Maconha e incenso em santuário judaíta de Arad

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O altar onde a maconha foi encontrada, junto com um segundo altar no qual incenso era queimado, ficava na entrada de um recinto onde presumivelmente eram realizados rituais religiosos dentro de uma fortaleza do reino de Judá. Análises anteriores de cerâmica recuperada e eventos históricos documentados no local indicam que o santuário foi usado por volta de 760 a 715 a.C. Escavações em Tel Arad, Israel, na década de 1960, descobriram o santuário em meio às ruínas de duas cidades fortaleza, uma construída sobre a outra, que datam do século IX a.C. até o início do século VI a.C. Arad, cerca de 45 quilômetros a oeste do Mar Morto, guardava a fronteira sul de Judá.

 

Maconha era usada em rituais judaicos na antiguidade, diz estudo – BBC News Brasil – 29 maio 2020

Judeus na antiguidade usavam maconha em seus rituais religiosos, segundo um novo estudo.

Uma substância em bom estado de preservação foi encontrada em um templo de 2,7 mil anos de idade no sítio arqueológico de Tel Arad, na região central de Israel.

Uma seção do santuário de mais de 2.700 anos de idade em Arad, reconstruída a partir de achados arqueológicos originais para exibição no Museu de Israel, em Jerusalém, inclui dois altares, um com resíduo de incenso (à esquerda) e outro com resíduo de cannabis (à direita). Israel Antiquities Authority Collection, photo © The Israel Museum, Jerusalem, by Laura Lachman

Ela foi identificada pelos cientistas como maconha e continha inclusive o composto psicoativo da cannabis, o THC.

Os pesquisadores afirmam que a maconha pode ter sido queimada para induzir nos fiéis um estado alterado de consciência.

Esta é a primeira evidência de drogas psicotrópicas sendo usadas em um ritual religioso judaico na antiguidade, de acordo com a imprensa israelense.

O templo foi encontrado no deserto de Negev, a cerca de 95 km ao sul de Tel Aviv, na década de 1960.

Como foi feita a descoberta

No estudo, publicado no jornal arqueológico da Universidade de Tel Aviv, os arqueólogos dizem que dois altares de calcário foram achados enterrados no santuário.

Graças a isso e ao clima seco, os resíduos de cannabis foram preservados no topo desses altares.

Também foi encontrado incenso em um altar, o que não surpreende por sua importância em textos sagrados, disseram os autores do estudo ao jornal israelense Haaretz.

No entanto, o tetra-hidrocanabinol (THC), canabidiol (CBD) e canabinol (CBN), que são compostos encontrados na maconha, foram identificados no segundo altar.

O estudo acrescenta que as descobertas em Tel Arad indicam que a maconha também teria sido utilizada em cultos no Primeiro Templo de Jerusalém.

Isso porque, na época, o santuário em Arad fazia parte de uma fortaleza no topo de uma colina na fronteira sul do Reino de Judá que teria correspondência, em uma versão em menor escala, com descrições bíblicas do Primeiro Templo.

Os restos do templo em Jerusalém agora estão inacessíveis para os arqueólogos, então, eles estudam Arad e outros santuários semelhantes para entender como se dava a adoração no templo maior.

 

A biblical-era Israeli shrine shows signs of the earliest ritual use of marijuana – By Bruce Bower – Science News: May 28, 2020

Chemical analyses of residue from an altar reveal a cannabis–animal dung mixture

A limestone altar from an Iron Age shrine in Israel contains remnants of the world’s earliest known instance of burning cannabis plants in a ritual ceremony, a new study finds.

This altar, along with a second altar on which frankincense was burned, stood at the entrance to a room where religious rites were presumably held inside a fortress of the biblical kingdom of Judah. Previous analyses of recovered pottery and documented historical events at the site indicate that the shrine was used from roughly 760 B.C. to 715 B.C.

Excavations at Israel’s Tel Arad site in the 1960s uncovered the shrine amid the ruins of two fortress cities, one built atop the other, that date from the ninth century B.C. to the early sixth century B.C. Arad, about 45 kilometers west of the Dead Sea, guarded Judah’s southern border.

Chemical analyses of dark material on the two altars’ upper surfaces conducted in the late 1960s proved inconclusive. Using modern laboratory devices, a team led by archaeologist Eran Arie of the Israel Museum, Jerusalem and bioarchaeologist Dvory Namdar of Israel’s Agricultural Research Organization – Volcani Center in Bet-Dagan analyzed chemical components of residues on each altar.

Cannabis on the smaller of the two altars had been mixed with animal dung so it could be burned at a low temperature, likely allowing ritual specialists to inhale the plant’s mind-altering fumes, the researchers report online May 29 in Tel Aviv, a journal published by Tel Aviv University’s Institute of Archaeology. This cannabis sample contained enough of the plant’s psychoactive compound THC to have induced an altered state of consciousness by breathing in its fumes.

Frankincense, a form of dried tree resin, was placed on the larger altar and mixed with animal fats that enabled burning at temperatures high enough to release the resin’s fragrance, the researchers say.

Biblical and historical texts indicate that frankincense and another fragrant tree resin, myrrh, reached the Iron Age Middle East and surrounding regions via trade from southern Arabia.

“But cannabis is completely new for understanding incense burning in this region, and in Judah in particular,” Arie says. Earlier evidence had pointed to the use of other mind-bending substances, such as opium, during religious rituals in various parts of the ancient Middle East and southwest Asia.

Arie suspects cannabis plants were cultivated far from Israel, in what’s now China or southeastern Russia. Knowledge of cannabis, or marijuana, probably spread from eastern and central Asia to Europe along early Silk Road trade routes, says archaeobotanist Robert Spengler of the Max Planck Institute for the Science of Human History in Jena, Germany. Mourners at a cemetery in western China inhaled cannabis fumes around 2,500 years ago (SN: 6/12/19).

It’s unclear how Middle Easterners learned about and acquired potent forms of cannabis, Spengler says. Discoveries at the Arad shrine, he says, “further complicate the early story of cannabis.”

Many Iron Age altars at Middle Eastern sites resemble the two at Tel Arad, says archaeologist Shimon Gibson of the University of North Carolina at Charlotte. The new report provides the first direct evidence that incense, sometimes including cannabis, was burned on at least some of those altars, he suggests. “It’s interesting to think of the priests officiating at these altars getting ‘high,’” Gibson muses.

 

Citations

E. Arie, B. Rosen and D. Namdar. Cannabis and frankincense at the Judahite shrine of Arad. Tel Aviv. Published online May 29, 2020. doi: 10.1080/03344355.2020.1732046.

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