Neemias na RIBLA

Que seja uma boa contribuição ao estudo bíblico, especialmente para o povo na América Latina, Caribe e aos latino-americanos e caribenhos na diáspora. Que sua leitura ajude a manter o coração aquecido, renove as convicções e conserve a cabeça erguida, com o olhar fixo no horizonte

RIBLA, v. 81, n. 1, 2020: Neemias

RIBLA, v. 81, n. 1, 2020: NeemiasO estudo do livro de Neemias é assunto complexo. Por um lado, porque as informações históricas que o livro traz são confusas e contrariam as informações que o livro de Esdras, seu contemporâneo, traz. E estes dois livros da Bíblia são os únicos que apresentam dados históricos a respeito do período persa, que, como visto, são ambíguos. Por outro, porque, praticamente, não existem informações extrabíblicas acerca da província Yehud do período persa. A cidade de Jerusalém do período persa nunca foi encontrada, assim também as denominadas muralhas de Neemias, bem como o templo desse período. Além de que, os artefatos encontrados em Jerusalém, cerâmica do período persa, são poucos e de má qualidade. Ou seja, existe um grande vazio arqueológico do período persa. E, para aumentar, pesquisas recentes indicam que a Yehud persa era muito pequena. Seu perímetro geográfico era bem menor do que se supunha. E, para completar, foi descoberto que o centro da coleta de tributo persa não era o templo de Jerusalém, mas Ramat Rahel, um pequeno, mas importante núcleo recentemente escavado, e que dista cerca de quatro quilômetros de Jerusalém. Enfim, o que parece evidente é de que a Jerusalém do período persa, com o seu templo, era muito pobre. Corrobora com isso o fato de que é praticamente impossível situar com relativa precisão cronológica um texto bíblico atribuído ao período persa. Tudo isso é no mínimo sintomático. São duzentos anos de pouco conhecimento histórico a respeito da comunidade judaíta desse período.

Estas informações todas colocam uma grande interrogação sobre a tendência da pesquisa moderna de situar muita literatura bíblica como tendo sido produzida no período persa. De forma que, o livro de Neemias necessita de uma nova abordagem. Em parte, o presente número da RIBLA lida com estas questões (da apresentação).

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Sumário

Apresentação – José Ademar Kaefer

Artigos

A pax Persica: o contexto imperial persa – Luiz Alexandre Solano Rossi

Reconstrução dos muros de Jerusalém: uma aproximação arqueológica e hermenêutica de Neemias 2,1-10 – 3,1-32 – Omar João da Silva

Uma nova abordagem bíblico-arqueológica do contexto histórico do livro de Neemias – José Ademar Kaefer, Suely Xavier

Etnicidad e identidad nacional en las políticas del sacerdocio posexílico: Una relectura socio-antropológica de Nehemías 3 y 4 – Abiud Fonseca

Os inimigos de Neemias em Ne 4,1-9 – Cecilia Toseli

¿Reforma social liberadora? Una lectura crítica a Nehemías 5,1-19 – Esteban Arias Ardila

Políticas que construyen murallas y dividen pueblos: Un análisis de Nehemías 4 y 6 – Jhon Fredy Mayor Tamayo

Nacimiento del judaísmo: Nehemías 8-10 – Bernardo Favaretto

Eles proíbem o casamento, mas não podem impedir o amor. Uma leitura da proibição dos casamentos mistos em Nm 13,23-29 – Antonio Carlos Frizzo

Lembra-te, meu Deus! Uma releitura dos sistemas de poder em Neemias – Francisco Orofino

Traduções da Bíblia na revista Pistis & Praxis

Formal sempre que possível, dinâmica sempre que necessária

Pistis & Praxis, Curitiba, v. 8, n. 1, 2016: Traduções da Bíblia

Revista Pistis & Praxis, CuritibaA tradução é uma intermediação. É uma importante ponte que possibilita a comunicação entre pessoas, culturas, mundos e épocas diferentes. A tradução de qualquer expressão, seja falada ou escrita, é sempre um processo bastante exigente. Porém, em se tratando da tradução de textos sagrados, considerados “Palavra de Deus”, essa intermediação torna-se ainda mais tensa e a complexidade alcança contornos extremamente acentuados. Com efeito, traduzir a Bíblia para as línguas modernas é tarefa árdua e apaixonante, atravessada por questões não só filológicas e históricas, mas também ideológicas e hermenêuticas. Como reconhecem os tradutores mesmos, trata-se de um labor cuidadoso, muitas vezes situado na estreita fronteira entre traducere (traduzir) e tradire (trair), tendo presente os textos originais, de um lado, e os interlocutores contemporâneos, de outro. Ademais, uma boa tradução é fundamental não só para uma boa exegese, mas também para uma boa leitura da Bíblia.

A importância da tradução da Bíblia, porém, contrasta com a escassez de reflexões e produção acadêmica nessa área no Brasil, apesar de termos já uma considerável caminhada em tradução e exegese da Bíblia realizada entre nós. Elegendo a Tradução da Bíblia como tema do dossiê do presente número da revista Pistis & Praxis, o Programa de Pós-Graduação “stricto sensu” em Teologia da PUCPR tem em vista quatro objetivos: 1. Estimular o intercâmbio e a discussão acadêmica sobre a tradução da Bíblia; 2. Refletir sobre os desafios apresentados aos tradutores e tradutoras da Bíblia pelas novas configurações da história de Israel e da história da redação da Bíblia, especialmente a partir das novas proposições advindas da arqueologia nas últimas décadas; 3. Evidenciar a complexidade intercultural e inter-religiosa da exegese e da tradução da Bíblia e discutir concepções teológico-doutrinárias colonialistas, preconceituosas, intolerantes e violentas, e outros problemas encontrados em algumas das traduções existentes; 4. Analisar as ferramentas impressas e eletrônicas utilizadas nesses trabalhos, como dicionários e léxicos de línguas bíblicas, entre outras.

Deste modo, esperamos contribuir para uma melhor qualificação dos trabalhos de tradução e de exegese bíblica realizados no Brasil, bem como alavancar uma maior inserção e participação da tradução e da exegese brasileiras na produção internacional de conhecimentos nesta área (do editorial).

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Sumário

Editorial – Luiz José Dietrich, Marcial Maçaneiro

Dossiê

As dimensões temporais do verbo hebraico: desafio ao traduzir o Antigo Testamento – Matthias Grenzer

Hacia una ética de liberación para la traducción bíblica – Esteban Voth

Comprar gato por lebre O “assalto” teológico à abordagem histórico-filológica da raiz br’ entre os sáculos XVIII e XX – Osvaldo Luiz Ribeiro

As traduções da Bíblia publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil: breve histórico e características – Vilson Scholz

Traduções bíblicas católicas no Brasil (2000-2015) – Konings Konings

“Prostituta” ou “mulher sagrada”? A tradutologia de Antoine Berman e a tradução da Bíblia – Luiz José Dietrich Dietrich

Artigos

Religiões, cristianismo e a busca de uma terra habitável – Afonso Maria Ligorio Soares

A educação para o esporte na família – Denilson Geraldo

Alteridade e embrião humano: o rosto como exigência ética de acolhimento do outro – Marcos Alexandre Alves, Edson Sallin

Feminismo, subjetividades e pluralismo: crítica teológica feminista e os desafios da realidade social latino-americana – Claudio de Oliveira Ribeiro

Bíblia e arqueologia na revista Pistis & Praxis

Revista Pistis & Praxis, Curitiba, v. 12, n. 2, 2020: Bíblia e Arqueologia

Nos últimos trinta ou quarenta anos, uma grande mudança de perspectiva frente aos textos e à história de Israel, tem sido propiciada pela moderna arqueologia realizada na Palestina. Esta deixou de ser uma “Arqueologia Bíblica”, que inclinava-se a tomar a Bíblia como referencial para interpretar seus achados, para ser uma arqueologia independente, que com apoio de uma gama de ciências envolvidas no processo de interpretação dos achados arqueológicos, tem produzido mudanças radicais na compreensão da história de Israel e do processo que originou a Bíblia.
(…)
As pesquisas arqueológicas atualmente buscam esclarecer a situação de Judá-Israel no período do exílio e do pós-exílio. Especialmente sua capacidade de produzirRevista Pistis & Praxis, Curitiba sínteses escritas e textos que integrariam a Bíblia. Se no início desta nova forma de fazer arqueologia muitos pesquisadores afirmavam que quase toda a Bíblia teria sido produzida no período pós-exílico, para muitos, hoje, grande parte da redação dos textos bíblicos são frutos do período asmoneu.

Isso tudo impacta grandemente todo o campo dos estudos bíblicos. De forma especial impacta a concepção da História de Israel, da escrita e do caráter da Bíblia e de sua interpretação.

Hoje é patente o desafio e a necessidade de recriar uma nova narrativa histórica coerente com os estudos críticos da Bíblia, com as contribuições da exegese feminista e especialmente com a nova arqueologia. Urgente também é a revisão da compreensão dos processos que deram origem aos livros da Bíblia e de suas histórias da redação, para que consigamos interpretá-los de modo adequado aos contextos que os originaram, iluminando de modo mais profundo as práticas e as espiritualidades nos contextos atuais.

Atualmente se impõe cada vez mais a perspectiva de uma leitura descolonizada e descolonizadora da Bíblia. Isso se dá pela percepção de que a Bíblia e grande parte da história de Israel e também do cristianismo, desenvolveram-se como parte de interesses e projetos de dominação imperialista. As marcas desse processo estão presentes em muitos textos intolerantes e violentos da Bíblia e em perspectivas exclusivistas e desrespeitadoras dos direitos humanos de diversas correntes do judaísmo e do cristianismo da atualidade.

Felizmente a pesquisa bíblica brasileira vem acordando para estes aspectos e desafios e, embora com todas as dificuldades e falta de recursos que marcam muitos campos de pesquisa e ensino em nosso país, tem de modo crescente procurado colocar-se a par dos trabalhos realizados no exterior. Este Dossiê da Revista Pistis & Praxis – v.12, n.2, (2020): Bíblia e Arqueologia, composto de 10 artigos de pesquisadores(as) brasileiros(as) e estrangeiros, quer ser mais uma contribuição nestas buscas (do editorial).

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Sumário

Editorial – Luiz Alexandre Solano Rossi, Luiz José Dietrich, Waldir Souza

Dossiê

“Um Edito” imperial e três versões de reconstruir a Yehud Persa – Antonio Carlos Frizzo

Learning to be a Biblical Scribe: Examples from the Letter Writing Genre – William M. Schniedewind

Observaciones metodológicas acerca de la arqueología bíblica y la interpretación bíblica – Aquiles Ernesto Martínez

Davi: um homem conforme o coração de Javé? – Luiz José Dietrich

Amós: narrativa, memória, cotidiano e profecia! (Anotações exegéticas e arqueológicas em Amós 1-2) – Suely Xavier dos Santos

O Exílio de Samaria – Cecilia Toseli

Análise do manuscrito pré-samaritano 4QPaleoExodm e sua relação com o manuscrito do Pentateuco Samaritano MS Add-1846 – Elcio Valmiro Sales de Mendonça

The Goddesses and Gods of Saul – Silas Klein Cardoso

YEHUD no período Persa – Luiz Alexandre Solano Rossi

Quando Judá se torna Israel – When Judah becomes Israel – José Ademar Ademar Kaefer

Artigos

Os diversos grupos matrizes formadores do povo de Israel – Andréa Bernardes de Tassis Ribeiro, Valmor da Silva

Texto e configuração poética da bênção em Nm 6,24-26 e nos rolinhos de prata de Ketef Hinnom – Matthias Grenzer, Hugo Chagas Feitosa

A preferência de Yahweh foi pelos detentores do poder (Esd 9-10) ou pelos humilhados (Rute)?: uma glosa que quis mudar tudo (Rt 4,17d-22) – Joel Antônio Ferreira

Hipótese sobre a introdução em Judá do sacrifício expiatório Gn 2,4b-3,24; 4,1-16 e 6,5- 9,17* como “eixo estrutural” de Gênesis 1-11 – Osvaldo Luiz Ribeiro

Revisitando o Prólogo Joanino – Gilvan Leite de Araújo