Autores judeus antigos

Quem somos nós? Falam autores judeus antigos

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“Habitando um número considerável de judeus em nosso território (…) e desejoso de lhes ser agradável (…), nós decidimos mandar traduzir vossa Lei do hebraico para o grego, para termos estes livros também em nossa biblioteca, com os outros ‘livros do rei'” (O rei Ptolomeu II Filadelfo ao sumo sacerdote Eleazar, segundo a Carta de Aristeias a Filócrates, séc. II a.C.).

 

A partir do século III a.C., com a assimilação da língua e dos gêneros literários gregos, vários judeus tentam explicar aos seus conterrâneos e aos gregos cultos, especialmente de Alexandria, que o judaísmo é uma religião respeitável e recomendável pela sua antiguidade e pelos feitos de seus líderes.

Escrevendo em grego, e em gêneros literários gregos – da historiografia à filosofia – autores como Aristeias, Artápano, Teodoto, Jasão de Cirene e outros nos legam uma literatura de apologia do judaísmo, mas que é, ao mesmo tempo, excelente testemunho da resistência e da submissão desse povo e dessa cultura ao dominador grego.

Neste artigo, proponho a abordagem, em um primeiro momento, desta literatura de um modo geral e, em seguida, da Carta de Aristeias a Filócrates e de alguns historiadores como Demétrio, Eupólemo, o Samaritano anônimo, Artápano e o Pseudo-Hecateu.

Naturalmente esta é apenas uma amostragem, mas creio que bastante significativa, do processo de helenização que avança inexoravelmente entre os judeus durante os últimos três séculos antes da era cristã.

 

1. Literatura judaica em grego

Muitos autores judeus da época helenística escrevem em grego. Seu objetivo é, às vezes, o de explicar aos seus conterrâneos da diáspora, que falam grego ou leem apenas o grego, a validade e a importância dos antigos preceitos e da Lei judaica. Outras vezes, eles escrevem também para demonstrar aos gregos, com os quais convivem, que o judaísmo tem práticas bem fundamentadas, antigas e de muito valor.

Temos preservados, quase sempre só fragmentariamente, textos dos mais variados gêneros. Desde a tradução da Torá do hebraico para o grego, passando pela historiografia, carta, poesia, teatro até a filosofia.

É impossível sabermos até onde estes textos sobreviventes representam a totalidade da produção judaica em língua grega. Mas, mesmo assim, seu valor permanece, por serem os únicos textos deste tipo que possuímos[1].

O primeiro texto que chama a nossa atenção é a mais antiga tradução da Bíblia hebraica para o grego, a chamada LXX[2].

A LXX não é apenas uma tradução. É uma releitura da Bíblia com características específicas. Eis dois exemplos desta releitura:

. Em Ex 3, 14ss Deus não é Iahweh, mas o Senhor (Kýrios): faz-se um esforço para deslocar Deus de um contexto local e particular, o do povo judeu, para uma dimensão universal, a realidade do mundo após Alexandre Magno.

. No início do Sl 18 fala-se de Iahweh como rocha, fortaleza, abrigo, escudo, torre Os LXX traduzem isto em conceitos mais abstratos, não semíticos: Iahweh é apoio, refúgio, protetor etc, conceitos aceitáveis para a mentalidade grega.

Estritamente falando, a LXX é só o Pentateuco, que é traduzido por volta de 285 a.C. ou pouco depois. Os outros livros são traduzidos posteriormente, e para a maioria não temos datas exatas.

A Carta de Aristeias a Filócrates, do séc. II a.C., diz que 72 tradutores, enviados pelo sumo sacerdote de Jerusalém, vertem a Torá para o grego em 72 dias, a pedido do rei Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a.C.).

Esta história de 72 tradutores é mera ficção, mas hoje sabemos que:

a) o rei Ptolomeu II precisa conhecer a lei da comunidade judaica para administrá-la
b) Alexandria é um centro onde há grande curiosidade intelectual
c) além do que, os judeus de Alexandria, que falam só o grego, precisam conhecer as suas leis, para a organização social da comunidade e para atender às necessidades litúrgicas locais.

Outro setor extremamente interessante é o da historiografia: Demétrio, Eupólemo, o Samaritano anônimo, Artápano, Cleodemo Malco, Aristeias, o Exegeta, o Pseudo-Hecateu e 2 Macabeus (Jasão de Cirene) são os principais representantes deste gênero[3].

Estes são os primeiros autores judeus do período helenístico que escrevem em grego. São geralmente ou da Palestina ou do Egito e cobrem um período que vai do século III a.C. ao século I a.C.

Neles as tradições religiosas judaicas e gentias são mixadas e fundidas: eles manifestam várias características da época helenística e, por isso, são preciosos para a pesquisa sobre a helenização do judaísmo. Eles iluminam o processo social pelo qual o primeiro grupo judeu se acomoda e se adapta à cultura dominante grega na qual ele vive.

Estes autores escrevem sobre sua herança judaica, mas usando os novos gêneros da cultura em que vivem, e mostram confiança nesta cultura.

São importantes também porque fazem interpretações midrashicas da tradição bíblica e iluminam os modos de leitura bíblica tanto na Palestina quanto na diáspora.

A maioria destes textos é preservada, em primeiro lugar, pelo escritor Alexandre Poliístor, de Mileto, que, em Roma, na metade do séc. I a.C., coleta materiais de várias proveniências e autores, inclusive sobre os judeus e de autores judeus. Como falta a Alexandre Poliístor originalidade no modo de tratar seus materiais, suas fontes estão bem preservadas.

Entre suas muitas compilações, Alexandre Poliístor escreve Perì Ioudaíôn, “Sobre os judeus”, onde cita os autores judeus helenistas.

Da obra de Alexandre Poliístor temos apenas fragmentos, citados por Eusébio na sua Praeparatio Evangelica IX, 17-39, e alguns por Clemente de Alexandria, em Stromata[4].

C. R. Holladay observa que Eusébio cita tais fragmentos “porque eles foram preservados por um autor gentio que tornou-se um valioso testemunho para a antiguidade do judaísmo e, por extensão, para a credibilidade da cristandade”[5].

Destes historiadores tratarei ainda neste artigo, apenas deixando de lado Cleodemo Malco – samaritano do século II a.C. que num único fragmento trata de Abraão e sua descendência – e Aristeias, o Exegeta, talvez do Egito, no século II a.C., e que trabalha a história de Jó[6].

Na área da poesia conhecemos dois autores interessantes: Fílon épico e Teodoto.

Fílon, poeta épico, deve ser situado entre os séculos II e I a.C. em Jerusalém. De seu poema “Sobre Jerusalém” (Perì tà Hierosólyma) temos três fragmentos citados por Eusébio, na Praeparatio Evangelica IX, 20; 24; 34. O primeiro trata de Abraão, o segundo de José e o terceiro canta a abundância da água em Jerusalém.

Teodoto de Siquém é citado por Eusébio, Praeparatio Evangelica IX,22. O seu tema é a história da cidade de Siquém. Teodoto pode ser situado entre os séculos II e I a.C. Provavelmente é um samaritano[7].

Ezequiel, o Trágico, do séc. II a.C., que escreve provavelmente em Alexandria, é uma isolada testemunha da conversão de temas bíblicos em dramas gregos.

Através de Eusébio e Clemente de Alexandria, conhecemos trechos de seu drama “O Êxodo” (Exagôgê). Ezequiel segue de perto a narrativa bíblica, mas a enfeita com muitos misdrashim. Sua linguagem tem afinidade com Eurípedes e outros trágicos do séc. V a.C.[8]

Finalmente, no campo da filosofia é necessário citar Aristóbulo, judeu alexandrino do séc. II a.C., talvez até mesmo um dos sábios do Museu. Ele conhece a fundo a filosofia grega, especialmente Pitágoras, Sócrates e Platão. E ele é um eclético em seu pensamento.

Sua obra reproduz temas da Torá, que são explicados filosoficamente. Ele descreve o conteúdo do Pentateuco para mostrar ao mundo culto grego que a lei mosaica já possui tudo o que os filósofos ensinam[9].

Agora, é preciso dizer que a filosofia judaica produzida na época helenística permanece ligada aos conceitos da sabedoria palestina. O objetivo desta filosofia não é a discussão da lógica ou da física, e sim da ética. “O objetivo dos filósofos judeus era apenas um: educar as pessoas na verdadeira moralidade e piedade”[10].

 

2. Nada na Escritura está fixado por acaso

Certo Aristeias, que se apresenta como alexandrino, escreve a seu irmão Filócrates para contar-lhe de uma embaixada, na qual ele toma parte. Embaixada que o rei Ptolomeu II Filadelfo (285-247 a.C.) manda ao sumo sacerdote de Jerusalém, Eleazar.

O motivo da embaixada: o bibliotecário de Alexandria, Demétrio de Fáleron, explica ao rei que é necessário traduzir e possuir junto aos outros livros, também a lei dos judeus.

“Eu estava presente quando [o rei] lhe perguntou: ‘Quantos milhares de livros há?’ Ele respondeu: ‘Mais de duzentos, rei; porém, estou me apressando para completar em pouco tempo os quinhentos mil que me faltam. Disseram-me que as leis dos judeus deveriam ser transcritas e formar parte de tua biblioteca’. Disse: ‘E o que te impede de fazê-lo? Tens tudo o que é necessário à tua disposição’. Porém Demétrio respondeu: ‘É preciso traduzi-las, pois utilizam na Judeia uma escrita peculiar, como os egípcios, tanto na disposição das letras como na pronúncia. Supõe-se que empreguem o siríaco, porém não exatamente, mas um dialeto diferente’. Quando o rei se informou dos pormenores, deu ordem para se escrever ao sumo sacerdote dos judeus para que se realizasse o combinado”[11].

 Início da Carta de Aristeias a Filócrates: séc. XI - Biblioteca Apostólica Vaticana, Vat. gr. 747, f. 1rApós contatos epistolares entre o rei e o sumo sacerdote, a embaixada alexandrina dirige-se a Jerusalém com o objetivo de conseguir um exemplar fidedigno da Lei e idôneos tradutores. O sumo sacerdote Eleazar escolhe, então, 72 especialistas – 6 de cada uma das 12 tribos de Israel – que são regiamente recebidos em Alexandria. Em 72 dias, isolados na ilha de Faros, os 72 tradutores realizam o seu trabalho, que é lido para a comunidade judaica de Alexandria e aprovado. Os 72 tradutores voltam a Jerusalém carregados de presentes do rei.

Este é o tema central da Carta, que está falando da tradução da LXX. Mas, uma série de assuntos paralelos são inseridos no seu meio:

. o rei liberta os escravos judeus que estão no Egito
. descreve-se a cidade de Jerusalém e o Templo
. conta-se de um banquete do rei com os 72 sábios judeus, durante 7 dias, quando se discutem variadas questões.

O nome dado ao escrito, Carta de Aristeias a Filócrates é recente: aparece pela primeira vez em um manuscrito de Paris do século XIV, o Ms. Parisinus, 950, da Biblioteca Nacional de Paris. Flávio Josefo chama-o simplesmente de “O livro de Aristeias”[12] e Eusébio, na sua Praeparatio Evangelica IX, 38, refere-se ao escrito com o título de “Sobre a tradução da lei dos judeus”.

O autor se apresenta como um grego, adorador de Zeus:

“Estes [os judeus] adoram ao Deus que vê e cria todas as coisas, ao qual todos veneram; nós, porém, rei, o chamamos de forma diferente, Zena e Dia”[13].

Mas o autor da Carta é um judeu de Alexandria e vive muitos anos depois dos fatos que narra. Porque, no § 28, diz ele:

“Pois estes reis [sublinhado meu] administravam todos os assuntos…”.

Isto indica uma época posterior ao segundo Ptolomeu.

No § 182 ele diz:

“O que ainda permanece e se pode observar agora [sublinhado meu]…”

Aqui também o autor se descuida e se mostra distanciado dos fatos que narra.

Além do que, sua origem judaica é patente em sua visão da Lei, do Templo, dos sacerdotes e dos judeus. E o fato de ter vivido bem depois dos acontecimentos é evidente em vários anacronismos, como, por exemplo:

. Demétrio de Fáleron não é diretor da biblioteca, muito menos na época de Ptolomeu II Filadelfo, que o desterra, talvez por volta de 283 a.C. Demétrio é um literato e político ateniense que chega a governar Atenas como vice-rei de Cassandro, rei macedônio. Em 307 a.C. ele vai para o exílio e junta-se à corte de Ptolomeu I Soter, em Alexandria, onde exerce grande influência. É possível que ele tenha sugerido a Ptolomeu I a fundação do Museu.

. no § 180, a Carta diz que o rei fala de uma vitória naval sobre Antígono:

“Pois casualmente coincidiu [o dia da chegada dos tradutores a Alexandria] com nossa vitória naval sobre Antígono”.

Só que esta é uma derrota na batalha de Cós, em 258 a.C.

Enfim, a data da Carta é difícil de ser estabelecida, mas certamente ela é do século II a.C., talvez mais para o seu final. Cerca de um século e meio posterior aos fatos que narra.

“Carta” é apenas um gênero literário, muito comum na época helenística. Na verdade esta carta “é um escrito de propaganda que quer informar sobre a tradução do Pentateuco para o grego. Sua finalidade é, assim, apologética e provavelmente didática. Difícil é determinar seu destinatário principal: os próprios judeus (da Palestina ou da diáspora), os gregos (a fim de fazê-los participantes do passado glorioso de Israel) ou a corte dos Ptolomeus”, comenta A. Diez Macho[14].

A concepção de Deus presente na Carta é universalista: o autor se esforça para apresentar à sociedade helenística uma imagem aceitável do Deus dos judeus, mas também de seus costumes e de sua religião, como no § 168 que diz:

“Assim pois, no que diz respeito aos preceitos que te apresentei, na medida em que se pode expô-los tão resumidamente, tudo está orientado para a justiça e nada na Escritura está fixado por acaso ou em forma de mitos, mas encaminhado para que em toda a nossa vida e ações pratiquemos a justiça com todos os homens, segundo o Deus soberano”.

Ou quando Aristeias diz ao rei Ptolomeu no § 15:

“Concluí que o Deus que lhes deu a lei [aos judeus] é o mesmo que governa teu reino”.

Já no § 31 diz Aristeias:

“Porque esta lei, por ser divina, é a mais sábia e perfeita”.

Sobre os 72 tradutores diz Aristeias no § 122:

“Tinham grandes dotes para as entrevistas e discussões motivadas pela lei, zelosos da moderação, pois esta é a melhor, descartadas a rudeza e a incultura da mente e, ao mesmo tempo, muito afastados da ideia de desprezar os outros”.

Compare-se esta visão com o antissemitismo grego de origem egípcia, visto no artigo Quem são os judeus? Falam autores gregos antigos e o tom apologético da carta torna-se evidente.

Além disso, a exegese alegórica da Carta, como nos §§ 147-166, possibilita ao autor explicar aos gregos vários preceitos judaicos que parecem esquisitos para eles, especialmente no tocante às proibições alimentares. Interpretando alegoricamente estes preceitos, Aristeias tenta fazê-los compreensíveis e aceitáveis aos gregos. A religião de Israel torna-se humanitária, ilustrada e filantrópica[15].

 

3. Demétrio, o primeiro autor judeu de fala grega

Demétrio escreve crônica. É conhecido entre os estudiosos modernos como Demétrio, o Cronógrafo[16]. Seu interesse em a narrativa bíblica é todo voltado para seu valor histórico, documentando nascimentos, genealogias etc.

Demétrio é talvez o primeiro autor judeu que faz uma sistemática crítica bíblica: ele observa as dificuldades e inconsistências cronológicas, lógicas e morais presentes no texto grego da LXX, que é o texto usado por ele. Mas não se limita a observar os problemas: tenta solucioná-los. Demétrio é de Alexandria e pode ser situado na última metade do século III a.C.

O que indica ser sua cidade a Alexandria dos Ptolomeus?

. aparentemente ele não sabe hebraico. E só conhece a versão grega da Bíblia, a LXX
. vive no mesmo ambiente intelectual de Eratóstenes – diretor da biblioteca de Alexandria, matemático, geógrafo, filósofo, crítico literário etc que falece por volta de 234 a.C. – Hecateu de Abdera (ca. 300 a.C.), Maneton (séc. III a.C.), Fábio Píctor (séc. III a.C.): todos eles são interessados em cronografia[17].

Além do mais, a última metade do século III a.C. é a época mais indicada para Demétrio, pois no Fragmento 6 o reinado de Ptolomeu IV Filopator (221-205 a.C.) é colocado como “terminus ad quem” do seu sumário cronológico.

De Demétrio temos 6 fragmentos. Os 5 primeiros tratam de acontecimentos narrados em Gênesis e Êxodo. O sexto é um sumário cronológico de um período da história de Israel e é baseado em 2 Reis. Os 5 primeiros são transmitidos por Eusébio e o sexto por Clemente de Alexandria.

Apesar dos limites do texto, a importância de Demétrio é grande porque:

. ele é o primeiro autor judeu independente conhecido que escreve em grego. É o primeiro representante do judaísmo de fala grega, excetuando-se, é claro, a LXX, mas que é uma obra coletiva e, além do mais, uma tradução
. ele é fonte importante para se examinar a relação entre os métodos de exegese palestino e alexandrino
. ele é talvez o primeiro autor judeu cujo trabalho reflete uma consciência e um conhecimento da historiografia grega e, portanto, é importante para se verificar as raízes da helenização entre os judeus da diáspora.

O objetivo de Demétrio parece ser o de mostrar aos gregos a antiguidade de Moisés e do povo judeu e, portanto, sua credibilidade[18].

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[1]. Cf. SCHÜRER, E. The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ III.1. London: Bloomsbury T & T Clark, 2015, p. 470-473.

[2]. Cf. LAMARCHE, P. La Septante, em MONDÉSERT, C., (org.) Le monde grec ancien et la Bible (Bible de tous les temps 1). Paris: Beauchesne, 1984, p. 19-35.

[3]. Cf. HOLLADAY, C. R. Fragments from Hellenistic Jewish Authors, vol. I: Historians. Chico, California: Scholars Press, 1983, p. 1-5.

[4]. Eusébio, bispo de Cesareia, na Palestina, vive entre 265 e 340 e escreve importantes obras em grego, entre elas a famosa “Historia Ecclesiastica”, a “Praeparatio Evangelica” e a “Demonstratio Evangelica”. Clemente de Alexandria vive aproximadamente de 160 a 215. Um dos mais notáveis padres gregos, famoso por seu amplo conhecimento da literatura e da filosofia gregas. Deve ter nascido em Atenas, mas vive e ensina em Alexandria. Além de outras obras, escreve o Stromata, “Miscelâneas”, cujo objetivo é reconciliar a fé cristã com a razão e a filosofia.

[5]. HOLLADAY, C. R. o. c., p. 8-9.

[6]. Ambos podem ser lidos em Idem, ibidem, p. 245-275.

[7]. Cf. HOLLADAY, C. R. Fragments from Hellenistic Jewish Authors, vol. II: Poets. Atlanta, Georgia: Scholars Press, 1989, p. 51-299. Fílon e Teodoto são comentados também por SCHÜRER, E. The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ III.1, p. 559-563.

[8]. Cf. HOLLADAY, C. R. Fragments from Hellenistic Jewish Authors, vol. II: Poets, p. 301-529.

[9]. Cf. HOLLADAY, C. R. Fragments from Hellenistic Jewish Authors, vol. III: Aristobulus. Atlanta, Georgia: Scholars Press, 1995.

[10]. SCHÜRER, E. The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ III.1, p. 567. O grande filósofo judeu helenizado é obviamente Fílon de Alexandria (20 a.C.-54 d.C.), de quem não trato aqui por estar além da época demarcada para este estudo.

[11]. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES, 10-11, em DIEZ MACHO, A. Apócrifos del Antiguo Testamento II. Madrid: Cristiandad, 1983, p. 20.

[12]. Cf. JOSEFO, F. Antiquitates Iudaicae XII, 100.

[13]. CARTA DE ARISTEAS A FILÓCRATES, 16, em o. c., p. 21-22. Zena (Zêna) vem de zên = “viver” e Dia (Diá), por causa da preposição homônima diá = “através de”, faz da divindade a causa de todas as coisas. São etimologias populares usadas para Zeus na época helenística.

[14]. DIEZ MACHO, A. Apócrifos del Antiguo Testamento II, p. 14.

[15]. Cf. Idem, ibidem, p. 41; SCHÜRER, E. The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ III.1, p. 677-687.

[16]. Os “cronógrafos” ou “logógrafos” são os cronistas antigos, precursores dos verdadeiros historiadores como Heródoto. Eles representam a transição da poesia épica para a prosa. Suas narrativas são em geral áridas e com pouco senso crítico. Cf. HARVEY, P. Dicionário Oxford de literatura clássica grega e latina, verbete Logôgrafos.

[17]. Contudo, nada impede que a origem do escrito possa ser situada ou na Palestina ou na Cirenaica. Em ambos lugares há judeus cultos e que sabem grego. E talvez ele saiba hebraico.

[18]. Cf. HOLLADAY, C. R. Fragments from Hellenistic Jewish Authors I, p. 53-54; SCHÜRER, E. The History of the Jewish People in the Age of Jesus Christ III.1, p. 513-517.

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