Pesquisa Ibope II: Lula sobe, Alckmin desce

Lula abre vantagem de 21 pontos sobre Alckmin, diz Ibope

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva – candidato à reeleição do PT – está 21 pontos à frente do adversário Geraldo Alckmin (PSDB), segundo pesquisa Ibope divulgada no “Jornal Nacional” desta sexta-feira. Na pesquisa anterior, a diferença entre os dois candidatos era de 12 pontos. De acordo com a pesquisa divulgada hoje, a taxa de intenção de voto em Lula é de 57%. Na pesquisa anterior, ele tinha 52%. A taxa de intenção de voto em Alckmin foi de 36% – ele tinha 40% no levantamento anterior. Considerando apenas os votos válidos – que exclui brancos, nulos e indecisos -, o candidato do PT à reeleição tem 62% contra 38% do tucano. Anteriormente, Lula tinha 57% dos votos válidos contra 43% do tucano (cont.)

Folha Online: 20/10/2006

Lula x Alckmin no SBT

“Civilizado”, debate não deve virar votos

… o debate do SBT deverá ter pouca influência na disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) … Houve um relativo equilíbrio entre momentos de ofensiva e defensiva de ambos os candidatos. Nessa toada, o petista tende a ser favorecido por ter ampliado na última semana a dianteira nas pesquisas _20 pontos percentuais de intenção de votos válidos sobre tucanos no Datafolha divulgado na terça-feira… Em resumo, foi um debate mais “civilizado”, sem a agressividade do debate anterior. Não parece ter sido um evento capaz de produzir grandes viradas de voto no eleitorado… O retorno ao figurino bom moço no debate do SBT e na campanha de TV levantam uma questão: Alckmin já não jogaria para tentar sair da eleição maior do que entrou? Já não estaria pensando acumular forças para se reapresentar em 2010?

Pensata – Kennedy Alencar

Folha Online: 19/10/2006

Madeira defende sua tese de doutorado em Filosofia em Leuven, Bélgica

Recebo de meu amigo João Madeira, vindo de Leuven, Bélgica, o seguinte e-mail:

“Perhaps you’ve been asking yourselves why you haven’t seen me or heard from me for ages. If you want to know the reason I suggest you visit the following site

https://www.kuleuven.be/doctoraatsverdediging/cm/3H05/3H050631.htm

It will be very nice if you can attend my phd defence but if you can’t make it, you could at least show up in a small party at ‘El Peligroso’ at Sint Jacobsplein (Sint Hubertusstraat 3) in Leuven on 17 november around 9 pm”.

Portanto, no dia 16.11.2006, às 11h00, Madeira estará defendendo sua tese de doutorado em Filosofia. Que tem por título Pedro da Fonseca’s Isagoge Philosophica and the Predicables from Boethius to the Lovanienses.

Boa sorte, meu amigo. Será um grande dia, dia de festa. De Jacuí para o mundo. Viva Minas Gerais.

Pesquisa Vox Populi II: Lula sobe, Alckmin desce

Folha Online: 19/10/2006 – 20h18

Diferença entre Lula e Alckmin sobe para 20 pontos, aponta Vox Populi

A diferença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que concorre à reeleição, e o candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, subiu de dez para 20 pontos percentuais, de acordo com a pesquisa de intenção de voto realizada pelo Vox Populi, divulgada na noite desta quinta-feira pelo “Jornal da Band”. A sondagem revela que Lula tem 57% de votos contra 37% de Alckmin. A pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 17 deste mês, mas o instituto não divulgou quantos eleitores foram ouvidos, em quantos municípios foi aplicada a pesquisa e qual é a margem de erro. Na enquete anterior, divulgada há uma semana, Lula aparecia com 51% dos votos e o tucano com 41%. O total de eleitores que vão votar em branco ou nulo no segundo turno continua em 3%. O total de indecisos diminuiu de 4% para 3%. O levantamento do instituto aponta que a diferença entre os dois candidatos é ainda maior – de 22 pontos percentuais – quando somados os votos válidos. Lula tem 61% dos votos válidos, enquanto Alckmin, 39%. A pesquisa, encomendada pela revista “Carta Capital”, confirma o distanciamento entre os dois candidatos já apontado pelo Datafolha (cont.)

CartaCapital: 18 de outubro de 2006 – n. 415

Lula Avança

A dez dias do segundo turno, a nova pesquisa CartaCapital/Band/Vox Populi aponta a melhora do desempenho do candidato do PT junto à elite e reafirma sua força junto ao eleitorado pobre. Cada vez mais forte junto ao eleitorado pobre (70% a 22%, na pesquisa estimulada), Lula avança sobre os redutos de classe média alta (45% para ele, 47% para Geraldo Alckmin, ou seja, dentro da margem de erro) e melhora seu desempenho até mesmo no topo da pirâmide social (41% a 52%). Esta é a mudança mais significativa que a pesquisa CartaCapital/Band/Vox Populi sintoniza, a dez dias do segundo turno da eleição presidencial. Em todo o Brasil, o resultado da pesquisa estimulada dá 20 pontos de frente para o candidato à reeleição: 57% para Lula, 37% para Alckmin. Ou 61% a 39% nos votos válidos. Outro indicador importante da pesquisa CartaCapital/Band/Vox Populi: mais de 90% dos eleitores dizem que não pretendem mudar o voto.

James Barr: 1924-2006

Faleceu no dia 14, sábado passado, James Barr, um dos grandes biblistas do século XX.

 

James Barr

Radical academic whose incisive critiques challenged the orthodoxies of biblical theology

Professor James Barr, who has died aged 82, was one of those few academics to whom it is given to write a book that changes the way a whole discipline is pursued. The fact that the discipline was biblical theology and that the book was only the first of many brings the scale of his achievements into even sharper focus.

In the middle of the 20th century the biblical theology movement was at its height. Alongside its insistence that God revealed himself uniquely in the history of Israel, it also developed a substructure for its work on the nature of biblical language, whereby a major word, such as “holiness” or “justification”, gathered more and more allusions as it was used in different contexts until it became the bearer of a whole theological concept. A major dictionary could take many pages to unpack such a word, the whole made more complicated by the fact that it moved from the Hebrew of the Old Testament to the Greek of the New.

Barr’s book The Semantics of Biblical Language brought that whole juggernaut to a halt. Published in 1961, it came like a bolt out of the blue. In it he exposed the fallacy of thinking that a people’s mentality can be read straight off from their language, that the meaning of words is more determined by their ancient etymology than their current usage, and that peculiarities of use in one context can somehow be transferred to all uses everywhere thereafter.

This critique bore all the hallmarks of Barr’s later work – a devastatingly incisive exposure of faulty method with pertinent examples that sometimes caused great hurt to the individuals involved, focus on a linguistic topic of great importance for the proper interpretation of the Bible, and a concentration on analysing and correcting how people did things rather than a concern to show the results of proper method.

Born in Glasgow into a relatively conservative church family, Barr was educated at Daniel Stewart’s College in Edinburgh and then at the city’s university. His studies were interrupted by war service in the Fleet Air Arm of the Royal Navy, piloting torpedo bombers and participating in air-sea rescue missions. Following ordination, he served for two years as a Church of Scotland minister in Tiberias, Israel. His first academic post was as professor of New Testament in Montreal (1953-55), but he returned after that both to Edinburgh and to the Old Testament until 1961, the year in which The Semantics of Biblical Language was published. With hindsight, it is not surprising that he should have left for Princeton Theological Seminary in that same year. Not only were some of his closest colleagues on the receiving end of his criticisms, but by now he had become disaffected with the type of theology, inspired by Karl Barth, that then held sway there.

Returning to the UK in 1965 as professor of Semitic languages and literature in Manchester, he produced another major book, Comparative Philology and the Text of the Old Testament (1969), which was almost as influential as his first. For decades it had been popular to propose new meanings for Hebrew words on the basis of their cognates in related Semitic languages. A method that in itself could be fruitful had gone to seed, and this was just the sort of topic that Barr could analyse and for which he could suggest tighter methods and controls.

From Manchester, Barr moved to Oxford, first briefly to the Oriel chair (basically Old Testament) from 1976 to 1978, and then across to the Regius chair of Hebrew with a studentship at Christ Church (1978-89). By now his reputation was assured, and he travelled extensively, giving many named lecture series, and collecting more honorary degrees and fellowships than some colleagues considered decent. He continued to write influentially on a range of linguistic, biblical and theological topics, including fundamentalism, the nature of the early translation of the Hebrew Bible into Greek, the variable spelling conventions of classical Hebrew, the role of biblical narrative as story rather than mere history in theological construction, and more.

His interest in biblical theology continued unabated. After initially seeing hope of a sound replacement for the older approach in the developing ideas of canonical criticism, he then turned on its originators in Holy Scripture: Canon, Authority, Criticism (1983), again causing no little distress.

So much pioneering research and travel had its costs. Although he is remembered as an inspiring lecturer, undergraduate students were left too much to their own devices. Moreover, for a scholar of his eminence, he trained very few doctoral students. The chair in Manchester was discontinued after his departure, while in Oxford posts in Hebrew were cut drastically in the 1980s and the subject came close to being dropped. There is no doubt that Barr enjoyed Oxford, and many in Oxford enjoyed him. Contrary to the image one might gain from his writings, he is remembered at Christ Church as the most convivial of company. It was thus something of a surprise when he took (slightly) early retirement to move to Vanderbilt University in Nashville, Tennessee, where he taught from 1989 to 1998.

Of the several further books from this period, note may be taken of two in particular, in which Barr worked in a refreshingly positive manner: The Garden of Eden and the Hope of Immortality (1990) includes much interesting exegesis of the opening chapters of Genesis with far from conventional results, and Biblical Faith and Natural Theology (1993), based on his Gifford lectures, puts the case that the Bible includes full acknowledgement of the value of natural theology; this necessarily included a return to a renewed attack in vintage style on the theology of Barth.

Other late works dealt with the problem of writing biblical theology (stronger on critique than constructive proposal), and then, as something of a swan song, came a brief work in which the radical Barr suddenly appeared to be more conservative as he sought to take stock of where Old Testament studies had moved to during his career. This includes the remarkable confession that he could not accept a radical historical conclusion on theological grounds; such a confession would not have passed muster in 1961.

He died in California, where he and Jane, his devoted wife of more than 50 years, had settled in retirement. She survives him, as do their two sons and one daughter.

· James Barr, theologian, born March 20 1924; died October 14 2006

Fonte: HGM Williamson – The Guardian: 8 Nov 2006

 

The Rev Professor James Barr

Semitist whose technical approach to the Hebrew Bible changed the methods of biblical exegesis

James Barr, Semitist, biblical scholar, theologian and minister of the church: born Edinburgh 20 March 1924; ordained 1951 minister of the Church of Scotland; Professor of New Testament Literature and Exegesis, Presbyterian College, Montreal 1953-55; Professor of Old Testament Language, Literature and Theology, Edinburgh University 1956-61; Professor of Old Testament Literature and Theology, Princeton Theological Seminary 1961-65; Professor of Semitic Languages and Literatures, Manchester University 1965-76; Oriel Professor of the Interpretation of Holy Scripture, Oxford University 1976-78, Regius Professor of Hebrew 1978-89 (Emeritus); Fellow, Oriel College, Oxford 1976-78, Honorary Fellow 1980-2006; Student of Christ Church, Oxford 1978-89; Professor of Hebrew Bible, Vanderbilt University 1989-98, Distinguished Professor 1994-98 (Emeritus); married 1950 Jane Hepburn (two sons, one daughter); died Claremont, California 14 October 2006.

When James Barr’s The Semantics of Biblical Language was published in 1961, a new epoch began for all those who wished to study the languages of the Bible. That book came to be regarded as one of the leading publications in the field of biblical scholarship for the rest of the 20th century. It was often translated, but not only into Western languages – visitors to Barr’s home would sometimes be shown copies rendered into Indonesian or another exotic tongue.

The Semantics of Biblical Language appeared just as Barr was moving on from the Chair of Old Testament, Language and Theology at his Alma Mater, Edinburgh. He went on to become Regius Professor of Hebrew at Oxford University and ended his career as Distinguished University Professor at Vanderbilt University in Nashville, Tennessee.

He traced the relevance of his arguments for theology in his semi-popular Biblical Words for Time (1962). He then took some of his insights significantly further in 1968 with Comparative Philology and the Text of the Old Testament, in which he demonstrated an impressive competence in all the languages of the Semitic family, as well as expertise in correcting false procedures in linguistic argument. From that time onwards, a sounder methodological approach to biblical comparative lexicography and semantics had been established.

The breadth of Barr’s scholarship was remarkable, but he distinguished himself also with meticulous observations about the textual tradition of the Bible itself, in works like The Typology of Literalism in Ancient Translations (1979) and The Variable Spellings of the Hebrew Bible (1986). He was ranked among the foremost of Septuagint and Masoretic scholars.

Barr’s brilliance in Semitic linguistics and his technical approach to the Hebrew Bible and the Septuagint led to his penetrating critique of so-called canonical criticism, as for example in his Holy Scripture: canon, authority, criticism (1983). But this expertise advanced side by side with a series of books concerned with the wider world of theology. It is hard to think of any other scholar in this field who could combine vast erudition with profound insight and an exemplary and lucid style of English. Barr was deeply concerned with the role of the Bible in modern society, and he had the rare privilege of seeing several of his books become bestsellers.

After returning from one of his many research visits to North America, Barr felt constrained to launch into an intellectual debate with some of the standard arguments formulated by writers whom the British public labelled “conservative evangelical”. The appearance of Fundamentalism (1977), which was later to be followed by Escaping from Fundamentalism (1984), was misunderstood by some as a dispassionate attack against the grounds of their faith.

In fact, those who knew Barr (such as F.F. Bruce, a friend and colleague in Barr’s years as Professor of Semitic Languages and Literatures at Manchester University, 1965-76) knew that the impetus for the book was to set a conservative faith in an acceptable context for an intellectual enquirer. He had felt persuaded in this aim by some of his conversations with many younger biblical scholars who had found serious difficulties in this regard. When Barr debated the matter openly with his opponents one evening in Oxford at All Saints’ Church, not surprisingly the meeting was well attended.

At Oxford University, Barr was first appointed in 1976 to the Oriel Professorship but a little while later, in 1978, was invited to move to the Regius Chair of Hebrew. During those years he spent much time with a team of other scholars on preparing material for a new dictionary of the Hebrew Bible. He had inherited this task from some of his predecessors and progress had been unacceptably slow. Although the project after prolonged discussion was aborted by Oxford University Press, the files were handed over to the team in charge of the Revised English Bible, and so some of his work will have been embodied there.

Barr was born in Edinburgh in 1924, the son of the Rev Professor Allan Barr, Professor of New Testament at the Joint Congregational and United Free Church College in Edinburgh. Following studies in Classics and Theology, interrupted by Second World War service when he piloted torpedo bombers in the Fleet Air Arm of the Royal Navy, James Barr graduated from Edinburgh University in 1951. Ordained by the Presbytery of Dunfermline and Kinross in 1951, he served as Church of Scotland minister in Tiberias, Israel, for almost three years; then, after two years at Presbyterian College in Montreal, he was appointed in 1955 as Professor of Old Testament Literature and Theology at Edinburgh University.

There were those who regarded Barr as aloof, but in fact this was simply a natural Scottish reserve. He was a warm friend and a good colleague. Those who took time to get to know him well realised that what meant more to him than all his academic honours was his family. He held numerous honorary degrees and visiting professorships, and was elected to fellowship of the British Academy (1969), the Göttingen Academy of Science (1976), the Norwegian Academy of Science and Letters (1977), the Royal Society of Sciences, Uppsala (1991), the American Academy of Arts and Sciences (1993) and the American Philosophical Society (1993). But, as his elder son, Allan, said at his memorial service held in Claremont, California,

Probably none of his honorary degrees gave him as much happiness as his drives up the Delaware River valley to visit his daughter, his strolls through the streets of Claremont with his first grandchild, or his journeys to London to check on his seemingly endless proliferation of grandsons.

Even so, Barr showed himself devoted to scholarship in the last years of his life. As he approached the “three score and ten” time-line he published Biblical Faith and Natural Theology (1993), an important work that supports the idea of “natural theology” and argues that the concept is found in the Bible itself. This was followed by The Concept of Biblical Theology (1999), a massive overview of the progress of the important and ongoing debate about “Biblical Theology” in the 20th century. As if that were not enough, one year later we could read History and Ideology in the Old Testament (2000). Here, Barr demonstrates that he is well-read in the recent history debate, and he points to some of the weaknesses of the arguments used in the discussions.

During the last difficult months of his life Barr had to cope with the after-effects of a very serious fall suffered while attending a conference in Philadelphia. But it is typical of him that to the very end he was looking for new projects. Left on his desk was the beginning of a major work about prophecy.

Fonte: Hans M. Barstad – The Independent: 11 November 2006

A imprensa brasileira e suas tramas golpistas

No blog O biscoito fino e a massa, de Idelber Avelar, Professor no Departamento de Espanhol e Português da Tulane University, New Orleans, LA, USA, leia o post de 16 de outubro de 2006 sobre o papel da imprensa brasileira neste segundo turno das eleições.

A explícita campanha eleitoral da mídia brasileira

Que duas das últimas quatro capas da revista Veja demonstrem claramente que ela está empenhadíssima na campanha de Alckmin não deve surpreender. A Veja há tempos perdeu qualquer respeitabilidade como veículo de comunicação com pretensões à isenção: matérias insultantes, moleques caluniadores assinando colunas, versões fantasiosas dos fatos e grosseira parcialidade na cobertura são o prato de toda semana nessa que é ainda, tristemente, a mais vendida revista semanal brasileira.

Mas do maior jornal brasileiro costumávamos esperar um pouco mais. Sim, é fato sabido que a Folha de São Paulo foi parte integrante do golpismo anti-Jango de 1961 a 1964; também é abundantemente sabido que esse jornal emprestava suas C-14 para recolher torturados durante a ditadura militar; é igualmente de conhecimento público que o Sr. Frias apoiava de forma explícita a mais sinistra opção para a sucessão de Ernesto Geisel, o general linha-dura e delirantemente fascista Sílvio Frota, comandante do Exército; é também sabido que durante os oito anos de FHC a Folha, com raríssimas exceções, abriu mão completamente do papel investigativo da imprensa ante as suspeitas privatizações realizadas pelo tucanato. Tudo isso é fartamente sabido.

Se o seu suplemento literário já há tempos perde de goleada do “Prosa e Verso”, do Globo, na cobertura política acostumamo-nos a esperar um mínimo de decência e imparcialidade da Folha. Nesta campanha eleitoral, no entanto, ante a vantagem de Lula e a perspectiva de outra derrota eleitoral dos seus queridos tucanos, a Folha resolveu arregaçar as mangas e entrar na campanha de cabeça. Já não fazem qualquer questão de escondê-lo. A deturpação, parcialidade e manipulação de manchetes estão chegando às raias do que seria de se esperar da Veja.

No caso do dossiê anti-Serra que foi decisivo para a realização do segundo turno, a imprensa brasileira simplesmente omitiu que conseguiu as tão desejadas fotos do dinheiro através de uma mentira de um delegado (“tomem, mas vou mentir aos superiores dizendo que foi vazado da minha escrivaninha; tem que sair no Jornal Nacional, viu?”). Não há defesa de sigilo de fonte que justifique a omissão de que a foto havia sido conseguida através de procedimento criminoso. Josias de Souza, com a desonestidade própria aos que se dedicam a servir os poderosos, acha normal a omissão das circunstâncias em que se conseguiu a foto, normal o esquecimento de qualquer pergunta sobre o conteúdo do dossiê, normal a omissão do fato de que a campanha tucana havia chegado ao local antes da PF. Há que se reconhecer um mérito naquele blog: o blogueiro leva uma surra diária dos seus leitores e continua lá, fazendo sua campanha, incólume. Enquanto isso, lembremos: Soninha continua proibida de falar de política em seu blog. folha-14.jpg

As manchetes da Folha nesta última semana parecem saídas do Pravda. Depois da declaração do coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, de que fiizemos alguns reajustes importantes que vão nos dar hoje uma situação mais equilibrada. Não precisaremos dar os pinotes que foram necessários para, entre outras coisas, atender à necessidade do nosso funcionalismo público, a Folha estampou na capa do dia 14: PT vai dar reajuste menor a servidor se vencer a eleição. Esqueceram-se de dizer, claro, que os reajustes dados no governo Lula foram infinitamente superiores aos dos oito anos de FHC. Ante a declaração de campanha do presidente Lula, de que querem privatizar o que resta neste país. Como eles nunca trabalharam, querem vender o que têm, o jornal, no dia 13, escolhia como manchete: Lula insiste em dizer que Alckmin vai privatizar Petrobras, BB e Caixa.

Prestem especial atenção aos verbos e substantivos que não são de responsabilidade do entrevistado ou da fonte, mas de escolha do jornal: ante a notícia de que a votação de Lula foi de 93% na cidade de Manaquiri (AM), onde 75% das famílias recebem o Bolsa-Família, a Folha estampou, no dia 08, a manchete: Medo é cabo eleitoral de Lula no Amazonas. Não, leitor, você não está delirando. A manchete foi essa mesma. Na discussão sobre a dimensão privatista do programa de Alckmin – sobre o qual, diga-se de passagem, ele ainda não disse nada – a Folha, no mesmo dia 08, estampou a incrivelmente cretina manchete: PT ressuscita chavões de oposição para atacar tucano. “Ressuscita chavões?” Desde quando chavão em política é exclusividade de alguém? E desde quando um jornal relata a versão de sua fonte com esses termos grosseiros? O outro lado da mesma notícia? Sim, o outro lado aparece, claro, na manchete Alckmin nega que fará privatizações e reprova petistas. Note-se o óbvio: a versão de Alckmin é dada com palavras dele. A versão do PT é caracterizada na manchete como “ressureição de chavões”, numa grotesca paráfrase que poderia ter sido tirada de um panfleto do . . . do . . . próprio Alckmin! É a “imparcialidade” do jornal.

Será que é preciso ter um doutorado em retórica para perceber o que está em jogo aqui? Acredito que não. Acho, inclusive, que o grosso do povão já o percebeu. O sentimento anti-imprensa no Brasil está chegando a níveis comparáveis aos tempos do bordão o povo não é bobo / abaixo a Rede Globo, com que os pobres profissionais da organização eram saudados nos comícios das diretas em 1984, depois que o “jornalista” Roberto Marinho publicou sua carta de louvor à ditadura.

É urgente uma CPI da mídia no Brasil. Quando e se ela acontecer, a última coisa que vou querer ouvir é algum jornalista reclamando, “ai, meu Deus, é censura!”

Pesquisa Datafolha II: Lula sobe, Alckmin desce

Datafolha confere à eleição ares de jogo jogado

Comece-se anotando o óbvio: pesquisa não é urna. Feita a ressalva, acrescente-se o ululante: a pesquisa Datafolha divulgada há pouco dá à disputa presidencial a aparência de um jogo jogado. Lula está com a mão na faixa. A escassos 12 dias do segundo turno, o índice de intenções de voto de Lula subiu de 51% para 57%. Geraldo Alckmin caiu de 40% para 38%. Considerando-se apenas os votos válidos (excluídos nulos, brancos e eleitores indecisos), Lula obtém 60% dos votos, contra 40% atribuídos a Alckmin. A diferença em favor de Lula é agora de 20 pontos percentuais. A menos que ocorra alguma nova “alopragem” petista, só um milagre pode levar Alckmin a prevalecer sobre Lula no próximo dia 29 de outubro. O “efeito dossiêgate” parece ter sido absorvido pelo eleitorado. Lula tem agora um prestígio maior do que o que tinha antes do escândalo. O tucanato já havia farejado o cheiro de queimado. A distância que separa Alckmin de Lula aumentou também na pesquisa telefônica diária que o Ibope realiza por encomenda do comitê tucano (cont.)

Escrito por Josias de Souza no blog Nos bastidores do poder em 17/10/2006 às 21h15

Estudos sobre o antigo Irã

Conheça o site Circle of Ancient Iranian Studies (CAIS).

Este site é um espaço para o intercâmbio de informações sobre arte, arqueologia, cultura e civilização dos povos iranianos. Artigos sobre o antigo Irã, notícias diárias sobre descobertas arqueológicas, entre outras coisas, são recursos que podem ser encontrados na página. Um museu virtual traz interessantes fotos do mundo iraniano antigo, como a inscrição de Behistun de Dario I.

The Circle of Ancient Iranian Studies (CAIS) act as a forum for the exchange of information about the art, archaeology, culture and civilization of Iranian peoples.

Eu quase que nada sei, mas desconfio de muita coisa

Delegado combinou com jornalistas versão sobre o vazamento de fotos

Desde o dia 2 de outubro, está no site do jornalista da TV Globo Luiz Carlos Azenha a informação de como se deu a entrega do CD com as fotos do dinheiro apreendido com os petistas patetas no Hotel Íbis. O título da reportagem não deixa dúvidas sobre como tudo aconteceu. Leia, a seguir, trechos retirados do site:

‘Delegado combinou com jornalistas versão sobre o vazamento de fotos’
O delegado Edmilson Bruno, da Polícia Federal, foi enfático ao ser confrontado por repórteres diante do prédio da Polícia Federal: era inocente da acusação de ter vazado as fotos do dinheiro apreendido com petistas.
Algumas horas antes, ele havia se encontrado sigilosamente com quatro repórteres para dar um CD que continha as imagens.
Pediu que cópias fossem feitas e distribuídas.
Pelo menos dois dos repórteres que se encontraram com o delegado deixaram o gravador ligado durante a conversa.
Tive [Azenha] acesso ao conteúdo da gravação. O som é nítido.
O delegado explica que, no dia anterior, tinha participado da perícia do dinheiro apreendido:
– Os peritos tiraram fotos e eu também tirei – [delegado Edmilson Bruno].
Edmilson contou aos jornalistas como pretendia explicar ao chefe a aparição das fotos na mídia:
– Alguém que roubou e deu para vocês, disse ele.
Os repórteres pouco falaram. Ninguém protestou contra a versão ensaiada pelo delegado:
– O que vai parecer? Que alguém roubou e vazou na imprensa.
O delegado disse aos repórteres que o superintendente da PF em São Paulo e o delegado encarregado do caso não sabiam da existência das fotos.
É difícil descrever o ambiente a partir da gravação de algumas vozes, embora as palavras fossem nítidas.
Ficou claro que o delegado tinha pressa, que queria espalhar as fotos e que contava com a ajuda dos quatro jornalistas para fazer isso.
(…)
Não havia repórter da TV Globo entre os jornalistas que se reuniram informalmente com o delegado, numa calçada.
Edmilson Bruno parecia preocupado com o momento certo para divulgar as fotos.
Em uma coisa foi enfático:
– Tem que sair hoje à noite na TV. Tem que sair no Jornal Nacional.

 

O dossiê do dossiê Vedoin/Serra/Barjas

Meu implacável amigo Saul Leblon traçou o seguinte roteiro:

1. Na sexta-feira, 15 de setembro, data marcada pelos Vedoins para entrega do dossiê Serra/Sanguessuga a um grupo de petistas, num hotel em SP, o delegado de plantão na PF na capital paulista era Edmilson Pereira Bruno

2. O delegado prendeu os petistas em flagrante no hotel Ibis.

3. Antes mesmo que os presos fossem conduzidos à sede da PF, em SP, uma equipe de TV da produção do programa do candidato Geraldo Alckmin já estava a postos no local, para filmar a chegada dos detidos e usar as imagens no horário eleitoral do tucano. A equipe de Alckmin demonstrou agilidade superior a de qualquer órgão da grande imprensa, no principal centro jornalístico do país.

4. No dia 18, três dias depois desses acontecimentos, o delegado Bruno foi afastado do caso após declarar que o suposto dossiê Serra/Sanguessuga continha mais de duas mil folhas e implicava todos os partidos. Na verdade, o que tinha mais de duas mil folhas era o inquérito que investigava a ação dos sanguessugas em Cuiabá.

5. Dez dias depois, na quinta-feira, dia 28, o mesmo delegado Bruno invade uma sessão de perícia na qual dois técnicos da PF fotografavam o dinheiro supostamente utilizado para comprar o dossiê Serra/Sanguessuga.

6.O delegado Bruno alega aos peritos que havia sido reconduzido ao caso. Enquanto eles realizavam seu trabalho, o delegado sacou uma máquina digital e fez 23 fotos do dinheiro

7. Nos dias anteriores, à medida em que se aproximava a data do pleito e a vitória de Lula no primeiro turno mostrava-se cada vez mais provável, o candidato Alckmin e todo o PSDB, bem como seus ventríloquos na mídia, elevaram o tom das cobranças. A artilharia tucano-pefelê-midiática, centrava fogo em duas cobranças: a liberação das fotos do dinheiro pela PF e a presença de Lula no debate da Globo, marcado para o dia 28, quinta-feira, à noite.

8. Lula, na última hora, decidiu não ir ao debate prevendo um “massacre orquestrado” da oposição contra o seu governo.

9. O Presidente escapou do massacre, que de fato ocorreu, e teve ampla repercussão no JN e nos diários. Mas não escapou das fotos.

10. Na sexta-feira, dia 29, pela manhã, o delegado Bruno pessoalmente entregou cópias em CDs das fotos que havia feito a três jornalistas em frente do prédio da PF, em SP. Sequer marcou um encontro em local mais discreto. Segundo o jornalista Bob Fernandes do site Terra Magazine, teria explicado assim seu gesto aos repórteres: “Quero f… com o Lula e o PT”.

11. No mesmo dia, quando as fotos já circulavam na Internet — divulgadas pela Agência Estado– o delegado procurou superiores e informou: “Estou desesperado. Pegaram uma cópia das fotos que eu havia feito”.

12. Pouco depois, em entrevista à mesma Agência Estado que havia distribuído as fotos e sabia sua origem, o delegado Bruno afirmou: “Estão veiculando que eu cedi o CD. Eu não cedi este CD. Eu não sei se é para me prejudicar ou não. Não sei quem foi o autor do crime, mas não fui eu que distribuí o CD”. O delegado afirmou ainda nessa entrevista, divulgada amplamente por um veículo que sabia de antemão a versão verdadeira, que as fotos haviam sumido do seu arquivo pessoal.

13.No sábado, dia 30, as fotos dominaram o noticiário das TVs e as primeiras páginas de todos os jornais. No Globo, a foto ocupou mais de metade da pág. frontal. A Folha foi além e optou por uma composição grotesca. Sob a pilha de dinheiro colocou uma foto de Lula encapuzado, enquanto vestia um casaco. Uma mão apertada sobre o seu ombro sugeria um caso de detenção. Um truque de composição fotográfica, reduziu assim o Presidente e induzia os leitores a enxergarem-no como um marginal preso em flagrante, a 48 horas do pleito presidencial.

14. Todos os jornais publicaram as imagens do dinheiro sem identificar a origem das fotos. Nenhum informou as palavras ditas pelo ofertante ¿ainda que sua identidade fosse mantida em sigilo: “quero fu.. com Lula e com o PT”.

15. No domingo, finalmente, os jornais traziam uma entrevista do delegado Bruno. Nela , o policial admite que fez e distribuiu as fotos¿o que antes havia negado peremptoriamente e os jornais ¿ embora sabendo que era uma mentira ¿ publicaram e atestaram a verdade. O delegado, porém, insiste, desta vez, que eu gesto não teve motivação política e nega qualquer ligação com a campanha tucana. Os jornais de novo publicam suas declarações, sem contextualizá-las.

17. No mesmo domingo, dia do pleito, os jornais afirmam que o desgaste desse episódio reduziu dramaticamente a vantagem anterior de Lula nas pesquisas de intenção de voto, referentes ao primeiro turno. Segundo as novas enquetes, mesmo no segundo turno, a reeleição do Presidente agora tornara-se incerta.

18. Tudo fica como dantes no quartel do Abrantes. A imprensa continua a acobertar e a ser cúmplice do crime de violação do segredo de justiça. Por quê? Porque ao invés dos eventuais crimes cometidos por petistas, desta vez os crimes a interessam, e favorecem seu candidato, Geraldo Alckmin¿.

Eh, Leblon bom de bola!

Fonte: Flávio Aguiar – Carta Maior: 02/10/2006