Sobre as tradições de Abraão em Gn 12-25

É difícil ser mais preciso. Essa declaração de ser incapaz de ser mais preciso sobre a data do javista (J) é o que esperaríamos de um pesquisador honesto. Talvez paradoxalmente, a manutenção de um certo grau de imprecisão possa contribuir para a obtenção de um consenso futuro neste campo. Esse consenso pode não ser satisfatório para aqueles que buscam exatidão, mas refletirá corretamente a natureza do assunto sob investigação, que é uma literatura antiga, cuja origem e desenvolvimento são, pelo menos parcialmente, obscurecidos por séculos de distância.

 

Alguns trechos de um artigo de Kris Sonek, Senior Lecturer at Catholic Theological College, University of Divinity, Melbourne, Austrália, sobre as narrativas em torno de Abraão e sua família em Gn 12-25.

O texto em português é uma tradução livre. O texto original, em inglês, vem em seguida, porém, sem as notas de rodapé, que podem ser conferidas no artigo, disponível em Academia.edu.

SONEK, K. Wrangling with Abraham: An Evaluation of Recent Studies on Genesis 12–25, Australian Biblical Review, Vol. 67, p. 17-29, 2019.

Australian Biblical ReviewO estudo da origem das tradições orais e escritas que deram origem ao surgimento do Gênesis no final da época persa ou no início da época helenística continua a preocupar muitos estudiosos. Embora abordagens interpretativas como leitura pós-colonial, leitura feminista ou hermenêutica ecológica estejam em voga, a leitura histórico-crítica tradicional e sua busca para identificar o contexto original do material bíblico continua a gerar interesse e controvérsia. No entanto, parece que os esforços dos estudiosos modernos para chegar a um consenso sobre a origem do Gênesis e do Pentateuco em geral não tiveram sucesso. Embora alguns autores tenham expressado a opinião de que um entendimento comum do processo histórico foi alcançado até o final do século XX, a atual multiplicação de teorias concorrentes e contraditórias lança uma longa sombra sobre o campo histórico, e muitos leitores modernos se voltam para outras metodologias na esperança de encontrar melhores respostas para suas perguntas.

As opiniões de John Van Seters sobre o javista (J) há muito dominam este campo, e alguns estudiosos as consideram muito convincentes. Outros, especialmente aqueles influenciados por argumentos propostos por Rolf Rendtorff e Erhard Blum, negam a existência do javista e explicam a origem e o crescimento do Pentateuco como resultado do trabalho pós-exílico de autores deuteronomistas e sacerdotais expandindo e editando material exílico e pré-exílico dos últimos anos da monarquia. Embora Reinhard G. Kratz esteja certo ao dizer que somente para o Sacerdotal e o Deuteronômio se pode sugerir uma base textual segura que seja capaz de obter um consenso, certamente gostaríamos de ver um nível mais alto de consenso entre os estudiosos que fazem uma abordagem histórico-crítica. Estabelecer o sentido literal das passagens de um escrito depende também de sua data. Portanto, se discordamos sobre a época de sua composição, dificilmente podemos propor uma exposição convincente de seu sentido literal.

Além do mais, a pesquisa recente de David M. Carr demonstrando a dificuldade de colocar as tradições de Abraão na linha do tempo leva à conclusão de que o sentido literal de Gênesis 12-25 pode ser verificado com apenas um grau limitado de probabilidade. Carr argumenta que o complexo de tradições abraâmicas constitui um exemplo primordial em que os textos da Bíblia Hebraica de significância teológica demonstrável são relativamente difíceis de colocar em um continuum cronológico neste tipo de história. Afinal, a questão de saber se esses textos e suas tradições orais subjacentes são pré ou pós-exílicos é crucial para estabelecer seu sentido literal. O trabalho dos neodocumentários, como Joel S. Baden, adiciona mais uma camada de incerteza a esta questão já discutida. Assim como a contribuição de Van Seters, as visões dos neodocumentários são internamente consistentes, mas sua incompatibilidade com teorias rivais leva à fragmentação da paisagem acadêmica histórico-crítica.

O caráter conjetural dos estudos histórico-críticos é outro fator que deve ser levado em consideração aqui. Richard E. Averbeck, por exemplo, diz que o livro sobre o Gênesis de Konrad Schmid tem muito especulação, o que dá a impressão de que o autor está moldando a leitura das passagens para se adequar à sua teoria, e não o contrário. Talvez Schmid não mereça essa crítica, mas os comentários de Averbeck certamente se aplicam a muitos estudos histórico-críticos do Pentateuco. Como resultado, as tentativas atuais de explicar a origem e o crescimento dos textos do Pentateuco são altamente especulativas. A pesquisa sobre a formação do Pentateuco leva a novas hipóteses sobre esse complicado processo, mas sem um consenso firme. Agora, por definição, os fatos nunca podem ser provados como falsos. São hipóteses que são constantemente revisadas e, se necessário, consideradas falsas. Isso é algo que precisamos ter em mente quando nos envolvemos com os estudos histórico-críticos modernos no contexto das narrativas de Abraão. Na maioria das vezes, lidamos com teorias altamente conjecturais, que podem ser testadas e avaliadas, mas nunca devem ser apresentadas como fatos.

(…)

Os comentários de John J. Collins sobre o material do Pentateuco são um bom exemplo a ser seguido, por serem muito cuidadosos. Ele diz que os debates recentes sobre o Pentateuco mostram que a reconstrução de formas anteriores do texto bíblico é um empreendimento altamente especulativo. Talvez a principal lição a ser aprendida é que esses textos são de fato compostos e incorporam camadas de diferentes épocas. Carr também é cauteloso quando se trata de datar as camadas textuais das narrativas de Abraão. Ele admite que seu trabalho visa mais modéstia metodológica do que caracterizou muitas reconstruções anteriores do desenvolvimento de textos na Bíblia Hebraica. Ele então especula que as tradições de Abraão em Gênesis 12-25 podem ser pré-exílicas, mas ele também afirma que é difícil atribuir datas específicas a essas tradições misturadas e fortemente editadas. Em outras palavras, Carr afirma que, na maioria das vezes, temos que trabalhar com uma aproximação do processo histórico ao invés de tentar estabelecer seus detalhes exatos.

Mesmo um breve levantamento do campo histórico-crítico sugere que os estudiosos devem examinar sua metodologia para evitar construir um argumento com base em pressuposições questionáveis. Teorias baseadas em suposições implausíveis ou não comprovadas podem ser elaboradas ou podem parecer novas, mas seu valor real é limitado. Tenho a forte convicção de que os estudos literários modernos e a hermenêutica bíblica fornecem uma orientação excelente a esse respeito. Dado que os estudos bíblicos sempre refletiram a crítica secular até certo ponto, como Barton convincentemente argumenta, os estudiosos da Bíblia podem aprender com os críticos literários sobre os pontos fortes e as limitações de seu método. T. S. Eliot escreve em The Varieties of Metaphysical Poetry que devemos sempre ser tão exatos e claros quanto possível – tão claros quanto o assunto permite. E quando o assunto é literatura, a clareza além de um determinado ponto torna-se falsificação. Esta é uma restrição muito importante à atividade de crítica literária. Quando um assunto é vago por natureza, a clareza deve consistir, não em torná-lo tão claro a ponto de ser irreconhecível, mas em reconhecer a sua imprecisão.

Parece que John A. Emerton encontra o equilíbrio certo entre ser exato e reconhecer as limitações de seu assunto quando resume sua investigação da data do javista: “Se minha hipótese de que a matriz da escrita da história israelita pode ter sido a tradição literária vista nas inscrições semíticas do noroeste dos séculos nono ao sétimo, a composição do javista (J) pode ser plausivelmente associada a ela. É difícil ser mais preciso ” (p. 128). Essa declaração de ser incapaz de ser “mais preciso” é o que esperaríamos de um pesquisador honesto. Talvez paradoxalmente, a manutenção de um certo grau de imprecisão possa contribuir para a obtenção de um consenso futuro neste campo. Esse consenso pode não ser satisfatório para aqueles que buscam exatidão, mas refletirá corretamente a natureza do assunto sob investigação: literatura antiga cuja origem e desenvolvimento são, pelo menos parcialmente, obscurecidos por séculos de distância.

 

Algum autores citados no texto

BADEN, J. S. The Composition of the Pentateuch: Renewing the Documentary Hypothesis. New Haven: Yale University Press, 2012.

BARTON, J. Reading the Old Testament: Method in Biblical Study. London: Darton Longman & Todd, 1984.

BLUM, E. Die Komposition der Vätergeschichte. Neukirchen-Vluyn: Neukirchener Verlag, 1984; Studien zur Komposition des Pentateuch. Berlin: Walter de Gruyter, 1990.

CARR, D. M. The Formation of the Hebrew Bible: A New Reconstruction. New York: Oxford University Press, 2011.

COLLINS, J. J. Introduction to the Hebrew Bible. Minneapolis: Augsburg Fortress, 2004.

DOZEMAN, T. B.; SCHMID, K. (eds.) A Farewell to the Yahwist? The Composition of the Pentateuch in Recent European Interpretation. Atlanta: Society of Biblical Literature, 2006.

EMERTON, J. A. The Date of the Yahwist. In: DAY, J. (ed.) In Search of Pre-Exilic Israel: Proceedings of the Oxford Old Testament Seminar. London: T&T Clark, 2004, p. 107–129.

KRATZ, R. G. The Growth of the Old Testament. In: ROGERSON, J. W. ; LIEU, J. M. (eds.) The Oxford Handbook of Biblical Studies. Oxford: Oxford University Press, 2006, p. 459–488.

RENDTORFF, R. Das überlieferungsgeschichtliche Problem des Pentateuch. Berlin: Walter de Gruyter, 1977. Tradução inglesa: The Problem of the Process of Transmission in the Pentateuch. Sheffield: Sheffield Academic Press, 1990.

SCHMID, K. Genesis and the Moses Story: Israel’s Dual Origins in the Hebrew Bible. Winona Lake: Eisenbrauns, 2010.

SONEK, K. The Abraham Narratives in Genesis 12–25. Currents in Biblical Research, Volume 17, Issue 2, February 2019, p. 158-183.

VAN SETERS, J. Abraham in History and Tradition. New Haven: Yale University Press, 1975 e Brattleboro, VT: Echo Point Books & Media, 2014.

VAN SETERS, J. Prologue to History: The Yahwist as Historian in Genesis. Louisville, Kentucky: Westminster John Knox, 1992.

VAN SETERS, J. The Pentateuch: A Social-Science Commentary. 2. ed. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015.

 

Recomendo a leitura de:

SONEK, K. The Abraham Narratives in Genesis 12–25, Currents in Biblical Research, Vol. 17(2), p. 158­–183, 2019.

 

 

The study of the origin of the oral and written traditions which gave rise to the emergence of Genesis in the late Persian or early Hellenistic periods continues to preoccupyKris Sonek many scholars. Though such interpretative approaches as postcolonial criticism, feminist criticism, or ecological hermeneutics are in vogue, the traditional historical criticism and its quest to identify the original context of the scriptural material continues to generate both interest and controversy. Nevertheless, it seems that the efforts of modern scholars to reach a consensus on the origin of Genesis, and the Pentateuch in general, have been largely unsuccessful. Though some authors have expressed the view that a common understanding of the historical process was achieved by the end of the twentieth century, the current multiplication of competing and contradictory theories casts a long shadow on the historical field, and many modern readers turn to other methodologies in the hope of finding better answers to their questions.

John Van Seter’s views on the Yahwist have long dominated this field, and some scholars have found them very convincing. Others, especially those influenced by arguments proposed by Rolf Rendtorff and Erhard Blum, deny the existence of the Yahwist, and explain the origin and growth of the Pentateuch as a result of the post-exilic work of Deuteronomistic and Priestly authors expanding and editing exilic and late pre-exilic material. While Reinhard G. Kratz is right in saying that “only for the Priestly Writing and Deuteronomy can one suggest a sure textual basis that is capable of gaining a consensus,” [Kratz, 2006, p. 482] we would certainly like to see a higher level of consensus among historical scholars. Establishing the literal sense of scriptural passages depends on their dating. Hence if we disagree about the time of their composition, we can hardly propose a convincing exposition of their literal sense.

What is more, David M. Carr’s recent research demonstrating the difficulty of placing the Abraham traditions on the timeline leads to the conclusion that the literal sense of Genesis 12–25 can be ascertained with only a limited degree of probability. Carr argues: “Overall, the complex of Abrahamic traditions constitutes a prime instance where texts in the Hebrew Bible of demonstrable theological significance are relatively difficult to place on a chronological continuum in this sort of history.” [Carr, 2011, p. 485] After all, the question of whether these texts and their underlying oral traditions are pre- or post-exilic is crucial for establishing their literal sense. The work of the “neo-documentarians,” such as Joel S. Baden, adds a further layer of uncertainty to this already moot issue. Like the contribution of Van Seters, the neo-documentarians’ views are internally consistent, but their incompatibility with rival theories leads to the fragmentation of the historical-critical academic landscape.

The conjectural character of historical-critical studies is another factor which needs to be taken into consideration here. Richard E. Averbeck comments on Konrad Schmid’s Genesis and the Moses Story: “There is a lot speculation in this book. One sometimes gets the impression that the author is shaping the reading of passages to fit his theory rather than the other way around” [Averbeck, 2011, p. 167]. I do not think that Schmid deserves this criticism, but Averbeck’s comments certainly apply to many historical-critical studies of the Pentateuch. As a result, the current attempts to explain the origin and growth of pentateuchal texts are highly speculative. The research on the formation of the Pentateuch leads to new hypotheses about this complicated process, but without any firm consensus. Now, by definition, facts can never be proved false. It is hypotheses that are constantly revised and occasionally falsified. This is something we need to keep in mind when we engage with modern historical-critical scholarship in the context of the Abraham narratives. More often than not, we deal with highly conjectural theories, which can be tested and evaluated, but should never be presented as facts.

(…)

By contrast, John J. Collins’s comments on the pentateuchal material are very circumspect: “Nonetheless, the recent debates about the Pentateuch show that the reconstruction of earlier forms of the biblical text is a highly speculative enterprise. Perhaps the main lesson to be retained is that these texts are indeed composite, and incorporate layers from different eras” [Collins, 2004, p. 63]. Carr is also cautious when it comes to dating the textual layers of the Abraham narratives. He admits that his work “is aiming for more methodological modesty than has characterized many prior reconstructions of the development of texts in the Hebrew Bible” [Carr 2011, p. 4]. He then speculates that the Abraham traditions in Genesis 12–25 may be pre-exilic, but he also states that it is difficult to assign specific dates to those mixed and heavily edited traditions. In other words, Carr declares that, more often than not, we have to work with an approximation of the historical process rather than trying to establish its exact details.

Even a brief survey of the historical-critical field suggests that scholars should examine their methodology to avoid building an argument on the basis of questionable presuppositions. Theories grounded in implausible or unproven assumptions may be elaborate or may sound novel, but their real value is limited. It is my strong conviction that modern literary studies and biblical hermeneutics provide excellent guidance in this respect. Given that “biblical studies have always mirrored secular criticism to some extent”, as Barton convincingly argues [Barton 1984, p. 204], the biblical guild may learn from literary critics about the strengths and limitations of their method. T. S. Eliot writes in The Varieties of Metaphysical Poetry: “One must always be as exact and clear as one can—as clear as one’s subject matter permits. And when one’s subject matter is literature, clarity beyond a certain point becomes falsification. This is a very important restriction on the activity of literary criticism. When a subject matter is in its nature vague, clarity should consist, not in making it so clear as to be unrecognisable, but in recognising the vagueness, where it begins and ends and the causes of its necessity, and in checking analysis and division at the prudent point.” [Eliot, 1993, p. 59-60]

It seems that John A. Emerton finds the right balance between being exact and recognizing the limitations of one’s subject matter when he summarizes his investigation of the date of the Yahwist: “If my hypothesis that the matrix of Israelite history writing was the literary tradition seen in North-West Semitic inscriptions of the ninth–seventh centuries is correct, then the composition of J may plausibly be associated with it. It is difficult to be more precise” [Emerton, 2004, p. 128]. This statement of being unable to be “more precise” is what we would expect from an honest scholar. Perhaps paradoxically, maintaining a certain degree of imprecision may contribute to achieving a future consensus in this field. That consensus may not prove satisfactory to those who seek exactitude, but it will correctly reflect the nature of the subject under investigation: ancient literature whose origin and development are, at least partially, obscured by centuries-long historical distance.

Jerônimo

São Jerônimo, padroeiro dos biblistas, é celebrado hoje, 30 de setembro.

Passados mil e seiscentos anos, a sua figura continua a ser de grande atualidade para nós, cristãos do século XXI.

Quem o afirma é Francisco na Carta Apostólica Scripturae Sacrae affectus, publicada hoje, por ocasião do 16º centenário da morte de São Jerônimo, intérprete e tradutor da Bíblia.

Para Paulo há três caminhos para a salvação

É o que afirma Gabriele Boccaccini em novo livro.

BOCCACCINI, G. Paul’s Three Paths to Salvation. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2020, 182 p. – ISBN 9780802839213.

BOCCACCINI, G. Paul's Three Paths to Salvation. Grand Rapids, MI: Eerdmans, 2020“Não precisamos mais separar Paulo do judaísmo para reivindicar seu cristianismo”, escreve Gabriele Boccaccini, acrescentando que “nem precisamos separá-lo do movimento de Jesus para declarar seu judaísmo”. Com este princípio orientador, Boccaccini desvenda as implicações da “pertença” de Paulo simultaneamente ao judaísmo e ao cristianismo para chegar à conclusão de que há de fato três meios de salvação:

. Para os judeus, adesão à Torá
. Para os gentios, boas obras de acordo com a consciência e a lei natural
. Para todos os pecadores, perdão pela fé em Jesus Cristo

Os três caminhos para a salvação de Paulo é uma tentativa de reconciliar as muitas facetas da complexa identidade de Paulo, injustamente acusado de intolerância. O esforço de Boccaccini em restabelecer a figura de Paulo como um mensageiro da misericórdia de Deus para os pecadores é uma contribuição importante para o debate atual sobre o lugar de Paulo no mundo pluralista contemporâneo.

Gabriele Boccaccini é professor da Universidade de Michigan e autor de várias publicações sobre o Judaísmo do Segundo Templo e as origens cristãs. Ele é o fundador e diretor do Seminário Henóquico, um grupo acadêmico de especialistas internacionais dedicados ao estudo do Judaísmo do Segundo Templo, do Cristianismo e do Islamismo, que compartilham os resultados de suas pesquisas no campo e se reúnem para discutir temas de interesse comum.

 

“We no longer need to separate Paul from Judaism in order to claim his Christianness,” writes Gabriele Boccaccini, adding, “nor do we need to separate him from the early Jesus movement in order to state his Jewishness.” With this guiding principle Boccaccini unpacks the implications of Paul’s “belonging” simultaneously to Judaism and Christianity to arrive at the surprising and provocative conclusion that there are in fact three means of salvation:Gabriele Boccaccini, pesquisador ítalo-americano, nascido em 1958

. For Jews, adherence to Torah.
. For gentiles, good works according to conscience and natural law.
. For all sinners, forgiveness through faith in Jesus Christ.

Paul’s Three Paths to Salvation is an attempt to reconcile the many facets of Paul’s complex identity while reclaiming him from accusations of intolerance, and Boccaccini’s work in reestablishing the figure of Paul as a messenger of God’s Mercy to the sinners is an important contribution to the ongoing conversation about Paul’s place in the contemporary pluralistic world.

Gabriele Boccaccini is a professor at the University of Michigan and the author of numerous publications on Second Temple Judaism and Christian origins. He is the founding director of the Enoch Seminar, a forum of international specialists in early Judaism, Christianity, and Islam affiliated with the Society of Biblical Literature. In 2019, he was awarded knighthood by the president of Italy in recognition of his contribution to Italian culture in the world.

Morreu Hans M. Barstad (1947-2020)

Morreu o biblista norueguês Hans M. Barstad aos 73 anos de idade. Professor em Oslo de 1986 a 2005 e em Edimburgo desde 2006, era estudioso dos profetas. Autor, entre outros, de um interessante livro sobre o mito da terra (de Judá) vazia durante o exílio babilônico: The Myth of the Empty Land: A Study in the History and Archaeology of Judah During the ‘Exilic’ Period. Oslo: Scandinavian University Press, 1996.

Hans M. Barstad: 1947-2020Participou do Seminário Europeu de Metodologia Histórica (1996-2012). Tinha uma posição moderada sobre a História de Israel, defendendo o uso do texto bíblico na construção da história de Israel, mas insistindo, com muita fundamentação, que é necessário abandonar o conceito positivista de história, herança do século XIX , e partir para uma história narrativa.

Para Barstad, pesquisadores como Lemche e Thompson ainda se debatem dentro de um conceito convencional de história que é altamente problemático.

Em suas palavras: “Estudiosos como Lemche e Thompson têm avidamente usado o conceito de ‘mudança de paradigma’ em suas contribuições para a historiografia bíblica. Isto, entretanto, está longe de ser uma descrição adequada do que está realmente acontecendo. Lemche e Thompson, aparentemente não atentos para o fato de que o que nós podemos chamar de um conceito convencional de história é hoje altamente problemático, ainda trabalham dentro dos parâmetros da pesquisa histórico-crítica, assumindo que história é uma ciência e que devemos trabalhar com fatos ‘brutos’” (BARSTAD, H. M. History and the Hebrew Bible, em GRABBE, L. L. (ed.) Can a ‘History of Israel’ Be Written? Sheffield: Sheffield Academic Press, 1997, p. 50-51).

Barstad diz que os pós-modernos os classificariam como “os primeiros dos últimos modernistas” (p. 51).

E defende em seguida: “No futuro nós teremos, irreversivelmente, de nos ajustar a uma visão de história diferente daquela dos métodos histórico-críticos do século XIX: uma história com diferentes ‘verdades’ que quase nunca será o resultado de análises científicas de dados empíricos. Uma história cujo estatuto epistemológico deveria não mais ser visto como parte da ciência, mas como uma parte da cultura. Uma história caracterizada por uma multiplicidade de métodos” (p. 51-52).

 

Da página da Universidade de Edimburgo em 2016:

Educated in Oslo and Oxford, I held the chair of Old Testament Studies in the University of Oslo from 1986-2005.

Since my move to Edinburgh (2006-), I have authored 1 book (History and the Hebrew Bible, Mohr Siebeck 2008), and around 20 contributions in peer reviewed publications.

I have also co-edited 3 volumes: The Past in the Past, with P. Briant (The Institute for Comparative Research 2009); Prophecy in the Book of Jeremiah, with R.G. Kratz (de Gruyter 2009), and Thus Speaks Ishtar of Arbela, with R. Gordon (Eisenbrauns, forthcoming summer 2013).

I was chief editor for Supplements to Vetus Testamentum 2007-2010 (Brill). Around 30 volumes appeared during my editorship.

Among popularizing work, I can mention one book, A Brief Guide to the Hebrew Bible, Westminster John Knox, 2010 and 2 contributions to lexicons: “Biblical Theology,” in The Cambridge Dictionary of Christian Theology, Cambridge University Press (2011), pp. 62-64 and “Bible, Hebrew,” in The Encyclopedia of Ancient History, Wiley-Blackwell (2013), pp. 1107-1109.

In The Religious Polemics of Amos (1984), I use texts in Amos as sources for the reconstruction of 8th century BCE Israelite religion. The work threw new light upon the prophetic movement in general. Further research led to a series of articles and monographs on biblical prophets.

In A Way in the Wilderness (1989), I maintain that many of the references to wilderness, water, and way have misguidedly been taken as allusions to a second Exodus. Rather, the majority of these texts refer to the new Judah after the exile. Another important outcome of my 1989 book concerns the nature of prophetic language. Whereas numerous scholars have dealt with linguistic, grammatical, and literary features of Hebrew poetry, not many have taken into consideration that metaphoric/poetic texts also have a different cognitive status from prose language.

In The Babylonian Captivity of the Book of Isaiah (1997), I attempted to demonstrate that the arguments in favour of a Babylonian setting of Isa 40-55 are untenable.

In The Myth of the Empty Land (1996), I use archaeology, economical models, and Neo-Babylonian sources to argue for continuity rather than a gap in the culture of Judah after the fall of Jerusalem in 586 BCE.

Three articles reflect my recent research. In one, I use Neo-Assyrian sources, and show how Amos 1-2 is genuinely set within the framework of the Neo-Assyrian Empire. In another, I discuss Old Babylonian texts from Mari, and show how deeply planted the Hebrew Bible is in a common Semitic culture. Finally, I discuss historiography in general (above all narrative truth) and its relationship to the Hebrew Bible.

Neemias na RIBLA

Que seja uma boa contribuição ao estudo bíblico, especialmente para o povo na América Latina, Caribe e aos latino-americanos e caribenhos na diáspora. Que sua leitura ajude a manter o coração aquecido, renove as convicções e conserve a cabeça erguida, com o olhar fixo no horizonte

RIBLA, v. 81, n. 1, 2020: Neemias

RIBLA, v. 81, n. 1, 2020: NeemiasO estudo do livro de Neemias é assunto complexo. Por um lado, porque as informações históricas que o livro traz são confusas e contrariam as informações que o livro de Esdras, seu contemporâneo, traz. E estes dois livros da Bíblia são os únicos que apresentam dados históricos a respeito do período persa, que, como visto, são ambíguos. Por outro, porque, praticamente, não existem informações extrabíblicas acerca da província Yehud do período persa. A cidade de Jerusalém do período persa nunca foi encontrada, assim também as denominadas muralhas de Neemias, bem como o templo desse período. Além de que, os artefatos encontrados em Jerusalém, cerâmica do período persa, são poucos e de má qualidade. Ou seja, existe um grande vazio arqueológico do período persa. E, para aumentar, pesquisas recentes indicam que a Yehud persa era muito pequena. Seu perímetro geográfico era bem menor do que se supunha. E, para completar, foi descoberto que o centro da coleta de tributo persa não era o templo de Jerusalém, mas Ramat Rahel, um pequeno, mas importante núcleo recentemente escavado, e que dista cerca de quatro quilômetros de Jerusalém. Enfim, o que parece evidente é de que a Jerusalém do período persa, com o seu templo, era muito pobre. Corrobora com isso o fato de que é praticamente impossível situar com relativa precisão cronológica um texto bíblico atribuído ao período persa. Tudo isso é no mínimo sintomático. São duzentos anos de pouco conhecimento histórico a respeito da comunidade judaíta desse período.

Estas informações todas colocam uma grande interrogação sobre a tendência da pesquisa moderna de situar muita literatura bíblica como tendo sido produzida no período persa. De forma que, o livro de Neemias necessita de uma nova abordagem. Em parte, o presente número da RIBLA lida com estas questões (da apresentação).

Todos os artigos estão disponíveis para download gratuito em pdf.

Sumário

Apresentação – José Ademar Kaefer

Artigos

A pax Persica: o contexto imperial persa – Luiz Alexandre Solano Rossi

Reconstrução dos muros de Jerusalém: uma aproximação arqueológica e hermenêutica de Neemias 2,1-10 – 3,1-32 – Omar João da Silva

Uma nova abordagem bíblico-arqueológica do contexto histórico do livro de Neemias – José Ademar Kaefer, Suely Xavier

Etnicidad e identidad nacional en las políticas del sacerdocio posexílico: Una relectura socio-antropológica de Nehemías 3 y 4 – Abiud Fonseca

Os inimigos de Neemias em Ne 4,1-9 – Cecilia Toseli

¿Reforma social liberadora? Una lectura crítica a Nehemías 5,1-19 – Esteban Arias Ardila

Políticas que construyen murallas y dividen pueblos: Un análisis de Nehemías 4 y 6 – Jhon Fredy Mayor Tamayo

Nacimiento del judaísmo: Nehemías 8-10 – Bernardo Favaretto

Eles proíbem o casamento, mas não podem impedir o amor. Uma leitura da proibição dos casamentos mistos em Nm 13,23-29 – Antonio Carlos Frizzo

Lembra-te, meu Deus! Uma releitura dos sistemas de poder em Neemias – Francisco Orofino

Traduções da Bíblia na revista Pistis & Praxis

Formal sempre que possível, dinâmica sempre que necessária

Pistis & Praxis, Curitiba, v. 8, n. 1, 2016: Traduções da Bíblia

Revista Pistis & Praxis, CuritibaA tradução é uma intermediação. É uma importante ponte que possibilita a comunicação entre pessoas, culturas, mundos e épocas diferentes. A tradução de qualquer expressão, seja falada ou escrita, é sempre um processo bastante exigente. Porém, em se tratando da tradução de textos sagrados, considerados “Palavra de Deus”, essa intermediação torna-se ainda mais tensa e a complexidade alcança contornos extremamente acentuados. Com efeito, traduzir a Bíblia para as línguas modernas é tarefa árdua e apaixonante, atravessada por questões não só filológicas e históricas, mas também ideológicas e hermenêuticas. Como reconhecem os tradutores mesmos, trata-se de um labor cuidadoso, muitas vezes situado na estreita fronteira entre traducere (traduzir) e tradire (trair), tendo presente os textos originais, de um lado, e os interlocutores contemporâneos, de outro. Ademais, uma boa tradução é fundamental não só para uma boa exegese, mas também para uma boa leitura da Bíblia.

A importância da tradução da Bíblia, porém, contrasta com a escassez de reflexões e produção acadêmica nessa área no Brasil, apesar de termos já uma considerável caminhada em tradução e exegese da Bíblia realizada entre nós. Elegendo a Tradução da Bíblia como tema do dossiê do presente número da revista Pistis & Praxis, o Programa de Pós-Graduação “stricto sensu” em Teologia da PUCPR tem em vista quatro objetivos: 1. Estimular o intercâmbio e a discussão acadêmica sobre a tradução da Bíblia; 2. Refletir sobre os desafios apresentados aos tradutores e tradutoras da Bíblia pelas novas configurações da história de Israel e da história da redação da Bíblia, especialmente a partir das novas proposições advindas da arqueologia nas últimas décadas; 3. Evidenciar a complexidade intercultural e inter-religiosa da exegese e da tradução da Bíblia e discutir concepções teológico-doutrinárias colonialistas, preconceituosas, intolerantes e violentas, e outros problemas encontrados em algumas das traduções existentes; 4. Analisar as ferramentas impressas e eletrônicas utilizadas nesses trabalhos, como dicionários e léxicos de línguas bíblicas, entre outras.

Deste modo, esperamos contribuir para uma melhor qualificação dos trabalhos de tradução e de exegese bíblica realizados no Brasil, bem como alavancar uma maior inserção e participação da tradução e da exegese brasileiras na produção internacional de conhecimentos nesta área (do editorial).

Todos os artigos estão disponíveis para download gratuito em pdf.

 

Sumário

Editorial – Luiz José Dietrich, Marcial Maçaneiro

Dossiê

As dimensões temporais do verbo hebraico: desafio ao traduzir o Antigo Testamento – Matthias Grenzer

Hacia una ética de liberación para la traducción bíblica – Esteban Voth

Comprar gato por lebre O “assalto” teológico à abordagem histórico-filológica da raiz br’ entre os sáculos XVIII e XX – Osvaldo Luiz Ribeiro

As traduções da Bíblia publicadas pela Sociedade Bíblica do Brasil: breve histórico e características – Vilson Scholz

Traduções bíblicas católicas no Brasil (2000-2015) – Johan Konings

“Prostituta” ou “mulher sagrada”? A tradutologia de Antoine Berman e a tradução da Bíblia – Luiz José Dietrich Dietrich

Artigos

Religiões, cristianismo e a busca de uma terra habitável – Afonso Maria Ligorio Soares

A educação para o esporte na família – Denilson Geraldo

Alteridade e embrião humano: o rosto como exigência ética de acolhimento do outro – Marcos Alexandre Alves, Edson Sallin

Feminismo, subjetividades e pluralismo: crítica teológica feminista e os desafios da realidade social latino-americana – Claudio de Oliveira Ribeiro

Bíblia e arqueologia na revista Pistis & Praxis

Revista Pistis & Praxis, Curitiba, v. 12, n. 2, 2020: Bíblia e Arqueologia

Nos últimos trinta ou quarenta anos, uma grande mudança de perspectiva frente aos textos e à história de Israel, tem sido propiciada pela moderna arqueologia realizada na Palestina. Esta deixou de ser uma “Arqueologia Bíblica”, que inclinava-se a tomar a Bíblia como referencial para interpretar seus achados, para ser uma arqueologia independente, que com apoio de uma gama de ciências envolvidas no processo de interpretação dos achados arqueológicos, tem produzido mudanças radicais na compreensão da história de Israel e do processo que originou a Bíblia.
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As pesquisas arqueológicas atualmente buscam esclarecer a situação de Judá-Israel no período do exílio e do pós-exílio. Especialmente sua capacidade de produzirRevista Pistis & Praxis, Curitiba sínteses escritas e textos que integrariam a Bíblia. Se no início desta nova forma de fazer arqueologia muitos pesquisadores afirmavam que quase toda a Bíblia teria sido produzida no período pós-exílico, para muitos, hoje, grande parte da redação dos textos bíblicos são frutos do período asmoneu.

Isso tudo impacta grandemente todo o campo dos estudos bíblicos. De forma especial impacta a concepção da História de Israel, da escrita e do caráter da Bíblia e de sua interpretação.

Hoje é patente o desafio e a necessidade de recriar uma nova narrativa histórica coerente com os estudos críticos da Bíblia, com as contribuições da exegese feminista e especialmente com a nova arqueologia. Urgente também é a revisão da compreensão dos processos que deram origem aos livros da Bíblia e de suas histórias da redação, para que consigamos interpretá-los de modo adequado aos contextos que os originaram, iluminando de modo mais profundo as práticas e as espiritualidades nos contextos atuais.

Atualmente se impõe cada vez mais a perspectiva de uma leitura descolonizada e descolonizadora da Bíblia. Isso se dá pela percepção de que a Bíblia e grande parte da história de Israel e também do cristianismo, desenvolveram-se como parte de interesses e projetos de dominação imperialista. As marcas desse processo estão presentes em muitos textos intolerantes e violentos da Bíblia e em perspectivas exclusivistas e desrespeitadoras dos direitos humanos de diversas correntes do judaísmo e do cristianismo da atualidade.

Felizmente a pesquisa bíblica brasileira vem acordando para estes aspectos e desafios e, embora com todas as dificuldades e falta de recursos que marcam muitos campos de pesquisa e ensino em nosso país, tem de modo crescente procurado colocar-se a par dos trabalhos realizados no exterior. Este Dossiê da Revista Pistis & Praxis – v.12, n.2, (2020): Bíblia e Arqueologia, composto de 10 artigos de pesquisadores(as) brasileiros(as) e estrangeiros, quer ser mais uma contribuição nestas buscas (do editorial).

Todos os artigos estão disponíveis para download gratuito em pdf.

Sumário

Editorial – Luiz Alexandre Solano Rossi, Luiz José Dietrich, Waldir Souza

Dossiê

“Um Edito” imperial e três versões de reconstruir a Yehud Persa – Antonio Carlos Frizzo

Learning to be a Biblical Scribe: Examples from the Letter Writing Genre – William M. Schniedewind

Observaciones metodológicas acerca de la arqueología bíblica y la interpretación bíblica – Aquiles Ernesto Martínez

Davi: um homem conforme o coração de Javé? – Luiz José Dietrich

Amós: narrativa, memória, cotidiano e profecia! (Anotações exegéticas e arqueológicas em Amós 1-2) – Suely Xavier dos Santos

O Exílio de Samaria – Cecilia Toseli

Análise do manuscrito pré-samaritano 4QPaleoExodm e sua relação com o manuscrito do Pentateuco Samaritano MS Add-1846 – Elcio Valmiro Sales de Mendonça

The Goddesses and Gods of Saul – Silas Klein Cardoso

YEHUD no período Persa – Luiz Alexandre Solano Rossi

Quando Judá se torna Israel – When Judah becomes Israel – José Ademar Ademar Kaefer

Artigos

Os diversos grupos matrizes formadores do povo de Israel – Andréa Bernardes de Tassis Ribeiro, Valmor da Silva

Texto e configuração poética da bênção em Nm 6,24-26 e nos rolinhos de prata de Ketef Hinnom – Matthias Grenzer, Hugo Chagas Feitosa

A preferência de Yahweh foi pelos detentores do poder (Esd 9-10) ou pelos humilhados (Rute)?: uma glosa que quis mudar tudo (Rt 4,17d-22) – Joel Antônio Ferreira

Hipótese sobre a introdução em Judá do sacrifício expiatório Gn 2,4b-3,24; 4,1-16 e 6,5- 9,17* como “eixo estrutural” de Gênesis 1-11 – Osvaldo Luiz Ribeiro

Revisitando o Prólogo Joanino – Gilvan Leite de Araújo

O evangelho da direita

Um artigo

U.S. Republicans and the Fallacy of Biblical Capitalism – By Tony Keddie – The Bible and Interpretation: August 2020

Tony Keddie, Professor de História e Literatura Cristã Primitiva na Universidade da Colúmbia Britânica, Vancouver, CanadáNo artigo “Republicanos dos EUA e a falácia do capitalismo bíblico”, Tony Keddie, Professor de História e Literatura Cristã Primitiva na Universidade da Colúmbia Britânica, Vancouver, Canadá, explica como, na corrida para a eleição presidencial dos EUA em 2020, influenciadores cristãos republicanos – líderes políticos, eruditos e pregadores – estão promovendo avidamente a ideia de que a Bíblia é um manual para o capitalismo de livre mercado. E pergunta: quais são os princípios e pressupostos dessa afirmação? Ela se enquadra nos padrões da moderna pesquisa acadêmica da Bíblia?

In the run-up to the 2020 U.S. presidential election, Republican Christian influencers—leading politicians, pundits, and preachers—are eagerly promoting the idea that the Bible is a charter for free market capitalism. What are the tenets and presuppositions of this claim? Does it hold up to the standards of critical biblical scholarship?

 

Um livro

KEDDIE, T. Republican Jesus: How the Right Has Rewritten the Gospels. Oakland, CA: University of California Press, 2020, 408 p. – ISBN 9780520356238.

Jesus ama fronteiras fechadas, armas, bebês em gestação e prosperidade econômica. E odeia homossexualidade, impostos, assistência social e saúde universal. É o queKEDDIE, T. Republican Jesus: How the Right Has Rewritten the Gospels. Oakland, CA: University of California Press, 2020, dizem muitos políticos republicanos, eruditos e pregadores. Por meio de leituras distorcidas dos evangelhos os influenciadores conservadores construíram uma versão de Jesus que fala a seus medos, desejos e ressentimentos.

Em Jesus republicano, Tony Keddie explica não apenas de onde esse Cristo de direita veio e o que ele representa, mas também por que essa versão de Jesus é uma fraude. Ao reinserir os textos do evangelho em seus contextos literários e históricos originais, Keddie desmonta a base bíblica das posições republicanas em questões polêmicas como “Big Government”, tributação, aborto, imigração e mudança climática. Ao mesmo tempo, ele apresenta aos leitores um Jesus cujas experiências de vida e ética eram totalmente diferentes das vividas pelos americanos modernos.

Contracapa

“Escrito por um especialista de primeira linha no Novo Testamento, o Jesus Republicano é um tour de force convincente: o que quer que os defensores da direita cristã possam alegar, o Jesus Republicano está radicalmente em desacordo com o Jesus dos Evangelhos. Esta é uma leitura obrigatória para nossos tempos perigosos e cheios de divisão. “- Bart D. Ehrman.

“O livro indispensável de Tony Keddie serve como palavra final sobre as tentativas republicanas de reivindicar a propriedade sobre Jesus Cristo, cujas palavras e atos reais representam uma forte condenação de quase todos os objetivos republicanos na última meia década da vida política americana.” – Reza Aslan.

“Keddie demonstra que os líderes da direita cristã, e especialmente os evangélicos da corte de Donald Trump, muitas vezes permitiram que a política moldasse sua leitura da Bíblia e não o contrário.” – John Fea.

 

Jesus loves borders, guns, unborn babies, and economic prosperity and hates homosexuality, taxes, welfare, and universal healthcare–or so say many Republican politicians, pundits, and preachers. Through outrageous misreadings of the New Testament gospels that started almost a century ago, conservative influencers have conjured a version of Jesus who speaks to their fears, desires, and resentments.

In Republican Jesus, Tony Keddie explains not only where this right-wing Christ came from and what he stands for but also why this version of Jesus is a fraud. By restoring Republicans’ cherry-picked gospel texts to their original literary and historical contexts, Keddie dismantles the biblical basis for Republican positions on hot-button issues like Big Government, taxation, abortion, immigration, and climate change. At the same time, he introduces readers to an ancient Jesus whose life experiences and ethics were totally unlike those of modern Americans, conservatives and liberals alike.

 

Contracapa

“Written by a first-rate expert on the New Testament, Republican Jesus is a compelling and no-holds-barred tour de force: whatever proponents of the Christian right might claim, the Republican Jesus stands radically at odds with the Jesus of the Gospels. This is a must-read for our divisive and dangerous times.”–Bart D. Ehrman, author of Heaven and Hell: A History of the Afterlife

“Tony Keddie’s indispensable book serves as the final word on Republican attempts to claim ownership over Jesus Christ, whose actual words and deeds stand as an eternal condemnation of nearly every Republican goal in the last half decade of American political life.”–Reza Aslan, author of Zealot: The Life and Times of Jesus of Nazareth

“Keddie makes a convincing case that the leaders of the Christian Right, and especially Donald Trump’s court evangelicals, have often allowed politics to shape their reading of the Bible and not the other way around.”–John Fea, author of Believe Me: The Evangelical Road to Donald Trump

Tony Keddie is Assistant Professor of Early Christian History and Literature at the University of British Columbia, Canada.

Classe e poder na Palestina romana

KEDDIE, A. Class and Power in Roman Palestine: The Socioeconomic Setting of Judaism and Christian Origins. Cambridge: Cambridge University Press, 2019, 374 p. – ISBN 9781108493949.KEDDIE, A. Class and Power in Roman Palestine: The Socioeconomic Setting of Judaism and Christian Origins. Cambridge: Cambridge University Press, 2019

Em Classe e poder na Palestina romana, Anthony Keddie investiga a mudança nas relações socioeconômicas na Palestina do começo da época romana, entre 63 a.C. e 70 d.C. É uma síntese atualizada de evidências arqueológicas e literárias das mudanças socioeconômicas ocorridas neste contexto e serve como um recurso valioso para estudiosos do judaísmo antigo e das origens cristãs.

 

Anthony Keddie investigates the changing dynamics of class and power at a critical place and time in the history of Judaism and Christianity – Palestine during its earliest phases of incorporation into the Roman Empire (63 BCE–70 CE). He identifies institutions pertaining to civic administration, taxation, agricultural tenancy, and the Jerusalem Temple as sources of an unequal distribution of economic, political, and ideological power. Through careful analysis of a wide range of literary, documentary, epigraphic, and archaeological evidence, including the most recent discoveries, Keddie complicates conventional understandings of class relations as either antagonistic or harmonious. He demonstrates how elites facilitated institutional changes that repositioned non-elites within new, and sometimes more precarious, relations with privileged classes, but did not typically worsen their economic conditions. These socioeconomic shifts did, however, instigate changing class dispositions. Judaean elites and non-elites increasingly distinguished themselves from the other, through material culture such as tableware, clothing, and tombs.