Manuscritos do Mar Morto estão online

The Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library

Sobre este projeto eu já falei aqui e aqui, pois, desde o ano passado, 5 manuscritos já estavam online. Agora, no site The Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library, estão online vários dos Manuscritos do Mar Morto. São cerca de 5 mil imagens de fragmentos dos manuscritos.

>> Atualização em 09.02.2014 – 12h10:
Agora, em fevereiro de 2014, são cerca de 10 mil imagens de fragmentos dos manuscritos

Leio no site da IAA – Israel Antiquities Authority:

“On the occasion of the 65th anniversary of the discovery of the Dead Sea Scrolls, the Israel Antiquities Authority and Google are pleased to launch today the Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library website.  The public is invited to experience, view, examine, and explore this collection of over 5000 images of Dead Sea Scrolls, in a quality never seen before.

The library was assembled over the course of two years, in collaboration with Google, using advanced technology first developed by NASA. It includes some 1000 new images of scroll fragments; 3500 scans of negatives from the 1950s; a database documenting about 900 manuscripts, two-thousand years old, comprising thousands of scroll fragments; and interactive content pages. It enables scholars and millions of users worldwide to reveal and decipher details hence invisible to the naked eye. The site displays infra-red and color images at a resolution of 1215 dpi, at a 1:1 scale, equivalent in quality to the original scrolls. Google has provided hosting services and use of Google Maps, image technology and YouTube. The project was made possible by an exceptionally generous grant from the Leon Levy Foundation, and further contribution by the Arcadia Fund, as well as the support of the Yad Hanadiv Foundation.

One of the earliest known texts is a copy of the Book of Deuteronomy, which includes the Ten Commandments; part of chapter 1 of the Book of Genesis, dated to the first century BCE, which describes the creation of the world; a number of copies of Psalms scrolls; tiny texts of tefillin from the Second Temple period; letters and documents hidden by refugees fleeing the Roman army during the Bar Kochba Revolt; and hundreds of additional 2000-year-old texts, shedding light on biblical studies, the history of Judaism and the origins of Christianity”…

E leio no Official Google Blog:

A little over a year ago, we helped put online five manuscripts of the Dead Sea Scrolls—ancient documents that include the oldest known biblical manuscripts in existence. Written more than 2,000 years ago on pieces of parchment and papyrus, they were preserved by the hot, dry desert climate and the darkness of the caves in which they were hidden. The Scrolls are possibly the most important archaeological discovery of the 20th century.


Today, we’re helping put more of these ancient treasures online. The Israel Antiquities Authority is launching the Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library, an online collection of some 5,000 images of scroll fragments, at a quality never seen before. The texts include one of the earliest known copies of the Book of Deuteronomy, which includes the Ten Commandments; part of Chapter 1 of the Book of Genesis, which describes the creation of the world; and hundreds more 2,000-year-old texts, shedding light on the time when Jesus lived and preached, and on the history of Judaism.


Millions of users and scholars can discover and decipher details invisible to the naked eye, at 1215 dpi resolution. The site displays infrared and color images that are equal in quality to the Scrolls themselves. There’s a database containing information for about 900 of the manuscripts, as well as interactive content pages. We’re thrilled to have been able to help this project through hosting on Google Storage and App Engine, and use of Maps, YouTube and Google image technology.


This partnership with the Israel Antiquities Authority is part of our ongoing work to bring important cultural and historical materials online, to make them accessible and help preserve them for future generations. Other examples include the Yad Vashem Holocaust photo collection, Google Art Project, World Wonders and the Google Cultural Institute.


We hope you enjoy visiting the Dead Sea Scrolls Digital Library, or any of these other projects, and interacting with history.

Posted by Eyal Miller, New Business Development, and Yossi Matias, Head of Israel Research and Development Center – December 18, 2012. 

Leia Mais:
Google creates online archive of 5,000 massively detailed Dead Sea Scrolls images
Upgraded Version of Leon Levy Dead Sea Scrolls Digital Library Launched – February 9, 2014

A luta pela terra e sua representação na mídia

Agronegócio procura regiões vulneráveis para se desenvolver. Entrevista especial com Tiago Cubas

O crescimento do agronegócio no Brasil está vinculado às “mudanças neoliberais nas leis de política agrária”, que possibilitaram a expansão exorbitante do setor sucroalcooleiro, especialmente em São Paulo, diz Tiago Cubas à IHU On-Line (…) Autor da dissertação “São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009”, Tiago Cubas é membro do grupo de pesquisa do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária – NERA, e analisa os limites de desenvolvimento social em regiões onde cresce a produção do agronegócio. Na semana passada sua dissertação foi comentada na imprensa, e algumas matérias “distorceram o que foi de fato nosso objetivo”, avalia. A pesquisa se propôs a “expor a luta pela terra e a luta para se manter na terra produzindo a favor da soberania alimentar, consequentemente o protagonismo camponês no enfrentamento com o capital no estado de São Paulo, bem como sua representação, principalmente na grande mídia. Esse é um detalhe perdido ironicamente na cobertura da dissertação recentemente defendida”, lamenta.

(…) É impossível o diálogo entre qualquer tipo de conceito que remeta a equilíbrio no interior do sistema capitalista agrário do agronegócio. Assim como a falácia do aquecimento global e os créditos de carbono, a sustentabilidade é outro projeto de marketing que envolve grandes corporações capitalistas ligadas também ao agronegócio no intuito de mascarar o que, de fato, é a sua essência: a concentração, segregação e desigualdade. É importante aí entendermos os conceitos de essência do território e aparência do território. O território do capital se situa em aparentar a realidade como discurso único, e essa é a sua essência, a razão de não se explicar por completo, e assim ele se torna forte. Esse território é legitimado então quando o que está posto é a resolução para todas as coisas. Contudo, a imagem territorial (aparência) não pode ser atribuída à totalidade, ela apenas faz parte de uma realidade muito mais complexa do que vemos, o invisível (ou aquilo que ainda não foi escancarado). O território do agronegócio vive de sua aparência, porque a sua essência é não se explicar, é ser uma propaganda ambulante de si mesmo e do seu “bem”. Esse projeto publicitário, que envolve a imprensa corporativista, tenta convencer a sociedade de que o desmatamento histórico – agora mais evidente na área da Fronteira Legal da Amazônia –, as queimadas, os agrotóxicos, os transgênicos e a exploração do trabalhador urbano e rural não são resultados do sistema do agronegócio. Dessa forma ele propõe o discurso de que tem procurado se estabelecer “sustentável”.

(…) Em Ribeirão Preto [a capital do agronegócio brasileiro] o agronegócio de cana destruiu toda sua proteção florestal para fazer seus “mares” de cana, expulsou o campesinato do campo para a cidade, acabando com a diversidade que prevaleceu até os anos 1960. Impediu todos os planos de implantação de outras indústrias e brigou ferozmente para comprometer os sindicatos e não deixar o MST se organizar…

Leia a entrevista publicada em Notícias: IHU On-Line. Reproduzida também em Carta Maior.

Pesquisa demonstra a pobreza gerada com o avanço do agronegócio

Uma pesquisa de mestrado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que existe uma relação entre a expansão de atividades do agronegócio e o crescimento da pobreza em áreas específicas do estado de São Paulo. Segundo o estudo, regiões reconhecidas pela força agroindustrial estão passando por um processo de concentração de renda, de terras e de pobreza.

A reportagem é de Aline Scarso e publicada pelo Brasil de Fato, 17/12/2012.

O levantamento sinaliza ainda que o agronegócio aproveita a vulnerabilidade das regiões para se instalar e criar raízes. Intitulado São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009, o estudo é do pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), Tiago Cubas. Ele trabalha com dados como o Índice de Pobreza Relativa, Índice de Gini e de Concentração de Riqueza para revelar uma situação de contradição.

Hoje a população rural do estado é de 1,7 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1980 era de 2,9 milhões. De acordo com a pesquisa, a região do entorno da cidade de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia Brasileira, é uma das que mais aumentaram o abismo econômico entre a população durante os anos de 1988 a 2009. Situação semelhante também ocorreu no entorno das cidades de Araraquara e Campinas e nas regiões do Pontal do Parapanema – principalmente no entorno dos municípios de Presidente Prudente e Araçatuba, e do Vale do Ribeira, entorno do litoral sul paulista e de Itapetininga (veja mapa abaixo). Dos 645 municípios paulistas cadastrados para mapeamento, apenas 228 municípios conseguiram amenizar a intensidade da pobreza no período pesquisado. No restante, a miséria aumentou.

O autor mostra que as regiões onde isso ocorreu são espaços do desenvolvimento do agronegócio, especialmente da monocultura da cana-de-açúcar. É o caso da Região da Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Araraquara e Campinas), onde a cana é preponderante. A área do Pontal do Parapanema, tradicionalmente reduto da pecuária no estado paulista, também sofreu com a expansão da monocultura. “Isso pode significar que o agronegócio escolhe as áreas mais vulneráveis para se instalar e, assim por diante, acirrar as desigualdades sociais e degradar o meio ambiente”, explica o pesquisador.

Leia o texto completo, reproduzido também em Notícias: IHU On-Line e na Carta Maior em 18/12/2012.