O caso Shapira foi reaberto

Um resumo

O Manuscrito de Shapira era um conjunto de tiras de couro com inscrições em grafia paleo-hebraica. Foi apresentado por Moses Wilhelm Shapira em 1883 como um antigo texto bíblico e quase imediatamente denunciado pelos estudiosos como uma falsificação.

O manuscrito consistia em quinze tiras de couro, que Shapira afirmava terem sido encontradas em Wadi Mujib, região do Arnon, na Transjordânia, perto do Mar Morto. O texto hebraico sugeria uma versão diferente de Deuteronômio, incluindo o acréscimo de uma nova linha aos Dez Mandamentos: “Não odiarás teu irmão em teu coração: Eu sou Deus, teu Deus.” O texto também não traz nenhuma lei, exceto os Dez Mandamentos, apresentados na primeira pessoa, ou seja, do ponto de vista da divindade. Os estudiosos levaram pouco tempo para rejeitá-lo como uma farsa, e a vergonha provocada pela acusação de falsificação levou Shapira ao suicídio em 1884.

O manuscrito, na ocasião deixado em Londres, reapareceu alguns anos depois em um leilão da Sotheby’s, onde foi vendido para Bernard Quaritch, livreiro em Londres. Relatórios contemporâneos mostram que o Dr. Philip Brookes Mason exibiu o manuscrito em uma palestra pública em Burton-on-Trent, Staffordshire, Inglaterra, em 8 de março de 1889. O paradeiro atual do texto, se sobreviveu, é desconhecido.

Para lugares, personagens e documentos, recomendo: Shapira & I – By Yoram Sabo, 2014. Documentário em hebraico e inglês, com legendas em inglês.

 

A história

Moses Wilhelm Shapira nasceu em 1830 em uma família judia na cidade de Kamianets-Podilskyi, onde hoje é a Ucrânia. Com vinte e poucos anos ele emigrou para a Cópia do Manuscrito, publicada por Christian David Ginsburg em The Athenaeum, em 8 de setembro de 1883 Palestina otomana, convertendo-se ao cristianismo anglicano. Algum tempo depois de se estabelecer em Jerusalém, ele abriu uma loja na Cidade Velha, onde vendia novidades variadas, como cartões-postais, flores prensadas e madeira de oliveira gravada. Em um cômodo nos fundos ele guardava suas mercadorias mais preciosas, manuscritos e antiguidades.

Shapira se envolveu em um escândalo quando as estatuetas de cerâmica moabita que ele vendeu ao governo prussiano foram consideradas não autênticas pelo epigrafista e arqueólogo francês Charles Simon Clermont-Ganneau. Após este caso, Shapira viajou para o Egito e Iêmen, onde adquiriu muitos manuscritos, que depois vendeu a várias instituições e colecionadores em todo o mundo. O Museu Britânico sozinho comprou centenas de manuscritos de Shapira.

De acordo com o testemunho de Shapira, foi no verão de 1878 que ele ouviu pela primeira vez sobre alguns fragmentos de manuscritos antigos de couro que tinham sido descobertos por beduínos em uma gruta perto do Mar Morto, acima do Wadi al-Mujib. Com a ajuda do sheik Mahmud Erekat, de Abu Dis, Shapira adquiriu esses fragmentos em vários lotes. Assim, ele veio a possuir o que parece ter sido porções de três manuscritos: um quase completo, outro um pouco menos, e um pequeno fragmento de um terceiro. Dizia-se que esses manuscritos foram encontrados embrulhados em linho e cobertos com uma substância betuminosa.

Em 1878 Shapira enviou cópias para Konstantin Schlottmann, que erroneamente autenticara as falsificações moabitas de Shapira em 1870. Schlottman consultou Franz Delitzsch e então denunciou o texto como uma invenção. Delitzch chamou-o de farsa.

Em 1883 Shapira escreveu uma carta ao orientalista Hermann Strack, dizendo que confiaria no seu julgamento quanto à autenticidade do manuscrito. Strack respondeu dizendo que não valia a pena levar uma falsificação tão evidente para a Europa. Ainda em 1883 Shapira mostrou uma parte do manuscrito a Paul Schröder, então o cônsul alemão em Beirute, por um breve período e com pouca luz. Ele se recusou a autenticá-lo sem estudar melhor todos os fragmentos.

Em 1883 Shapira levou seu manuscrito em uma viagem pela Europa, que começou em Leipzig. Shapira desejava persuadir um grupo de estudiosos qualificados a examinar coletivamente o manuscrito e publicar suas opiniões sobre seu valor e especialmente sua autenticidade. O desejo de Shapira foi atendido quando vários dos principais estudiosos do mundo se reuniram em Berlim para examinar seu manuscrito. Eles levaram apenas noventa minutos antes de chegarem a um veredicto unânime: falsificação.

Shapira viajou da Alemanha para a Inglaterra, onde ofereceu seu manuscrito ao Museu Britânico por 1 milhão de libras. O governo britânico parece ter considerado seriamente essa oferta, enquanto aguardava a autenticação do manuscrito. Esta tarefa foi delegada a Christian David Ginsburg, que passou várias semanas estudando os documentos. Enquanto isso, dois fragmentos foram colocados em exibição, atraindo grandes multidões, incluindo o primeiro-ministro, William Gladstone, que se encontrou com Shapira pessoalmente para discutir o assunto.

Enquanto Ginsburg trabalhava na transcrição e avaliação do texto, Clermont-Ganneau chegou ao museu, tendo viajado à Inglaterra expressamente para ver os fragmentos com seus próprios olhos. Ele tinha certeza de que eram falsificações. Ele solicitou acesso ao texto, mas lhe foi permitido apenas alguns minutos com dois ou três dos fragmentos. Isso, de acordo com a equipe do Museu Britânico, foi com a condição expressa de que Clermont-Ganneau se abstivesse de publicar um relatório até que Ginsburg houvesse publicado o seu. Na manhã seguinte, porém, Clermont-Ganneau anunciou à imprensa que o manuscrito era uma falsificação. Depois disso, Clermont-Ganneau teve seu acesso aos textos recusado.

Pouco depois do pronunciamento de Clermont-Ganneau, Ginsburg publicou seu relatório, no qual ele concordou com a avaliação de Clermont-Ganneau.

Após esse veredicto, Shapira foi embora, abandonando seu manuscrito no Museu Britânico. Shapira nunca mais voltou para sua casa e para sua família em Jerusalém. Depois de vagar pela Europa, ele deu um tiro na cabeça em um hotel de Rotterdam, na Holanda*.

 

Caso reaberto

Um artigo e um livro disponíveis para download gratuito:

:. Idan Dershowitz, The Valediction of Moses: New Evidence on the Shapira Deuteronomy Fragments. ZAW 133, 2021, p. 1-22.

Idan Dershowitz, Professor de Bíblia Hebraica na Universidade de Potsdam, Alemanha

Idan Dershowitz, nascido em 1982, Professor de Bíblia Hebraica na Universidade de Potsdam, AlemanhaNeste artigo apresento novas evidências e argumentos contra a teoria predominante de que Moses Wilhelm Shapira forjou seus infames fragmentos de Deuteronômio.

Começo fornecendo um pano de fundo histórico sobre Shapira e seus manuscritos.

Em seguida, discuto a avaliação negativa dos manuscritos em 1883, reviso as objeções existentes aos argumentos que diziam ser falsificação e ofereço novas objeções de minha autoria.

A seguir, abordo os argumentos paleográficos mais recentes contra a autenticidade dos manuscritos e mostro que eles se baseiam em evidências duvidosas e são metodologicamente problemáticos.

Depois disso, volto-me para alguns documentos pessoais esquecidos de Shapira, que desafiam a narrativa dominante da falsificação.

Concluo com um resumo dos resultados de minha análise filológica do texto contido nos manuscritos de Shapira, que chamo de “The Valediction of Moses” [significa “A despedida de Moisés” ou “O discurso de despedida de Moisés”]. Longe de ser derivado de Deuteronômio, este texto é, na verdade, o ancestral do Deuteronômio.

 

:. DERSHOWITZL, I. The Valediction of Moses: A Proto-Biblical Book. Tübingen: Mohr Siebeck, 2020, 216 p. – ISBN 9783161606441.

Os infames fragmentos de Deuteronômio de Moses Wilhelm Shapira – que há muito se acredita serem falsificações – são manuscritos antigos autênticos e têm um significado muito maior do que jamais se imaginou.

A obra literária que esses manuscritos preservam – que Idan Dershowitz chama de “The Valediction of Moses” ou “V” – não é baseada no livro de Deuteronômio. Pelo contrário, V é uma versão muito anterior do Deuteronômio. Em outras palavras, V é um livro proto-bíblico, de um tipo nunca visto antes. Essa conclusão é apoiada por uma série de análises filológicas, bem como por documentos de arquivo até então desconhecidos.

Um excurso em coautoria com Na’ama Pat-El avalia o perfil linguístico de V, descobrindo que é consistente com o hebraico epigráfico da Idade do Ferro. V contém versões anteriores de passagens cujas contrapartes bíblicas refletem uma atualização pós-sacerdotal substancial.

Além disso, ao contrário das narrativas canônicas do Deuteronômio, esta obra antiga não mostra sinais da influência do Código Deuteronômico (Dt 12-26). Na verdade, V preserva uma estrutura literária anterior, e dramaticamente diferente, para toda a obra – uma que carece do Código Deuteronômico por completo.

Essas descobertas têm consequências significativas para a história da composição da Bíblia, linguística histórica, história da religião, paleografia, arqueologia e muito mais. O volume inclui uma edição crítica completa e tradução para o inglês de V.

 

Um busca detetivesca

Entrevista com Chanan Tigay no jornal português Sapo, em 2017:

:. ‘Shapira foi um trapaceiro, um burlão e um mentiroso. Mas também foi um Génio’

Filho de um rabino, Chanan Tigay nasceu em Jerusalém e cresceu nos Estados Unidos, onde estudou sempre em escolas judaicas. Um dia, à refeição, o pai contou-lhe a história de Moses Shapira (1830-1884), um negociante de antiguidades que em 1883 anunciou ter descoberto o exemplar original do Deuteronómio.

A notícia provocou comoção quer no mundo académico, quer nos meios mais populares, e Shapira, que nascera pobre e queria ascender socialmente, propôs vender o manuscrito ao Museu Britânico pela soma fabulosa de um milhão de libras.

Fascinado pelo relato do seu pai, Chanan Tigay tentou ir à descoberta da verdade sobre o manuscrito de Shapira. Até porque, embora na altura a relíquia tenha acabado por ser considerada falsa pelos especialistas, a descoberta dos Manuscritos do Mar Morto, em 1947, perto de onde Shapira afirmava ter sido encontrado o seu manuscrito do Deuteronómio, veio reabrir a questão.

Durante cinco anos Chanan Tigay, que cobriu o conflito israelo-palestiniano como repórter, andou no encalço de Shapira e do pergaminho desaparecido. O relato da sua busca e as conclusões a que chegou estão no livro The Lost Book of Moses: The Hunt for the World’s Oldest Bible. New York: Ecco, 2016, 368 p. – ISBN 9780062206411 — em português: O livro perdido de Moisés: a procura da Bíblia mais antiga do mundo. Lisboa: Temas e Debates, 2017, 432 p. – ISBN 9789896444358 — que o autor concebeu como um policial que tinha de ser rigoroso para que especialistas como o seu próprio pai não detetassem incongruências.

 

A posição de um epigrafista

Christopher Rollston, da Universidade George Washington, Washington, D.C.:

Deja Vu all over Again: The Antiquities Market, the Shapira Strips, Menahem Mansoor, and Idan Dershowitz – By Christopher Rollston: Rollston Epigraphy – 10 March, 2021

Durante os últimos três ou quatro séculos centenas de inscrições forjadas apareceram no mercado de antiguidades. Essas falsificações modernas vêm em todas as formas e tamanhos e são escritas em vários idiomas, incluindo grego, hebraico, aramaico, fenício, latim, siríaco e copta. Algumas dessas falsificações modernas eram muito ruins, outras eram muito boas. Mas a produção de falsificações textuais na era moderna é uma coisa bastante comum, e muitas vezes tem sido bastante lucrativa para os falsificadores e para aqueles que vendem falsificações. É um grande problema na área e tem sido assim há muito tempo.

Acredito que o trabalho de Idan Dershowitz convencerá poucos epigrafistas – ou seja, estudiosos que se especializam em inscrições antigas e reais – de que os Fragmentos de Shapira são documentos antigos e autênticos.

E não acredito que seu trabalho convencerá tantos estudiosos de texto – isto é, estudiosos que trabalham principalmente não com inscrições antigas reais, pergaminhos, papiros, mas sim com textos editados em edições impressas – de que as Tiras de Shapira são antigas, embora eu suspeite que alguns estudiosos do texto acharão a proposta de Idan Dershowitz atraente, especialmente porque parece confirmar certos pressupostos que alguns deles defendem sobre a transmissão textual do Deuteronômio em suas formas mais antigas.

No entanto, a totalidade das evidências empíricas existentes continua a demonstrar que as Tiras de Shapira são falsificações modernas e refletem as mesmas tendências e problemas básicos que estão presentes na maioria das falsificações modernas e também nas falsificações dos últimos dois, três ou quatro séculos.

Por fim, devo também mencionar que fui um participante convidado do simpósio na Universidade de Harvard, realizado em 2019, no qual Idan Dershowitz apresentou seus pontos de vista. Como enfatizei naquela reunião, a evidência contra a autenticidade é convincente: as Tiras de Shapira são de fato falsificações modernas, modeladas principalmente no livro de Deuteronômio, com o tipo de floreios e acréscimos do falsificador, que são características marcantes dos métodos dos falsificadores, sempre repetidas ao longo dos séculos.

Idan Dershowitz não é o primeiro estudioso a tentar argumentar que as Tiras de Shapira são antigas, e ele não será o último.

Menahem Mansoor (The case of Shapira’s Dead Sea (Deuteronomy) scroll of 1883. Madison: University of Wisconsin, 1959) argumentou longamente que as Tiras de Shapira não eram falsificações modernas, mas verdadeiros antigos manuscritos do Mar Morto. Mas a convergência de evidências epigráficas é totalmente contra a autenticidade das Tiras de Shapira. No entanto, eu enfatizaria que quando se pensa sobre a longa história das falsificações textuais (remontando a muitos séculos), as Tiras de Shapira são muito boas, especialmente para a sua época (ou seja, final de 1800), mas nem de longe boas o suficiente para serem consideradas antigas. Ou seja, são falsificações modernas. Não sei se o próprio Shapira os forjou. Mas estou certo de que são falsificações comprovadamente modernas, nem um pouco antigas.

 

Outras indicações

:. Shapira Scroll latest – By Jim Davila: PaleoJudaica – March 19, 2021Moses Wilhelm Shapira: 1830-1884

:. Shapira & I – By Yoram Sabo, 2014. Documentário em hebraico e inglês, com legendas em inglês

:. Para saber quais são as mais famosas falsificações, Shapira incluído:

List of Artifacts in Biblical Archaeology

Archaeological Forgery

:. Um bom paralelo:

‘Dead Sea Scrolls’ at the Museum of the Bible are all forgeries – By Michael Greshko: National Geographic – March 13, 2020

 

Nota

* Relato resumido a partir de:

Idan Dershowitz, The Valediction of Moses: New Evidence on the Shapira Deuteronomy Fragments. ZAW 133, 2021, p. 1-22.

Shapira Scroll – Wikipedia

Naḥal Ḥever: a arqueologia

A descoberta foi feita por beduínos no início dos anos 50 do século XX. Alguns fragmentos de manuscritos comprados de beduínos em 1952 foram mais tarde identificados como tendo origem em grutas de Naḥal Ḥever, localizadas entre Ein Gedi e Massada. Escavações arqueológicas em grande escala de dez grutas de Naḥal Ḥever (1960-1961) levaram à descoberta de um dos maiores esconderijos de documentos antigos encontrados no deserto da Judeia. Eles datam do período da Revolta de Bar Kokhba (131-135 d.C.). Os manuscritos encontrados nessas grutas incluem documentos pessoais de refugiados, comunicações militares entre Bar Kokhba e seus oficiais e alguns textos bíblicos.

 

No outono de 1953, Yohanan Aharoni conduziu uma pesquisa em Naḥal Ḥever [cerca de 40 quilômetros ao sul de Qumran], onde encontrou dez grutas (que ele designou como grutas 1 a 10). Aharoni também descobriu dois campos de cerco romano, o primeiro em um planalto ao norte de Naḥal Ḥever e um segundo acampamento na margem sul. Em ambos os campos, bem como na gruta abaixo do acampamento do norte, ele descobriu evidências de que beduínos o haviam precedido e realizadoGrutas em Nahal Hever escavações com o objetivo de saquear. No decorrer de seu exame, verificou-se que a gruta sob a margem norte era uma grande gruta com duas aberturas (designadas como aberturas número 5 e 6; portanto, a gruta norte é identificada como 5/6Ḥev).

Durante a primavera de 1955, Aharoni voltou às grutas de Naḥal Ḥever, desta vez para examinar a Gruta 8 na margem sul do rio, abaixo do acampamento romano do sul. Foi determinado que escavações também foram conduzidas por beduínos nesta gruta. Aqui, Aharoni descobriu mais de quarenta esqueletos e chamou a gruta do sul de “Gruta do Horror“.

No âmbito das Expedições ao Deserto da Judeia em 1960, Yigael Yadin escavou a gruta ao norte. Ele encontrou nela muitos artefatos da época da Revolta de Bar Kokhba. A descoberta mais significativa foi um odre de couro contendo quinze cartas que Shim ̔on bar Kosiba ̓ (o nome verdadeiro de Bar Kokhba) havia enviado. Após esta descoberta, a gruta do norte foi chamada de “Gruta das Cartas”.

Em 1961, no âmbito da segunda parte das Expedições ao Deserto da Judeia, Yadin retornou à margem norte do Naḥal Ḥever. Desta vez, ele escavou o acampamento romano, grutas 3 e 4 (onde encontrou cerâmica da época da Revolta de Bar Kokhba), e voltou para a Gruta das Cartas. Durante o curso deste projeto, Yadin descobriu o arquivo Babatha.

No decorrer da segunda parte das Expedições ao Deserto da Judeia, Aharoni escavou a Gruta do Horror, onde encontrou uma série de fragmentos de pergaminho, entre eles fragmentos de um manuscrito dos Profetas Menores em grego, provando que a seção principal deste manuscrito fora descoberta pelos beduínos nesta gruta.

Em 1991, uma gruta adicional foi descoberta na porção oeste de Naḥal Ḥever, para onde os refugiados fugiram no final da Revolta de Bar Kokhba. Esta gruta foi escavada por David Amit e Hanan Eshel. Sinais de escavações de pilhagem conduzidas pelos beduínos também foram encontrados nesta gruta. Apesar disso, uma moeda de prata da época da Revolta de Bar Kokhba foi descoberta. Pode-se supor que os dois documentos incluídos na coleção Nahal Se ̓elim tenham origem nesta gruta.

 

Gruta das Cartas

A região do Mar MortoEsta gruta é a maior na margem norte do Naḥal Ḥever. As duas aberturas da gruta estão separadas por 7 metros. O comprimento da gruta é de aproximadamente 150 metros e contém três câmaras. As duas aberturas conduzem à câmara A, cujo lado nordeste é arredondado. A câmara A está cheia de grandes massas de pedras. Um túnel de aproximadamente meio metro de altura conduz da câmara A para a câmara B.

Em 1960, uma câmara mortuária contendo os esqueletos de dezenove pessoas e certa quantia de tecido foi encontrada na gruta. Ainda: uma moeda de Bar Kokhba, um tesouro de artigos de bronze usados ​​para adoração ritual e um fragmento de um rolo do Livro dos Salmos foram encontrados. As descobertas mais significativas na gruta, quinze cartas de Bar Kokhba, também foram descobertas em 1960.

Em 1961, vasos de cerâmica, metal e vidro foram descobertos na parte interna da gruta. Entre eles estava um arquivo contendo os documentos de Babatha. Pontas de flecha, uma flecha inteira, fragmentos de um manuscrito do Livro dos Números, bem como um fragmento de papiro incluindo um documento nabateu foram encontrados na entrada para a gruta em 1961. Dezenove vasos de bronze e um fragmento de um rolo do Livro dos Salmos foram encontrados na primeira câmara. Na segunda câmara houve poucos achados: principalmente, cerâmica, esteiras e um papiro grego, que é a seção interna de um contrato de casamento. A maioria dos achados foi descoberta na terceira câmara: objetos de metal, uma coleção de anéis, uma panela, um conjunto de copos, uma moeda de Bar Kokhba e cestos. A descoberta mais significativa foi uma cesta contendo, entre outros itens, o arquivo Babatha – trinta e cinco documentos escritos entre 93 e 132 d.C. em várias línguas – grego, nabateu e aramaico. Ao lado do arquivo de Babatha estavam seis documentos da época da Revolta de Bar Kokhba pertencentes a Eleazar ben Samuel, um fazendeiro de ̔Ein-Gedi que havia arrendado terras de Bar Kokhba.

 

Gruta do Horror

Esta gruta está situada na margem sul do Naḥal Ḥever. Assemelha-se a um corredor de 65 metros de comprimento, serpenteando um pouco em direção ao norte e culminando em uma câmara que é alcançada por um curto túnel. Beduínos realizaram escavações de pilhagem na gruta, e ela foi totalmente escavada por Y. Aharoni em 1961. Durante o curso desta escavação, muitos vasos de barro da época da Revolta de Bar Kokhba foram encontrados na gruta, entre eles um grupo significativo de lâmpadas a óleo de cerâmica, vasos de vidro e quatro moedas de bronze que foram cunhadas por Bar Kokhba. Também foram descobertos três óstraca com nomes de Nahal Hever no deserto da Judeiamortos, bem como fragmentos de dois documentos escritos em um papiro, um em aramaico e outro em grego, e fragmentos de um manuscrito escrito em hebraico contendo o que parece ser uma oração. Especialmente importantes são nove fragmentos dos Profetas Menores Gregos descobertos por Y. Aharoni, sendo que partes deles tinham sido anteriormente encontrados pelos beduínos, que indicaram sua origem como Nahal Se ̓elim. Consequentemente, pode-se supor que uma parte dos documentos incluídos na coleção Nahal Se ̓elim se originou na Gruta do Horror.

 

Gruta da Tetradracma

Esta é uma grande gruta no lado oeste superior de Naḥal Ḥever, a aproximadamente 12 quilômetros a oeste da Gruta das Cartas e da Gruta do Horror. Esta gruta tem três aberturas e três câmaras; no entanto, é maior do que a Gruta das Cartas e tem 200 metros de comprimento. Esta gruta foi descoberta e escavada em 1991 por David Amit e Hanan Eshel. Nela foram encontrados muitos vasos da época da Revolta de Bar Kokhba, duas inscrições curtas escritas a tinta sobre fragmentos relacionando o conteúdo de vasos e uma tetradracma de prata, que deu o nome à gruta. Pode-se supor que dois dos documentos incluídos na coleção Nahal Se ̓elim foram descobertos pelos beduínos nesta gruta , uma vez que esses documentos se originaram em Yakim, que fica a apenas 5 quilômetros da Gruta das Cartas, enquanto o restante dos documentos da coleção Nahal Se ̓elim se originou na região oriental da Transjordânia.

 

 

In the autumn of 1953, Yohanan Aharoni conducted a survey of Naḥal Ḥever, where he found ten caves (which he designated Caves 1 through 10). Aharoni likewise discovered two Roman siege camps, the first on a plateau north of Naḥal Ḥever and a second camp on the southern bank. In both camps, as well as in the cave below the northern camp, he discovered evidence that the bedouin had preceded him and undertaken excavations for the purpose of plundering. In the course of his examination, it was ascertained that the cave under the northern bank was a large cave with two openings (designated as openings number 5 and 6; therefore, the northern cave is identified as 5/6Hev).

During the spring of 1955 Aharoni returned to the caves of Naḥal Ḥever, this time to examine Cave 8 on the southern bank of the river below the southern Roman camp. It was determined that excavations had been conducted by the bedouin in this cave as well. Here, Aharoni discovered more than forty skeletons and named the southern cave the Cave of Horror.

Within the framework of the Judean Desert Expeditions in 1960, Yigael Yadin excavated the northern cave. He found in it many artifacts from the era of the Bar Kokhba Revolt. The most significant find was a leather flask containing fifteen letters that Shim ̔on bar Kosiba ̓ (Bar Kokhba’s real name) had sent. Following this discovery, the northern cave was named the Cave of the Letters.

In 1961, within the framework of the second part of the Judean Desert Expeditions, Yadin returned to the northern bank of Naḥal Ḥever. This time he excavated the Roman camp, Caves 3 and 4 (where he found pottery from the era of the Bar Kokhba Revolt), and he returned to the Cave of the Letters.

During the course of this project, Yadin discovered the Babatha archive. In the course of part two of the Judean Desert Expeditions, Aharoni excavated the Cave of Horror, where he found a number of scroll fragments, among them fragments of the Greek Minor Prophets scroll, proving that the main section of this scroll was discovered by the bedouin in this cave.

In 1991 an additional cave was discovered in the western portion of Naḥal Ḥever, where refugees had fled at the end of the Bar Kokhba Revolt. This cave was excavated by David Amit and Hanan Eshel. Signs of pillaging excavations conducted by the bedouin also were found in this cave. Despite this, a silver coin from the time of the Bar Kokhba Revolt was discovered. One can assume that the two documents included in the Nahal Se ̓elim collection originated in this cave.

 

Cave of the Letters

This cave is the largest on the northern bank of Naḥal Ḥever. The cave’s two openings are 7 meters (23 feet) apart. The length of the cave is approximately 150 meters (457 feet), and it contains three chambers. The two openings lead to chamber A, the northeastern side of which is rounded. Chamber A is full of huge masses of boulders. A tunnel approximately half a meter (1.6 feet) high leads from chamber A to chamber B. It is necessary to crawl through it in order to enter chamber B. From chamber B a tunnel extends to the east, while chamber C opens from the north into chamber B west of the tunnel.

Gruta das CartasIn 1960 a burial chamber containing the skeletons of nineteen people and an abundance of fabric was found in the cave. At the foot of the cave a Bar Kokhba coin, a hoard of bronze articles used for ritual worship, and a fragment of a scroll of the Book of Psalms were found. The most significant findings in the cave, fifteen of Bar Kokhba’s letters, also were discovered in 1960.

In 1961, hoards of pottery, metal, and glass vessels were discovered in the inner portion of the cave. Among them was an archive containing the documents of Babatha. Arrowheads, a whole arrow, fragments of a scroll from the Book of Numbers, as well as a fragment of papyrus including a Nabatean document published by Starcky (5/6Hev 36 = XHev/Se Nab. 1) were found at the entrance to the cave in 1961. Hence, we can deduce that some of the documents included in the Nahal Se ̓elim collection originated in the Cave of the Letters. A hoard of nineteen bronze vessels and a fragment of a scroll of the Book of Psalms were found in the first chamber. In the second chamber there were few finds: primarily, pottery, mats, and a Greek papyrus, which is the inner section of a marriage contract (5/6Hev 37). The majority of the finds were discovered in the third chamber: metal finds, a collection of rings, a cooking pot, a set of glassware, a Bar Kokhba coin, and baskets. The most significant find was a basket containing, among other items, the Babatha archive— thirty-five documents written between 93 and 132 ce in various languages— Greek, Nabatean, and Aramaic. Adjacent to the Babatha archive were six documents from the era of the Bar Kokhba Revolt belonging to Eleazar ben Samuel, a farmer from ̔Ein-Gedi who had leased land from Bar Kokhba.

 

Cave of Horror

This cave is situated on the southern bank of Naḥal Ḥever. It resembles a corridor 65 meters (213 feet) long, winding a little toward the north and culminating in a chamber that is reached by a short tunnel. The bedouin conducted pillaging excavations in the cave, and it was excavated entirely by Aharoni in 1961. During the course of this excavation, many clay vessels from the era of the Bar Kokhba Revolt were found in the cave, among them a significant group of ceramic oil lamps, glass vessels, and four bronze coins that were minted by Bar Kokhba. Also discovered were three ostraca, bearing names of the deceased placed on top of the skeletons, as well as fragments of two documents written on a papyrus, one in Aramaic and another in Greek, and fragments of a scroll written in Hebrew containing what most likely is a prayer (8Hev 2). Especially important are nine fragments of the Greek Minor Prophets (8Hev 1) discovered by Aharoni, the remainder of which were found by the bedouin, who designated their origin as Nahal Se ̓elim. Consequently, one can assume that a portion of the documents included in the Nahal Se ̓elim collection originated in the Cave of Horror.

 

Cave of the Tetradrachm

This is a large cave on the upper west side of Naḥal Ḥever approximately 12 kilometers (7.5 miles) west of the Cave of the Letters and the Cave of Horror. This cave has three openings and three chambers; however, it is larger than the Cave of the Letters, and it is 200 meters (656 feet) long. This cave was discovered and excavated in 1991 by David Amit and Hanan Eshel. In it were found many clay vessels from the era of the Bar Kokhba Revolt, two short inscriptions written in ink upon sherds itemizing the contents of jars, and a silver tetradrachm from which the cave gets its name. An assumption can be made that two of the documents (XHev/Se 9 [deed]; XHev/Se Gr. 2 [double contract; marriage contract]) included in the Nahal Se ̓elim collection were discovered by the bedouin in this cave, since these documents originated in Yakim, which is only about 5 kilometers (3.1 miles) from the Cave of the Letters, whereas the rest of the documents of the Nahal Se ̓elim collection originated in the eastern region of Transjordan. The documents under discussion mention the village Aristoboulias and the capital of the toparchy Zif — both in the southern region of Mount Hebron. The Aramaic document is dated by paleographic analysis to the Herodian period, and it documents the transaction of Yehudah ben Shimon selling an orchard in Yakim to a man by the name of Yehudah. The Greek document is a canceled marriage document from the year 130 ce, of a bride from Aristoboulias and a man from Yakim.

 

Fonte: SCHIFFMAN, L. H. ; VANDERKAM, J. (eds.) Encyclopedia of the Dead Sea Scrolls, 2 vols. New York: Oxford Univerity Press, 2000, verbete Ḥever, Naḥal

Naḥal Ḥever: 8ḤevXIIgr

Em 8 de setembro de 1986, R. P. Pierre Benoit, OP, apresentou às autoridades competentes seu desejo, com base na idade e no estado de saúde, de renunciar ao cargo de editor-chefe da coleção Discoveries in the Judaean Desert. Ele havia assumido esse cargo em 1971, como sucessor de R. P. Roland de Vaux, OP, em uma idade em que a maioria dos homens se preparava para a aposentadoria, e conduziu o projeto tanto através das dificuldades substanciais que se seguiram às mudanças no status político de Jerusalém, quanto através da publicação de dois volumes do DJD, juntamente com várias obras independentes da coleção.

Ele não pôde desfrutar de uma aposentadoria bem merecida. Sete meses e meio após renunciar ao cargo de editor, em 23 de abril de 1987, ele morreu em Jerusalém, e agora repousa entre seus professores e colegas no cemitério do Priorado de Santo Estêvão.

Como seu sucessor, o corpo de editores indicou o abaixo assinado. Esta nomeação foi posteriormente confirmada pelas autoridades governamentais, que expressaram a esperança de ver, de ora em diante, um ritmo de publicação mais rápido da coleção, uma esperança que o novo editor-chefe partilha.

O presente volume é o primeiro a apresentar a coleção ‘Seiyal’, que também foi confiada ao nosso grupo editorial; seguir-se-á mais tarde um segundo volume Seiyal, a Col. B1–2 (de acordo com E. Tov) do Manuscrito dos Profetas Menores em grego de Nahal Hever (8HevXIIgr)ser editado por J.-T. Milik, E. Puech e J. Schwarz.

Essa coleção foi adquirida em 1952-4 pelo Museu Arqueológico Rockefeller, de escavadores clandestinos que demonstraram pouco respeito pelas fronteiras políticas. Eles nos disseram que a proveniência desses documentos era ‘o Wadi Seiyal’ e a coleção foi nomeada de acordo com essa informação.

Mais tarde, em 1960-1, escavações na mesma região feitas pela Expedição ao Deserto da Judeia (dirigida pelo Professor Y. Yadin) encontraram, em algumas das grutas que eles haviam registrado e escavado, vestígios de escavações anteriores e, às vezes, até fragmentos de material escrito, cujas partes maiores nos foram trazidas anteriormente, como provenientes de ‘Seiyal’.

Outro grupo de estudiosos, sob os auspícios do Santuário do Livro, está atualmente preparando para publicação o material escrito encontrado pela Expedição ao Deserto da Judeia, e os dois grupos editoriais procuram trabalhar em coordenação. Para a maior parte da coleção em nosso segundo volume de Seiyal, a gruta de proveniência não pode ser identificada com mais precisão do que ‘Seiyal’, e devemos usar esse nome e abreviatura (Se) para os manuscritos dessa coleção, não pretendendo proveniência de um wadi específico ou gruta.

No entanto, descobertas posteriores tornaram possíveis localizações mais precisas. Assim, o presente manuscrito dos Profetas Menores em grego, nº 2 na coleção ‘Seiyal’ (o chamado Se2grXII), foi reunido com alguns outros fragmentos dele que vieram da Gruta 8 em Naḥal Ḥever (8ḤevXIIgr), escavada por Y. Aharoni em 1961, e publicado preliminarmente por B. Lifshitz. Visto que para este manuscrito a verdadeira proveniência de todos os fragmentos é conhecida, sugerimos o uso de uma sigla comum para todos os fragmentos: 8ḤevXIIgr.

O manuscrito publicado aqui, contendo grandes trechos dos Profetas Menores em uma revisão antiga da versão da Septuaginta, foi publicado em parte de forma preliminar e discutido longamente por R. P. Dominique Barthelemy, OP, de Friburgo. Esperava-se que o mesmo autor produzisse também a edição completa. Mas à medida que se tornava cada vez mais pressionado por outras obrigações, ele recorreu a outro especialista da Septuaginta, o professor Emanuel Tov, da Universidade Hebraica de Jerusalém, convidando-o a assumir seu lugar como editor. A edição resultante será, espero, tão bem-vinda para os estudiosos da Septuaginta quanto para o editor-chefe.

Jerusalém, junho de 1987

John Strugnell – Editor chefe

 

Preface

On 8 September 1986, R. P. Pierre Benoit, OP, submitted to the competent authorities his desire, on grounds of age and health, to resign from the post of editor-ill-chief of the series Discoveries in the Judaean Desert. He had taken up that post in 1971, as successor to R. P. Roland de Vaux, OP, at an age when most men would be preparing for retirement, and has led the project both through the substantial difficulties which followed the changes in the political status of Jerusalem, and also through the publication of two volumes of DJD, together with several assorted books hors serie. He was not long to enjoy a well-earned retirement; seven and a half months after resigning the editorship, on 23 April 1987, he died in Jerusalem, and now rests among his teachers and colleagues in the cemetery of St Stephen’s Priory. As his successor, the body of editors nominated the under-signed; this nomination was subsequently confirmed by the governmental authorities, who at that time expressed a pressing hope for seeing a quicker rate of publication of the series in the future, a hope which the new editor-in-chief shares, and will do his best to realize.

Emanuel Tov The present volume is the first to present the ‘Seiyal’ collection, which was also entrusted to our editorial group; one more Seiyal volume will follow, to be edited by J.-T . Milik, E. Puech and J. Schwarz. This collection was acquired in 1952-4 by the Rockefeller (or, as it was then called, Palestine) Archaeological Museum, from clandestine excavators who had shown little respect for political frontiers. They told us that the provenance of these document s was ‘the Wadi Seiyal’ and the collection was named accordingly. Later, in 1960-1, excavations in the same general region by the Expedition to the Judaean Desert (directed by Professor Y. Yadin) found, in certain of the caves which they had recorded and excavated, traces of previous excavations, and sometimes even fragments of written material of which larger parts had earlier been brought to us as coming from ‘Seiyal’. Another group of scholars, under the auspices of the Shrine of the Book, are currently preparing for publication the written material found by the Expedition to the Judaean Desert, and the two editorial groups try to work in co-ordination . For most of the collection in our second Seiyal volume the cave of provenance cannot be identified any more precisely than ‘Seiyal’, and we must use that name and abbreviation (Se) for manuscripts in that collection, not intending provenance from a specific wadi or cave. Sometimes, however, later discoveries have made more precise localizations possible. Thus the present scroll of the Minor Prophets in Greek, No. 2 in the ‘Seiyal’ collection (as it were, Se2grXII), has been reunited with some other fragments of it which came from cave 8 in Naḥal Ḥever (8ḤevXIIgr), excavated by Y. Aharoni in 1961, and published preliminarily by B. Lifshitz. Since for this manuscript the true provenance of all the fragments is known, we suggest using a common siglum for all the fragments: 8ḤevXIIgr.

The scroll published here, containing large parts of the Minor Prophets in an early revision of the Septuagint version, was published in part in a preliminary fashion, and discussed at length, by R. P. Dominique Barthelemy, OP, of Fribourg. It had been expected that the same author would produce the full edition too; but as he became more and more pressed by other obligations, he turned to another Septuagint specialist, Professor Emanuel Tov of the Hebrew University in Jerusalem, inviting him to take over his own place as editor. The resultant edition will be, I hope, as welcome to Septuagint scholars as it is to the editor-in-chief.

Jerusalem, June I987

John Strugnell – Editor-in-chief

Fonte: Prefácio do livro de TOV, E. The Greek Minor Prophets Scroll from Naḥal Ḥever (8ḤevXIIgr): The Seiyâl Collection, I. (Discoveries in the Judaean Desert VIII). Oxford: Clarendon Press, 1990, 184 p. – ISBN 9780198263272.

Fragmentos de manuscritos bíblicos encontrados no deserto da Judeia

Desde 2017 a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA – Israel Antiquities Authority), em cooperação com outros departamentos do governo israelense, vem fazendo o levantamento das grutas do deserto da Judeia. Agora, dia 16 de março de 2021, importantes resultados das escavações foram divulgados pela IAA.

Em uma gruta, conhecida como “Gruta do Horror“, de difícil acesso, onde judeus se esconderam durante a revolta liderada por Bar-Kokhba contra os romanos, entre Fragmentos de textos bíblicos encontrados no deserto da Judeia. © Shai Halevi, Israel Antiquities Authority131 e 135 d.C., foram descobertos fragmentos de um manuscrito, em pergaminho, contendo trechos, em grego, dos profetas Zacarias e Naum.

Além dos fragmentos dos textos bíblicos, a operação revelou outras achados como moedas judaicas da época de Bar-Kokhba, pontas de flechas, sandália, pente. E coisas extraordinárias, como um esqueleto de uma criança, com idade entre 6 e 12 anos, de cerca de 4 mil a.C., embrulhado em um tecido e mumificado, e uma grande cesta, intacta, de 8.500 a.C., a mais antiga do mundo até agora encontrada.

Explica William A. Ross, em seu blog Septuaginta &c., no post The New Dead Sea Scroll Discoveries and the Septuagint, de 16 de março de 2021:

É uma história fantástica, mas a versão resumida é que, pela primeira vez em sessenta anos, os arqueólogos descobriram vários novos itens da chamada Gruta do Horror no wadi Naḥal Ḥever. As descobertas são o resultado de esforços renovados da Autoridade de Antiguidades de Israel para evitar mais saques de tesouros culturais.

Se você acha que os estudos bíblicos são monótonos, dê uma olhada no vídeo das escavações [confira o link abaixo]. Como você pode ver no vídeo, a Gruta do Horror – carinhosamente conhecida como “Gruta 8” – está situada a algumas centenas de metros da encosta de um penhasco íngreme. Os estudiosos sabem sobre a caverna desde a década de 1950, quando ela foi descoberta por beduínos. Originalmente, continha mais de quarenta esqueletos humanos – daí o seu nome – que pertenceram a judeus durante a revolta de Bar Kokhba contra os romanos, junto com um manuscrito dos Profetas Menores em grego conhecido como 8ḤevXIIgr (Ra 943).

Fragmentos dos Doze Profetas Menores encontrados no deserto da Judeia © Orit Kuslansky Rosengarten, Israel Antiquities AuthorityParece que os fragmentos agora encontrados vieram daquele mesmo manuscrito maior descoberto por Yohanan Aharoni nos anos 60 (8ḤevXIIgr) e posteriormente examinado por Dominique Barthélemy.

Esses fragmentos, escritos por dois diferentes escribas, já estão sendo estudados por Tanya Bitler, Oren Ableman e Beatriz Riestra. Até agora, onze linhas de texto foram reconstruídas a partir de Zc 8,16-17 e Na 1,5-6, onde o Tetragrama aparece escrito em paleo-hebraico.

Parte do que torna esses fragmentos – e o manuscrito do qual eles fazem parte – tão significativos é que esta versão grega específica dos Profetas Menores difere em certos aspectos da que temos no Texto Massorético (TM), que constitui a base textual de praticamente todos traduções modernas do Antigo Testamento.

Recomendo as fotos e vídeos das escavações. Podem ser acessados aqui e aqui.

Para ler mais:

Fragmentos bíblicos encontrados em Israel. É a mais importante descoberta dos últimos 60 anos – Paolo Ondarza: Vatican News – 16/03/2021Col. B1–2 (de acordo com E. Tov) do Manuscrito dos Profetas Menores em grego de Nahal Hever (8HevXIIgr)

Joseph Lauer’s Roundup of Sources For the Latest Dead Sea Scroll Discovery – Jim West: Zwinglius Redivivus – 16 Mar 2021

New scroll fragments uncovered in the Judean Desert Nature Reserve – Israel Ministry of Foreign Affairs: 16 Mar 2021

A challenging Israel Antiquities Authority operation has uncovered thrilling finds in the Judean Desert Nature Reserve – The Friends of the Israel Antiquities Authority: March 16, 2021

Bible scroll fragments among dazzling artifacts found in Dead Sea Cave of Horror – By Amanda Borschel-Dan: The Times of Israel – 16 March 2021

New Nahal Hever LXX Fragments of the Minor Prophets – By Peter Curry: Evangelical Textual Criticism – March 16, 2021

Revisitando o legado de Layard

Livro disponível para download gratuito. Em inglês.

ERMIDORO, S. ; RIVA, C. Rethinking Layard 1817-2017. Istituto Veneto di Scienze, Lettere ed Arti: Venezia, 2020, 228 p. – ISBN 9788892990005.

Atti del convegno promosso dall’istituto Veneto di Scienze, Lettere ed Arti e Università Ca’ Foscari Venezia, Dipartimento di Studi Umanistici (Venezia, 5-6 marzo 2018).

Austen Henry Layard: 1817-1894

Repensando Layard 1817-2017 marcou o bicentenário do nascimento do famoso arqueólogo e diplomata Austen Henry Layard (1817-1894). O volume reúne contribuições para a conferência internacional de dois dias, que foi organizada por Stefania Ermidoro e Cecilia Riva, com o apoio do Istituto Veneto di Scienze, Lettere e Arti e Scuola Dottorale na Storia delle Arti da Universidade Ca ’Foscari.

Usando uma abordagem interdisciplinar, os ensaios coletados neste volume pretendem expandir e cruzar novos materiais não publicados sobre Layard e suas atividades, realizações e legado de longo prazo em Londres e Veneza do século XIX. Uma atenção particular é dada à contribuição de Layard para a arte, arqueologia, política e diplomacia.

 

This volume contains the papers presented at the Conference Rethinking Layard 1817-2017 and is promoted by Istituto Veneto di Scienze, Lettere ed Arti and by Università Ca’ Foscari Venezia, Dipartimento di Studi Umanistici (Venice, 5-6 March 2018).

Rethinking Layard 1817-2017 marked the bicentenary of the birth of the famous archaeologist and diplomat Austen Henry Layard (1817-1894). The volume brings together contributions to the international two-day conference, which was organised by Stefania Ermidoro and Cecilia Riva, with the support of the Istituto Veneto di Scienze, Lettere e Arti and Scuola Dottorale in Storia delle Arti of Ca’ Foscari University. Using an interdisciplinary approach, the essays collected in this volume intend to expand and cross-relate new, unpublished materials about Layard and his activities, achievements, and long-term legacy in nineteenth-century London and Venice. Particular attention is placed upon Layard’s contribution to art, archaeology, politics, and diplomacy.

Contents

Andrew R. George, Layard of Nineveh and the Tablets of Nineveh

Silvia Alaura, Austen Henry Layard and Archibald Henry Sayce: an Anatolian Perspective

John Curtis, Layard’s Relationship with F.C. Cooper and His Other Artists

Georgina Herrmann, Austen Henry Layard, Nimrud and His Ivories

Stefania Ermidoro, A Family Treasure: the Layard Collection at Newcastle University

Henrike Rost, New Perspectives on a Supranational Elite in Venice: Lady Layard’s Musical Activities and Her Autograph Book (1881-1912)

Jonathan P. Parry, Henry Layard and the British Parliament: Outsider and Expert

Maria Stella Florio, Rawdon Brown and Henry Layard in Venice

Frederick Mario Fales, Layard, Saleh, and Miner Kellogg: Three Worlds in a Single Painting

Cecilia Riva, Austen Henry Layard and His Unruly Passion for Art

 

Um trecho do Prefácio:

Uma primeira série de artigos enfatiza o papel de Layard como pioneiro e defensor dos estudos arqueológicos e revive seu legado. Layard não apenas estabeleceu as bases da assiriologia, como Andrew George argumenta, mas também contribuiu para a arqueologia pré-clássica da Anatólia, como Silvia Alaura descreve em seu ensaio sobre a troca de experiência entre Layard e Archibald Henry Sayce.

John Curtis aborda a relação de Layard com os artistas que o acompanharam nas escavações em Nimrud e Nínive, cujas ilustrações contribuíram para uma contextualização mais precisa das descobertas de Layard, bem como para uma melhor compreensão da arte assíria entre os estudiosos e o público. Mario F. Fales explica como as descobertas assírias chegaram à América, analisando o retrato orientalista idealizado que Miner K. Kellogg pintou de Layard. Partindo da função dessas representações visuais da Assíria e do Oriente em geral, Georgina Herrmann oferece um exame detalhado de alguns dos marfins siro-fenícios e egípcios descobertos por Layard, mantidos no Museu Britânico.

Depois de mergulhar no arquivo da família de Layard, que foi recentemente depositado na Biblioteca Philip Robinson da Universidade de Newcastle, Stefania Ermidoro apresenta Layard de uma perspectiva nova e mais íntima. Sendo um repositório de memórias pessoais e materiais de trabalho, o arquivo fornece um ponto de acesso aos variados interesses e atividades de Layard, bem como aos de sua esposa, Lady Enid Layard, nascida Guest. Henrike Rost dirige sua atenção para o álbum de autógrafos de Lady Layard e as noites musicais organizadas no Ca ‘Cappello Layard, que oferece uma visão fascinante do círculo social do casal. Entre as atividades que os Layards desenvolveram em Veneza estava o investimento na fabricação de vidro de Murano, que Rosa Barovier Mentasti descreveu na conferência; sua apresentação pode ser vista no canal do Istituto Veneto no Youtube.

O contexto veneziano de meados do século XIX em diante é explorado por Maria Stella Florio. Ela desvia o olhar dos Layards para apresentar outro ilustre anglo-veneziano, embora da geração anterior, Rawdon Brown. A comparação entre essas duas personalidades e sua abordagem de Veneza e suas instituições é complementada pelo ensaio de Cecilia Riva, no qual a atividade de coleta e os relacionamentos de Layard são explorados. Ela se concentra principalmente no corpo diplomático britânico em Veneza e seu papel no mercado de arte. Na verdade, a ambição de toda a vida de Layard, desde sua primeira viagem a Constantinopla, era ser um diplomata de alto escalão, um status que ele parcialmente conquistou. Johnathan Parry destaca como suas ambições diplomáticas também guiaram sua carreira parlamentar, enquanto lançava uma nova luz sobre um dos aspectos menos conhecidos da vida de Layard.

A variedade e amplitude dos ensaios, bem como seu conteúdo inter-relacionado, contribuem para uma imagem rica e complexa de Layard. Rethinking Layard 1817-2017 chamou a atenção para o envolvimento de Layard nas muitas instituições públicas das quais ele participou, tanto em Londres quanto em Veneza. Em particular, os colaboradores lançaram luz sobre as atividades de Layard como colecionador e colaborador de vários museus e coleções particulares. Finalmente, o legado contínuo de Layard atrai muita atenção, especialmente nos campos da arqueologia, questões do mercado de arte, estudos de vidro e história da política.

 

A first series of papers stresses the role Layard played as a pioneer and supporter of archaeological studies and revives his legacy. Not only did Layard establish the foundations of Assyriology, as Andrew George argues, but he also contributed to the pre-classical archaeology of Anatolia, as Silvia Alaura outlines in her essay on the exchange of expertise between Layard and Archibald Henry Sayce.

John Curtis addresses Layard’s relationship with the artists who accompanied him on the excavations in Nimrud and Nineveh, whose illustrations contributed to a more precise contextualization of Layard’s discoveries, as well as to a better understanding of Assyrian art among scholars and the public. Mario F. Fales explains how Assyrian discoveries reached America, by analysing the idealised Orientalist portrait Miner K. Kellogg painted of Layard. Drawing back from the function of these visual representations of Assyria and the Orient in general, Georgina Herrmann offers a close examination of some of the Syro-Phoenician and Egyptianizing ivories discovered by Layard, kept at the British Museum.

Having delved into the Layard’s family archive that was recently deposited to the Philip Robinson Library at Newcastle University, Stefania Ermidoro presents Layard from a new and more intimate perspective. Being a repository of personal memories and working materials, the archive furnishes a point of access to Layard’s varied interests and activities, as well as to those of his wife, Lady Enid Layard, née Guest. Henrike Rost directs her attention to Lady Layard’s autograph album and the musical evenings organised at Ca’ Cappello Layard, which gives a fascinating insight into the couple’s social circle. Among the activities the Layards pursued in Venice was their investment in Murano glass-making, which Rosa Barovier Mentasti described at the conference; her presentation can be seen on the Istituto Veneto’s Youtube channel.

The Venetian context of the mid-nineteenth century onwards is explored by Maria Stella Florio. She shifts the emphasis away from the Layards by introducing another illustrious Anglo-Venetian, albeit of the previous generation, Rawdon Brown. The comparison between these two personalities and their approach to Venice and its institutions is complemented by Cecilia Riva’s essay, in which Layard’s collecting activity and networks are explored. She focuses particularly on the British diplomatic corps in Venice and its role in the art market. Indeed, Layard’s lifelong ambition since his first journey to Constantinople was to be a diplomat of the top rank, a status he partly achieved. Johnathan Parry points out how his diplomatic ambitions also guided his parliamentary career, while shedding new light on one of the least-known aspects of Layard’s life.

The sheer variety and breadth of the essays, as well as their cross-relation in content, contribute to a rich and complex picture of Layard. Rethinking Layard 1817-2017 drew attention to Layard’s involvement in the many public institutions in which he took part, both in London and in Venice. In particular, the contributors shed light on Layard’s activities as a collector and contributor to various museums and private collections. Finally, Layard’s ongoing legacy elicits much attention, especially in the fields of archaeology, art market issues, glass studies, and history of politics.

Ugarit e Baal

Ugarit (Ras Shamra), na região siro-fenícia, é importante para o estudioso de Bíblia por causa de sua grande literatura, relacionada com a literatura bíblica e sua língua, parente da hebraica. As escavações aí realizadas enriqueceram muito os estudos bíblicos nos últimos tempos.

Ugarit, na região siro-feníciaAssim se deu sua descoberta: em março de 1928, um lavrador alauita, arando sua propriedade a cerca de 12 km ao norte de Latakia, antiga Laodicea ad mare, remove uma pedra na qual seu arado bate e encontra os restos de uma tumba antiga. Colocado a par da descoberta, o Serviço de Antiguidades da Síria e do Líbano, na época sob mandato francês, encarrega um especialista, M. L. Albanese, que imediatamente notifica a presença de uma necrópole e identifica a tumba como sendo do tipo micênico, datável aí pelos séculos XIII ou XII a.C.

Uma necrópole supõe a existência de uma cidade. Por isso, Albanese e Dussaud prestaram atenção à colina vizinha, chamada Ras Shamra, de uns 20 metros de altitude, que tinha toda a aparência de ser um tell arqueológico, ou seja, um acúmulo de ruínas antigas, e que podia corresponder à cidade procurada.

Um ano mais tarde, no dia 2 de abril de 1929, sob o comando de Claude F. A. Schaeffer, começaram as escavações, primeiro da necrópole, e logo em seguida, no dia 8 de maio, no tell, que tem um extensão de uns 25 hectares e se encontra a cerca de 800 metros da costa. Ao norte se vê o Jebel Aqra’, “monte pelado”, ou Monte Zafon (o monte Casius, dos romanos) que separa a região dos alauitas do vale e da desembocadura do rio Orontes.

Poucos dias mais tarde, foram feitas as primeiras descobertas: tabuinhas de argila escritas em caracteres cuneiformes, objetos de bronze e de pedra.

A identificação do nome do local não foi difícil, pois os textos descobertos sugeriram imediatamente que se tratava de Ugarit (ú-ga-ri-it), já conhecida por referências da literatura egípcia e mesopotâmica, sobretudo pelas Cartas de Tell el-Amarna, onde se encontram algumas provenientes da própria Ugarit. Entre os textos encontrados aparece o nome da cidade.

Os textos foram encontrados todos no primeiro nível arqueológico (1500-1100 a.C.) , pertencendo, portanto, à última fase da cidade, que foi destruída pelos “povos do mar“. Os textos estavam principalmente na “Biblioteca” anexada ao templo de Baal e no “Palácio Real” ou “Grande Palácio”, que possuía diversas dependências para arquivos.

As tabuinhas estão redigidas em sete sistemas diferentes de escrita, correspondente a sete línguas diferentes: em hieróglifos egípcios, em hitita hieroglífico e cuneiforme, em acádico, em hurrita, em micênico linear e cipriota e em ugarítico. Os textos que nos interessam estão em ugarítico, um sistema cuneiforme alfabético, que foi decifrado em poucos meses por H. Bauer, E. Dhorme e Ch. Virolleaud. Nesta língua, que é uma forma do cananeu, foram encontrados cerca de 1300 textos.

Para nós é muito importante o Ciclo de Baal (ou Ba’lu). As tabuinhas do Ciclo de Baal foram encontradas todas nas campanhas arqueológicas de 1930, 1931 e 1933 e estão hoje no Museu do Louvre, Paris, e no Museu de Aleppo, na Síria.

São seis tabuinhas que trazem um ciclo mitológico composto de três mitos ou composições autônomas que giram cada uma em torno de um mitema particular: Luta entre Ba’lu e Yammu (1.1-2), O palácio de Ba’lu (1,3-4) e a Luta entre Ba’lu e Môtu (1.5-6).

E o mais interessante no Ciclo de Baal é que as seis tabuinhas têm a mesma “caligrafia”, ou seja, foram escritas pelo mesmo escriba que se identifica como Ilimilku em 1.6 e 1.16, junto com o nome do Sumo Sacerdote, Attanu-Purlianni, para quem trabalhou e que deve ter ditado o texto, e a quem deveremos considerar como o autor, redator ou, quem sabe, apenas o transmissor desta versão tradicional do mito de Baal e o nome do rei, Niqmaddu, que governou Ugarit de 1370 a 1335 a.C.

Baal é um jovem deus, filho de El, que é o pai de todos os deuses do panteão ugarítico, mas também é conhecido como filho de Dagan. Baal significa “senhor”. É chamado igualmente de Hadad ou Haddu e considerado como “Cavalgador das Nuvens”, “Príncipe”, “Senhor da Terra”, “Poderoso”, “Soberano”.

Diz o mito da Luta entre Baal e Môt que Môt (deus da morte e da esterilidade) se sente prejudicado pela vitória de Baal (deus da chuva e da fertilidade) sobre Yam (deus do mar), vitória que afeta seu poder. Baal declara sua submissão e é intimado por Môt a descer por sua goela, sendo, assim, morto. É que no mundo subterrâneo de Môt ninguém é capaz de resistir ao seu poder.

El, o pai de Baal, lamenta profundamente a morte do “Senhor da Terra”:

“Chegamos junto de Baal, ele estava caído por terra. Baal de Ugarit - Museu do Louvre, Paris
Baal, o muito Poderoso, estava morto
o Príncipe, Senhor da Terra, tinha perecido.
Então El, o Misericordioso de grande coração,
desce de seu trono, assenta-se no escabelo
e do escabelo vai assentar-se na terra.
Espalha sobre sua cabeça a cinza do luto,
sobre seu crânio, a poeira da aflição.
cobre seus rins com um saco,
golpeia sua pele com uma pedra,
corta com uma navalha suas duas tranças,
lacera três vezes suas faces e seu queixo (…)
Eleva sua voz e exclama:
‘Baal morreu! Que vai ser do povo?
O filho de Dagan morreu! Que vai ser da multidão?’”

Mas Anat, deusa do amor, da fecundidade e da guerra, companheira de Baal, vai à sua procura, resgata seu corpo e enfrenta Môt, matando-o.

“Os dias passaram
os dias tornaram-se meses;
Anat, a Donzela, o procurou.
Como o coração da vaca por seu bezerro,
como o coração da ovelha por seu cordeiro,
assim batia o coração de Anat por Baal.
Agarrou o divino Môt,
com uma faca o partiu,
com um ancinho o limpou,
no fogo o queimou,
com pedras de moinho o triturou,
no campo o espalhou,
sua carne os pássaros comeram,
seus pedaços as aves devoraram
a carne à carne foi convidada”.

Com a morte de Môt, Baal revive e isto provoca grande alegria:

“Está vivo Baal, o Vitorioso (…)
que os céus chovam azeite
que as torrentes fluam com mel (…)
Alegrou-se El, o Misericordioso de grande coração, apoiou seus pés no escabelo
iluminou-se seu semblante e começou a rir”.

E, finalmente, os campos ressequidos voltam a receber a chuva que os fertiliza, porque Baal, o Senhor da Terra, está vivo.

Os mitos de Ugarit podem ser lidos em DEL OLMO LETE, G. Mitos y leyendas de Canaan según la tradición de Ugarit. Madrid: Institución San Jeronimo/Ediciones Cristiandad, 1981.

Ugarit – Ras Shamra

Série Ras Shamra – Ougarit

Vários volumes estão disponíveis online e para download. Sobre Ugarit (Ras Shamra), confira aqui.

A série Ras Shamra – Ougarit foi iniciada por Marguerite Yon, diretora da Missão Arqueológica Francesa de Ras Shamra de 1978 a 1998. Dezesseis volumes (I a XVI) foram publicados sob sua responsabilidade. A série foi então dirigida por Yves Calvet, diretor francês da Missão Arqueológica Siro-Francesa de Ras Shamra de 1999 a 2008, e desde 2009, por Valérie Matoïan, diretora francesa da missão. A série, que visa entregar documentação inédita à comunidade científica, inclui monografias e trabalhos coletivos. O volume XXVII foi lançado em 2019.

A grande maioria dos textos é escrita em francês. Os resumos em inglês estão associados às contribuições do volume XVII e aos resumos em árabe do volume XXIII.YON M., SZNYCER M. et BORDREUIL P. (éds), 1995, Le pays d’Ougarit autour de 1200 av. J.C., Actes du Colloque International, Paris, 28 juin- 1er juillet 1993, Ras Shamra-Ougarit XI, ERC, Paris.

Desde a sua criação, esta publicação tem recebido apoio constante do Ministério das Relações Exteriores. Desde 1983 e até 2007, a série foi publicada pela Éditions Recherche sur les Civilizations (Paris), de 2008 a 2012 pela Publications de la Maison de l’Orient et de la Méditerranée (Lyon), e desde 2012 pela Éditions Peeters em Lovaina .

O índice é apresentado para cada volume. Os volumes I a XVI também estão disponíveis online e para download. A operação de digitalização desses volumes recebeu o apoio do Ministério das Relações Exteriores e do Departamento de TI da Maison de l’Orient et de la Méditerranée. Para os volumes a seguir, os resumos das contribuições estão disponíveis online.

 

La série Ras Shamra – Ougarit a été initiée par Marguerite Yon, directrice de la Mission archéologique française de Ras Shamra de 1978 à 1998. Seize volumes (I à XVI) sont parus sous sa responsabilité. La direction de la série a ensuite été assurée par Yves Calvet, directeur français de la Mission archéologique syro-française de Ras Shamra de 1999 à 2008, et depuis 2009, par Valérie Matoïan, directrice française de la mission. La série, dont l’objectif est de livrer à la communauté scientifique la documentation inédite, comprend des monographies et des ouvrages collectifs. Le volume XXVII est paru en 2019.

La très grande majorité des textes sont rédigés en langue française. Des résumés en langue anglaise sont associés aux contributions depuis le volume XVII et des résumés en langue arabe depuis le volume XXIII.
Depuis sa création, cette publication reçoit un soutien constant du Ministère des Affaires étrangères. Depuis 1983 et jusqu’en 2007, la série est parue aux Éditions Recherche sur les Civilisations (Paris), de 2008 à 2012 aux Publications de la Maison de l’Orient et de la Méditerranée (Lyon), et depuis 2012 aux Éditions Peeters à Leuven.

La table des matières est présentée pour chaque volume. Les volumes I à XVI sont de plus consultables en ligne et téléchargeables. L’opération de numérisation de ces volumes a reçu le soutien du Ministère des Affaires étrangères et du Service informatique de la Maison de l’Orient et de la Méditerranée. Pour les volumes suivants, les résumés des contributions sont consultables en ligne.

Covid-19: fase vermelha

Todo o estado de São Paulo entrou neste sábado, 06.03.2021, na fase vermelha do plano São Paulo para conter o avanço do número de casos e mortes provocadas pelo Fase vermelha em São Paulo em 06.03.2021novo coronavírus. A fase restritiva da quarentena deve permanecer até o dia 19 de março de 2021.

Fase vermelha começa neste sábado

Veja o que pode e o que não pode funcionar na fase vermelha em Ribeirão Preto, SP

Brasil bate novo recorde e acumula 10 mil mortes por Covid em uma semana; médias de mortes e de casos são as maiores da pandemia – G1: 06/03/2021

Covid-19: Onda Roxa

A Onda Roxa prevê medidas mais restritivas para conter o avanço da contaminação pelo coronavírus, como restrição de circulação nas ruas em qualquer horário e barreiraOnda Roxa em Minas Gerais em 07.03.2021 sanitária. Elas são impostas pelo governo do Estado de Minas às prefeituras que estão à beira do colapso do sistema de saúde. Nesta onda, todos as cidades, independente da adesão ou não ao Minas Consciente, deverão seguir as determinações estaduais.

Mais duas regiões de MG vão para Onda Roxa e já são quase 200 municípios com regras mais rígidas no estado

Após alteração no ‘Minas Consciente’, macrorregiões Triângulo do Norte e Noroeste são inseridas na Onda Roxa

Macrorregião Triângulo do Sul é inserida na Onda Roxa, fase mais restritiva do programa ‘Minas Consciente’