Morreu Hans M. Barstad (1947-2020)

Morreu o biblista norueguês Hans M. Barstad aos 73 anos de idade. Professor em Oslo de 1986 a 2005 e em Edimburgo desde 2006, era estudioso dos profetas. Autor, entre outros, de um interessante livro sobre o mito da terra (de Judá) vazia durante o exílio babilônico: The Myth of the Empty Land: A Study in the History and Archaeology of Judah During the ‘Exilic’ Period. Oslo: Scandinavian University Press, 1996.

Hans M. Barstad: 1947-2020Participou do Seminário Europeu sobre Metodologia Histórica (1996-2012). Tinha uma posição moderada sobre a História de Israel, defendendo o uso do texto bíblico na construção da história de Israel, mas insistindo, com muita fundamentação, que é necessário abandonar o conceito positivista de história, herança do século XIX , e partir para uma história narrativa.

Para Barstad, pesquisadores como Lemche e Thompson ainda se debatem dentro de um conceito convencional de história que é altamente problemático.

Em suas palavras: “Estudiosos como Lemche e Thompson têm avidamente usado o conceito de ‘mudança de paradigma’ em suas contribuições para a historiografia bíblica. Isto, entretanto, está longe de ser uma descrição adequada do que está realmente acontecendo. Lemche e Thompson, aparentemente não atentos para o fato de que o que nós podemos chamar de um conceito convencional de história é hoje altamente problemático, ainda trabalham dentro dos parâmetros da pesquisa histórico-crítica, assumindo que história é uma ciência e que devemos trabalhar com fatos ‘brutos’” (BARSTAD, H. M. History and the Hebrew Bible, em GRABBE, L. L. (ed.) Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, p. 50-51).

Barstad diz que os pós-modernos os classificariam como “os primeiros dos últimos modernistas” (p. 51).

E defende em seguida: “No futuro nós teremos, irreversivelmente, de nos ajustar a uma visão de história diferente daquela dos métodos histórico-críticos do século XIX: uma história com diferentes ‘verdades’ que quase nunca será o resultado de análises científicas de dados empíricos. Uma história cujo estatuto epistemológico deveria não mais ser visto como parte da ciência, mas como uma parte da cultura. Uma história caracterizada por uma multiplicidade de métodos” (p. 51-52).

 

Da página da Universidade de Edimburgo em 2016:

Educated in Oslo and Oxford, I held the chair of Old Testament Studies in the University of Oslo from 1986-2005.

Since my move to Edinburgh (2006-), I have authored 1 book (History and the Hebrew Bible, Mohr Siebeck 2008), and around 20 contributions in peer reviewed publications.

I have also co-edited 3 volumes: The Past in the Past, with P. Briant (The Institute for Comparative Research 2009); Prophecy in the Book of Jeremiah, with R.G. Kratz (de Gruyter 2009), and Thus Speaks Ishtar of Arbela, with R. Gordon (Eisenbrauns, forthcoming summer 2013).

I was chief editor for Supplements to Vetus Testamentum 2007-2010 (Brill). Around 30 volumes appeared during my editorship.

Among popularizing work, I can mention one book, A Brief Guide to the Hebrew Bible, Westminster John Knox, 2010 and 2 contributions to lexicons: “Biblical Theology,” in The Cambridge Dictionary of Christian Theology, Cambridge University Press (2011), pp. 62-64 and “Bible, Hebrew,” in The Encyclopedia of Ancient History, Wiley-Blackwell (2013), pp. 1107-1109.

In The Religious Polemics of Amos (1984), I use texts in Amos as sources for the reconstruction of 8th century BCE Israelite religion. The work threw new light upon the prophetic movement in general. Further research led to a series of articles and monographs on biblical prophets.

In A Way in the Wilderness (1989), I maintain that many of the references to wilderness, water, and way have misguidedly been taken as allusions to a second Exodus. Rather, the majority of these texts refer to the new Judah after the exile. Another important outcome of my 1989 book concerns the nature of prophetic language. Whereas numerous scholars have dealt with linguistic, grammatical, and literary features of Hebrew poetry, not many have taken into consideration that metaphoric/poetic texts also have a different cognitive status from prose language.

In The Babylonian Captivity of the Book of Isaiah (1997), I attempted to demonstrate that the arguments in favour of a Babylonian setting of Isa 40-55 are untenable.

In The Myth of the Empty Land (1996), I use archaeology, economical models, and Neo-Babylonian sources to argue for continuity rather than a gap in the culture of Judah after the fall of Jerusalem in 586 BCE.

Three articles reflect my recent research. In one, I use Neo-Assyrian sources, and show how Amos 1-2 is genuinely set within the framework of the Neo-Assyrian Empire. In another, I discuss Old Babylonian texts from Mari, and show how deeply planted the Hebrew Bible is in a common Semitic culture. Finally, I discuss historiography in general (above all narrative truth) and its relationship to the Hebrew Bible.

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