Feliciano e os defensores da moral e dos bons costumes

“O caso Marco Feliciano pode ser considerado um paradigma pelo fato de ser a primeira vez na história em que os evangélicos se colocam como um bloco organicamente articulado, com projeto temático definido: uma pretensa defesa da família…

Torna-se nítida uma articulação política e ideológica conservadora em diferentes espaços sociais – do Congresso Nacional às mídias – que reflete um espírito presente na sociedade brasileira, de reação a avanços sociopolíticos, que dizem respeito não só a direitos civis homossexuais e das mulheres, como também aos direitos de crianças e adolescentes, às ações afirmativas (cotas, por exemplo) e da Comissão da Verdade, e de políticas de inclusão social e cidadania. Nesta articulação a religião passa a ser instrumentalizada, uma porta-voz…

É possível afirmar que os grupos políticos e midiáticos conservadores no Brasil descobriram os evangélicos e o seu poder de voz, de voto, de consumo e de reprodução ideológica…

O projeto político que se desenha, de fato, pouco ou nada tem a ver com a defesa da família…”

Recomendo a leitura do artigo ‘Caso Marco Feliciano’: um paradigma na relação religião-mídia-política no Brasil.

Escrito por Magali do Nascimento Cunha, jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora da Universidade Metodista de São Paulo (Faculdade de Teologia e Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação) e autora do livro A Explosão Gospel: Um olhar das ciências humanas sobre o cenário evangélico no Brasil. Rio de Janeiro: Mauad, 2007, 232 p. – ISBN 9788574782287.

O artigo foi publicado na Adital em 18/04/2013. Pode ser lido também aqui.

Biblistas devem responder ou provocar questionamentos?

Falando sobre a pesquisa bíblica, escreveu, em 11 de abril de 2013, Philip R. Davies, comentando um artigo de Joel S. Baden:

A nossa responsabilidade em relação à próxima geração de estudiosos [da Bíblia] não é responder a perguntas, mas produzir mais perguntas para eles.

But in the end our responsibility to the next generation of scholars is not to answer questions (and thus remove them) but to generate more questions for them.

Fonte: Against Consensus, artigo de Joel S. Baden, Yale Divinity School, publicado em The Bible and Interpretation em abril de 2013.