Gramática de grego

SWETNAM, J. Gramática do grego do Novo Testamento I-II. São Paulo: Paulus, 2002, vol I: 456 p; vol. II: 336 p. – ISBN 853492001X

 

O grande conhecimento do grego, aliado à experiência no ensino, levou James Swetnam, professor de grego do Novo Testamento (koiné) do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, a produzir esta Gramática do Grego do Novo Testamento (vol. I e II). Frutos de mais de 30 anos de pesquisa, seus livros são dirigidos tanto aos que estudam o grego bíblico como aos desejosos de estudar de forma autodidática a língua do Novo Testamento. Esta gramática é adotada no Pontifício Instituto Bíblico de Roma, na formação de todos os estudantes que iniciam o curso. James Swetnam é doutorado em Oxford, Reino Unido.

A gramática foi lançada em português pela Paulus, em tradução feita por Henrique Murachco, Juvino A. Maria Jr. e Paulo Bazaglia da segunda edição inglesa revista e corrigida, publicada pela editora do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, em 1998, e que tem como título An Introduction to the Study of the New Testament Greek. A edição original é de 1992, baseada, por sua vez, em notas mimeografadas de 1981. A gramática, além do português, foi traduzida também para o italiano, espanhol, coreano e ucraniano.

James Swetnam, Gramática do Grego do Novo TestamentoA gramática, diz a apresentação da Paulus, traz a morfologia do grego do NT dentro de um plano de organicidade progressiva, onde o vocabulário e as regras gramaticais são lentamente explicados, levando o estudante à sua familiarização gradativa. Textos permeiam a obra continuamente. Deste modo, a alegria de sentir e compreender o texto vai se tornando passo a passo mais intensa, até que no fim o estudante percebe que adquiriu o vocabulário fundamental e as regras básicas para ler e compreender bem a língua em que os escritores do Novo Testamento apresentaram a Boa Nova.

O primeiro volume traz 100 lições cuidadosamente planejadas, com os títulos definindo todo o conteúdo de cada lição; o desenvolvimento de cada item do título; regras progressivas de acentuação; um vocabulário progressivo, segundo a frequência dos termos em o NT e exercícios de uso da língua. Os exercícios são, em geral, trechos do NT, onde o estudante poderá traduzir do grego para o português e do português para o grego.

O segundo volume, também com 100 lições, apresenta as chaves dos exercícios do primeiro e os paradigmas de flexão de todos os termos gregos, incluindo declinação de nomes e adjetivos, conjugação de verbos regulares e irregulares, enunciado dos verbos irregulares difíceis e cinco índices para a localização de palavras em grego ou em português.

Escreve Swetnam no Prefácio à edição em português de sua gramática, no Natal de 2001: “Esta edição em português da minha gramática introdutória ao grego do Novo Testamento deixa-me muito satisfeito. Com ela poderei ajudar muita gente em diversos lugares – Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Timor Leste etc – a compreender a língua original do conjunto de livros escritos de forma ímpar sobre a pessoa mais importante que já viveu: Jesus Cristo“.

E continua:”A gramática foi escrita com extrema pormenorização. Por duas razões: 1) as pormenorizações podem ser de grande ajuda ao estudante que usa este texto sem o auxílio de um professor (ainda que as lições possam ser seguidas com a vantagem da supervisão de um professor, como num curso ministrado); 2) as pormenorizações podem ajudar o estudante a compreender que o texto grego neotestamentário é importante sob todos os aspectos, até o menor deles. A decisão de insistir nos pormenores, além disso, é simplesmente reflexo do modo como o grego do Novo Testamento é ensinado no Pontifício Instituto Bíblico. Após 33 anos de ensino no Instituto Bíblico, portanto, de modo nenhum me arrependo a esse respeito. O domínio do Novo Testamento certamente requer muito mais que o domínio do texto grego. Todavia, o domínio do texto grego geralmente é essencial ao domínio do Novo Testamento” (p. 4). Sobre esta preocupação com os detalhes, posso corroborar sua afirmação, pois estudei com Swetnam – e apreciei muito sua metodologia – na década de 70.

Já na Introdução na p. 7, diz Swetnam: “Um livro de texto nunca é completamente satisfatório, exceto, talvez, para seu autor. A esse respeito, o autor desta obra não se ilude. Ele simplesmente oferece esta gramática como resultado de vários anos de ensino a estudantes de ampla variedade de proveniência (mais de mil e quinhentos, de oitenta e cinco países). Sua esperança é que esta gramática possa ser de ajuda a outros professores, seja por meio de seu uso direto, seja como incentivo a que escrevam a sua própria“.

E mais adiante, ainda na mesma página, o autor oferece algumas pistas interessantes ao estudante do grego do Novo Testamento: “A obra se baseia numa série de observações do autor, fundadas em sua experiência pessoal:

1. Não é fácil aprender o grego do Novo Testamento; exceto para pessoas que possuem um dom para além do normal, a aprendizagem requer James Swetnam esforço considerável e perseverante. Por outro lado, qualquer pessoa que possua inteligência normal pode aprender muito desta língua, desde que esteja disposta a enfrentar um grande trabalho.

2. Aprender o grego do Novo Testamento requer realismo em perseguir um objetivo, se é que o estudante procura perseverar a ponto de conseguir o domínio da língua e consequentemente a habilidade para ler o texto do Novo Testamento.

3. Geralmente se obtém maior fruto do estudo do grego do Novo Testamento caso se desenvolva uma aprendizagem tanto dedutiva (que consiste na memorização do vocabulário, paradigmas e regras) quanto indutiva (que consiste no contato com o texto do Novo Testamento).

4. A aprendizagem do grego do Novo Testamento pode tornar-se menos difícil quando se faz uma apresentação cuidadosa da nova matéria, de modo que os pontos essenciais sejam claramente dispostos e aqueles não tanto essenciais sejam apresentados em modo subordinado ou remetidos a ulterior consideração” (p.7).

A estas observações, se me for permitido como ex-aluno de Swetnam, gostaria de acrescentar outra: o acompanhamento da evolução de cada estudante em seu aprendizado, durante o curso, por parte do professor, é da maior importância. Coisa que Swetnam sabe fazer com maestria.

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