História de Israel 5

Páginas 1 | 2 | 3 | 4 | 5 | 6 | 7 | 8 | 9 | 10 | 11 | 12 | 13 | 14 | 15 | 16 | 17 | 18 | 19 | 20 | 21 | 22 | 23 | 24 | 25 | 26 | 27 | 28 | 29 | 30 | 31 | 32 | 33 | 34

 

Passemos ao período que se segue à queda de Ur III, que vai de 2003 a 1792 a.C. Com a queda de Ur III assume o poder o governo de Isin. Mas não consegue mais dominar toda a Mesopotâmia e sob o reinado de Lipit-Ishtar (1934-1924 a.C.) o caos se estabeleceu na Mesopotâmia, retalhada em pequenos Estados lutando entre si pela hegemonia.

Na luta entre os vários grupos observamos que a maioria deles ostenta nome amoritas, consequência de grandes migrações que foram uma das causas da queda de Ur. Esta entrada em cena dos amoritas (ou amorreus) assinala um fato fundamental na história da época.

Em sumério são chamados de MAR.TU, em acádico AMURRU, significando “ocidentais” ou “povo do oeste”, chamados também de semitas do oeste.

A caracterização dos amoritas é feita em uma epopeia da época que, descrevendo o mito do casamento do seu deus Amurru, diz: “É um homem que desenterra trufas [espécie de cogumelo comestível] no sopé das montanhas, que não sabe dobrar os joelhos para cultivar a terra, que come carne crua, que não tem casa durante a vida, e não é sepultado após a morte”.

Durante muito tempo existiu certo consenso entre os especialistas, baseados em sátiras como esta dos sumérios, citada acima, e em uma visão romântica do nomadismo, típica do século XIX, de que os amoritas eram nômades que invadiram a Mesopotâmia e também a Palestina vindos do deserto siro-arábico.

Hoje, porém, não é mais possível sustentar esta posição, pois o que se descobriu nos últimos anos é que os amoritas são sedentários do norte da Mesopotâmia, vivendo da agricultura e da criação de gado. Isto é testemunhado pelas centenas de povoados espalhados do Eufrates até os vales dos rios Khabur e Balikh e datados pelos arqueólogos como existentes desde o Calcolítico. O crescimento populacional dos amoritas deve ter provocado a ampliação de seus territórios e a ocupação de várias cidades da região mesopotâmica. Além do que, muitas das mudanças ocorridas em todo o Antigo Oriente Médio que eram atribuídas a invasões mal documentadas de povos, podem ser explicadas, hoje, mais cientificamente, pelas mudanças climáticas na região, sujeita a períodos de secas prolongadas e devastadoras.

É assim que se chega à luta pela hegemonia na Baixa Mesopotâmia, onde a disputa era entre as dinastias de Isin e Larsa, enquanto na Alta Mesopotâmia a luta se dava entre Assur e Mari, também governadas por amoritas.


No final deste período a cidade que emergiu com maior poder foi Babilônia. Sob a III dinastia de Ur fora governada por um ensi e progressivamente seu poder cresceu, tornando-se um principado independente e controlando algumas cidades vizinhas.

Em 1792 Hammurabi (1792-1750 a.C.) subiu ao trono de Babilônia. Consolidou sua posição frente aos vizinhos da Baixa Mesopotâmia e em seguida estendeu seu domínio a Mari, aos elamitas, assírios e gútios. No 31º ano de seu reinado Hammurabi já era senhor da Suméria e de Akkad.

As terras na Babilônia pertenciam ao Estado, aos templos e a particulares. As terras do Estado eram exploradas por arrendatários, colonos, homens de corveia e funcionários do Estado que recebiam glebas em troca de serviços prestados.

O comércio era dominado pelos tamkarum, espécie de mercadores itinerantes e corretores, que agiam em nome do Estado, mas acumulando também fortunas particulares. O Estado intervinha em todos os setores da economia, determinando preços, contratos de trabalho, salários etc.

Na Mesopotâmia governada pelos babilônios da época de Hammurabi temos populações que, na sua maioria, falam línguas semíticas, como o assírio, o babilônio e os idiomas semitas do noroeste. No campo viviam agricultores sedentários e nômades. Nas cidades, pequenos artesãos e comerciantes. As regiões intermediárias eram habitadas também pelos amoritas, além de haver grupos hurritas.

Hammurabi desenvolveu uma legislação que ficou famosa através de seu conhecido código. Através dele podemos conhecer a estrutura social da época. Três classes compunham a sociedade: os ricos (awilum), o povo (mushkenum) e os escravos. Além disso havia os prisioneiros de guerra (asiru) e os deportados, categorias estas sem nenhum estatuto jurídico e que viviam a verdadeira escravidão.

O casamento era monogâmico, mas existia o concubinato, especialmente quando a esposa era estéril. E interessante é observar que a mulher casada tinha certa autonomia, pois podia exercer diversas profissões, demandar em juízo e até assumir cargos públicos.

A literatura e as artes alcançaram grande esplendor na época de Hammurabi. Havia muitas escolas de escribas ao redor de palácios e templos. A cultura suméria foi organizada e preservada, a história começou a se desenvolver sob a forma de listas reais e a literatura religiosa cresceu enormemente.


Um trecho do Epílogo do Código de Hammurabi na tradução de BOUZON, E. O Código de Hammurabi: Introdução, tradução do texto cuneiforme e comentários. 10. ed. Petrópolis: Vozes, 2003, p. 222-223.

(Estas são) as sentenças de justiça, que Hammurabi, o rei forte, estabeleceu e que fez o país tomar um caminho seguro e uma direção boa.

Eu (sou) Hammurabi, o rei perfeito. Para com os cabeças-pretas, que Enlil me deu de presente e dos quais Marduk me deu o pastoreio, não fui negligente, nem deixei cair os braços; eu lhes procurei sempre lugares de paz, resolvi dificuldades graves, fiz-lhes aparecer a luz. Com a arma poderosa que Zababa e Ishtar me outorgaram, com a sabedoria que Ea me destinou, com a habilidade que Marduk me deu, aniquilei os inimigos em cima e embaixo, acabei com as lutas, promovi o bem-estar do país (…).

Para que o forte não oprima o fraco, para fazer justiça ao órfão e à viúva, para proclamar o direito do país em Babel, a cidade cuja cabeça An e Enlil levantaram, na Esagila, o templo cujos fundamentos são tão firmes como o céu e a terra, para proclamar as leis do país, para fazer direito aos oprimidos, escrevi minhas preciosas palavras em minha estela e coloquei-a diante de minha estátua de rei da justiça (…).

Que o homem oprimido, que está implicado em um processo, venha diante da minha estátua de rei da justiça, leia, atentamente, minha estela escrita e ouça minhas palavras preciosas. Que minha estela resolva sua questão, ele veja o seu direito, o seu coração se dilate! (…)

Que nos dias futuros, para sempre, um rei que surgir no país observe as palavras de justiça que escrevi em minha estela, que ele não mude a lei do país que eu promulguei, as sentenças do país que eu decidi, que ele não altere os meus estatutos!

Página 6

Print Friendly