian Latin writer Tertullian and his writings. The pages are designed for the amateur interested in Tertullian. The Tertullian Project is edited by Roger Pearse, a freelance software consultant from Ipswich, in Suffolk, UK.

Não sendo minha área específica de estudo, nada posso dizer sobre a confiabilidade das informações. Nem do site The Tertullian Project – mas há um alerta de Jim Davila sobre questões discutidas -, nem da matéria da revista Época. De qualquer maneira, um assunto para se prestar atenção, evitando, é claro, o sensacionalismo barato que se costuma criar em torno destas descobertas.